Não, eu não me esqueço por um minuto do que aconteceu neste país. O que ocorreu, como todos sabem, ultrapassa a compreensão de um ser humano moralmente normal.
Um sistema apodrecido impôs sua força sobre boa parte da população, perseguindo suas mais sombrias ambições.
Entre mortos e feridos, lamentamos os presos, os exilados e os falecidos.
É impossível esquecer o que a chamada “máfia togada” e sua rede de apoio impuseram ao Brasil.
Mesmo assim, não desisto da percepção de que a vida é uma luta renhida: aos fracos abate, aos fortes exalta, como escreveu Gonçalves Dias.
Retirar o país das mãos dos piores parece humanamente impossível, mas cabe aos conscientes estender a mão a quem titubeia, a quem perdeu a esperança, e conduzi‑los adiante, infundindo coragem e ânimo àqueles que já desistem ao ver o rosto cínico e cruel dos que mandam.
Proponho‑me a essa tarefa, ainda que pareça inútil ou louca, pois acredito ser a ação mais importante nesses anos áridos da história brasileira. Espero que, antes que a vida termine, possamos ver a corça dormir ao lado do leão, e não o contrário, como dizia Dostoiévski, que ansiava pela paz entre os homens.
Hoje, há uma pequena vitória: a Polícia Federal avançou contra o ministro Toffoli, pedindo sua suspeição no gigantesco caso de corrupção envolvendo o Banco Master, do qual ele é relator. A PF descobriu repasses suspeitos em dinheiro vivo de Vorcaro ao ministro, por meio de perícia realizada no telefone do banqueiro envolvido nas bilionárias fraudes do Master.
Trata‑se de gravidade monumental, pois a perícia foi entregue ao ministro Edson Fachin, e não ao relator Toffoli, aprofundando ainda mais a teia de corrupção que envolve a mais alta elite do poder na República.
Espero que forças ocultas não impeçam o desmascaramento de Toffoli e seu afastamento da função que ocupa. Que a descoberta de seu nome em tenebrosas transações revele outros envolvidos, e que a PF esclareça os motivos que levaram Vorcaro – figura temida na “realidade paralela” de Brasília – a firmar um contrato milionário com outro membro da corte, por meio de sua consorte, sem contrapartida financeira aparente. Não há motivo claro que justifique o pagamento milionário de um banco que já causou graves prejuízos a instituições e pessoas físicas brasileiras.
Será que todos acabarão onde merecem? Pode ser que a sujeira seja varrida para debaixo do tapete, permitindo que esses agentes permaneçam nos altos píncaros do poder, atropelando um povo que paga altos impostos e é ainda mais espoliado por quem deveria ser exemplo de boa conduta.
Como diz o ditado, nunca diga nunca. O que parece impossível pode acontecer, e, se acontecer, será um dia inesquecível.
Prossigamos.
