Os diálogos divulgados pelo site Poder360 reproduzem, de forma literal, as falas dos ministros. Não restam dúvidas de que as conversas foram gravadas.
Os magistrados enviaram a reportagem ao ministro Dias Toffoli, demonstrando que a gravação ocorreu.
Toffoli nega:
“Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirma ele.
Em tese, todos os que estavam presentes na reunião são suspeitos. O encontro foi restrito aos ministros da Corte; ninguém fora deles tinha autorização para entrar no local, o que leva à conclusão de que o registro foi feito por algum integrante do STF.
A hipótese de que Toffoli seja o responsável ganha sustentação. Veja a análise do jornalista Guilherme Amado:
Ministros do STF apontaram Dias Toffoli como o responsável por vazar o conteúdo das reuniões que ocorreram a portas fechadas no Supremo ontem. A gravação das reuniões, cujo teor foi divulgado pelo site Poder 360, é considerada um fato porque as frases citadas na reportagem estão transcritas literalmente.
O ministro negou que tenha gravado os colegas.
Um ministro ouvido pela coluna pontuou, porém, alguns dados que reforçam a tese de que foi Toffoli quem gravou os colegas.
A reportagem do Poder360 traz informações de duas reuniões que ocorreram na quinta‑feira, 12. O primeiro encontro, iniciado por volta das 13h30, contou com Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, além de Toffoli.
A segunda reunião, iniciada por volta das 16h30, resultou no afastamento do ministro do caso Master e contou com todos os ministros.
Ou seja, Toffoli estava nas duas reuniões, e na primeira não havia ninguém além dos ministros.
E a tese de que um funcionário da informática do STF poderia ter gravado a conversa? Este mesmo ministro considera pouco plausível.
Neste segundo encontro, que se estendeu à noite, dois ministros participaram virtualmente, André Mendonça e Luiz Fux, enquanto os outros oito estavam reunidos na mesma sala do STF.
A videoconferência utilizou apenas três computadores: o da sala onde estavam os oito ministros, o de Mendonça e o de Fux.
Um técnico do STF entrou virtualmente na sala da videoconferência antes da reunião para conectar os ministros e saiu da chamada após a entrada de Fux e Mendonça. A videoconferência não foi gravada nem acompanhada presencialmente por outra pessoa.
O que aponta ainda mais para Toffoli são as declarações positivas a ele presentes em todo o conteúdo vazado ao site Poder360, enquanto, segundo o próprio ministro, havia frases negativas direcionadas a ele.
