O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão de todos os diálogos com autoridades iranianas e incentivou os manifestantes a assumirem o controle das instituições do país. A declaração foi feita nesta terça‑feira (13) em meio a uma das maiores ondas de protestos enfrentadas pela República Islâmica desde a Revolução de 1979.
Em mensagem publicada na rede social Truth Social, Trump escreveu:
“Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]”.
A posição do presidente americano representa um endurecimento na retórica contra o regime de Teerã. O Qatar emitiu alerta sobre possíveis consequências de um confronto militar entre EUA e Irã para toda a região.
A declaração de Trump contradiz a postura expressa pelo governo iraniano na segunda‑feira (12), quando autoridades persas afirmaram manter canais de comunicação abertos com os Estados Unidos. No domingo (11), o republicano havia indicado que seu país poderia se reunir com representantes iranianos e mencionou contatos com grupos de oposição.
A conta oficial do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, compartilhou nas redes sociais uma imagem mostrando Trump como um sarcófago destroçado, com a mensagem: “Ele também será derrubado”.
Aproximadamente 2 000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começaram os protestos atuais, segundo informações fornecidas por um membro do próprio regime. As autoridades iranianas atribuem a violência a grupos que classificam como terroristas.
O Alto‑Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o aumento da repressão.
“Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, declarou em comunicado oficial.
Os protestos se intensificaram em diversas cidades iranianas, impulsionados pela deterioração econômica e desvalorização do rial. Comerciantes do Bazar de Teerã e outros importantes mercados do país, que historicamente apoiaram a Revolução Iraniana, agora se opõem ao regime.
Teerã acusa Israel e os Estados Unidos de instigarem os protestos. Organizações de direitos humanos informam que a repressão continua intensa, com milhares de prisões e estimativas de que as mortes já ultrapassam 6 000 pessoas.
O bloqueio da internet imposto pelas autoridades iranianas já dura mais de 108 horas, segundo a ONG Netblocks.
