“Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar a eleição”. José Dirceu.
José Dirceu proferiu essa frase enigmática em 2018, quando ainda não sabíamos exatamente com quem estávamos lidando. Hoje, após as dolorosas experiências dos últimos anos, compreendemos plenamente o recado.
Jair Bolsonaro venceu as eleições de 2018, mas não chegou ao poder. Desde o primeiro dia de mandato foi atacado e, atualmente, encontra‑se preso. O Sistema venceu.
Aprendemos que ganhar as urnas não basta, mesmo que o eleitorado deseje, se o Sistema não aceitar.
Em 2018, a vitória de Bolsonaro representava um claro repúdio ao petismo. O Sistema, porém, mobilizou‑se imediatamente para derrubá‑lo, a qualquer custo. Foi o mesmo Sistema que tirou Lula da prisão e o reconduziu à Presidência, acreditando que, com ele no comando, a “banda” teria liberdade para atender seus próprios interesses.
Escândalos recorrentes mostram que a “gangue” que atua no país há décadas não aceitaria jamais um presidente que a impedisse de continuar a rapinagem iniciada quando a esquerda chegou ao poder, em 2002.
Mas quem é o “Sistema”? É um conjunto de instituições que dominam o país, pairando em patamares inacessíveis ao cidadão comum e determinando quem vence e quem perde. Entre elas estão as instituições financeiras, as universidades públicas, o Poder Judiciário, o Poder Legislativo, o Poder Executivo, a imprensa escrita e falada, as Forças Armadas e as entidades de classe.
Essas instituições escolheram Lula como seu representante, pois acreditam que ele permite a dilapidação dos recursos públicos.
Com Lula no poder, a esbórnia se intensifica: o contribuinte paga impostos em silêncio enquanto os privilegiados se banqueteiam nos benefícios do cargo, desprezando a população.
Uma nova eleição se aproxima, e o que nos espera é a candidatura de Lula, símbolo desse Sistema que oprime sem pedir licença.
Lula abandonou, de forma definitiva, a fachada de “Lulinha paz e amor” construída em 2002. Aos 80 anos, tem pouco a perder.
Durante a comemoração dos 46 anos do PT na Bahia, Lula perdeu a compostura, gritou, xingou, ameaçou e incitou seus apoiadores a agredirem quem discordasse de sua tese, orientando-os a “mandar essa gente para aquele lugar”.
Ele declarou, sem rodeios, que as eleições deste ano serão uma guerra, que “não há como perder”, e que é preciso criar “nossa narrativa política” – o que ele próprio define como mentiras e mais mentiras – incentivando seus seguidores a atacar sem trégua, ponto a ponto, com um olhar furioso e ressentido.
Quatro anos depois, o Brasil parece um Titanic afundando em escândalos que chegam até membros do Supremo Tribunal Federal, revelando um país que se assemelha a uma República bananeira latino‑americana, corrupta e decadente.
Surpreende ainda a existência de milhões de seguidores cegos que continuam a sustentar esse “mestre da infâmia”, o que revela muito sobre a índole do brasileiro, disposto a aceitar e proteger quem o engana há décadas.
Essa figura traumatizante pretende permanecer no poder por mais um mandato, e devemos permanecer vigilantes quanto ao que está por vir.
O Sistema ainda necessita desse elemento no comando, e o número de votos já não garante governabilidade, como ficou evidente no governo Bolsonaro, que foi cercado, atacado, desestabilizado e acabou preso.
Como afirma “Stalinácio”, as eleições de 2026 serão uma guerra; nem a vitória da Direita, por si só, trará alívio, podendo ser apenas o início de uma batalha maior: a necessidade de derrotar o próprio Sistema.
Lula é apenas mais um funcionário desta engrenagem de poderes corruptos que precisam ser expurgados da vida pública brasileira. Não se esqueça disso nem por um minuto.
Sílvia Gabas. @silgabas
