Em depoimento incisivo na CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar, relator da comissão, afirmou que as irregularidades reveladas até agora não se limitam a casos isolados, mas constituem uma estrutura organizada dentro do próprio sistema previdenciário.

Gaspar destacou que a investigação avançou no que ele chamou de “descontos associativos”, estimando que esses descontos somam cerca de R$ 10 bilhões ao longo de dez anos. Segundo o relator, a CPMI dedicou aproximadamente quatro meses a essa linha de averiguação, reunindo documentos e realizando cruzamentos de dados que, em sua avaliação, desmontariam a ideia de que “a CPI não iria render nada”.
Na sequência, o deputado anunciou a entrada da comissão na “segunda parte” da apuração, agora voltada ao Sistema Financeiro Nacional. Ele apontou que o escopo investigativo pode abranger, nos últimos cinco anos, entre R$ 400 bilhões e R$ 500 bilhões, qualificando essa fase como a “mais forte” do caso e indicando que a resistência política será maior.
Gaspar também denunciou obstáculos para a prorrogação do mandato da comissão. Segundo ele, foram recolhidas mais de 200 assinaturas em apoio à extensão, medida que, de acordo com o regimento, deveria ocorrer de forma automática. Contudo, o relator alegou que o pedido nem chegou a ser autuado pelo presidente da Câmara dos Deputados. Ele ainda afirmou que o presidente impôs sigilo sobre as visitas do parlamentar conhecido como “Careca” ao Congresso e ao Senado, e adiantou que a CPMI pode precisar recorrer ao STF para garantir a continuidade dos trabalhos, argumentando que isso seria um “direito do povo brasileiro”.
Por fim, Alfredo Gaspar reforçou que não vê a questão como uma disputa entre “direita e esquerda”, assegurou que nunca se recusou a votar convocações e conclamou que a CPMI não pode “fazer favor” usando “o chapéu do aposentado e do pensionista”. O relator acusou a existência de parlamentares alinhados ao sistema financeiro e prometeu insistir para “expor” a engrenagem investigada.
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