A senadora Soraya Thronicke protagonizou mais um episódio de constrangimento no Senado durante reunião da CPI do Crime Organizado nesta semana. A parlamentar foi obrigada a retirar um requerimento em que propunha a convocação de uma ex-assessora da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no âmbito de apurações sobre o uso de cartões corporativos durante o governo Jair Bolsonaro.
O pedido foi duramente questionado pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que apontou a completa falta de relação entre a convocação e o foco da comissão, voltado ao combate ao crime organizado.
“Fomos surpreendidos com requerimentos para convocação de pessoas sem qualquer vinculação com o crime organizado, como a ex-assessora da ex-primeira-dama. A impressão é que esta comissão está sendo usada para fazer jogo político baixo”, afirmou Moro.
Em seguida, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) reforçou que não há qualquer menção ao Banco Master nas investigações sobre cartões corporativos.
“É preciso tratar com seriedade o que estamos fazendo. Estamos mexendo com gente poderosa, gente que tem muito dinheiro. Se começarmos a usar isso para briga política rasteira, é a receita do fracasso”, disse o relator.
Diante das contestações, Soraya recuou e tentou atribuir o erro à própria assessoria. Inicialmente, insistiu na existência de irregularidades envolvendo cartões corporativos.
Minutos depois, porém, ao ser confrontada por Moro e informada pelo relator de que o requerimento não fazia qualquer referência às alegações apresentadas, a senadora reconheceu a inconsistência, esvaziando a própria justificativa do pedido.
