A velha mídia participou ativamente dos acontecimentos recentes no Brasil e foi decisiva para fortalecer o ministro Alexandre de Moraes, motivada pela aversão ao ex‑presidente Jair Bolsonaro, apoiando o “vale‑tudo” que o derrotou.
Hoje, o país está mergulhado em corrupção e as consequências atingem a população de forma indiscriminada. Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes se apresenta como “defensor da democracia” e conduz uma farsa cada vez mais preocupante.
Na segunda‑feira, 19, o site Metrópoles foi incisivo. O jornalista Mário Sabino lançou duras críticas ao sistema. Confira:
O monarca absoluto Alexandre de Moraes abre outro inquérito sigiloso
Alexandre de Moraes abriu, de ofício, outro inquérito sigiloso para investigar suposto vazamento de dados financeiros seus e de sua família pela Receita Federal ou pelo Coaf, bem como informações sobre parentes do ministro Dias Toffoli.
Ele se irritou ao saber que a imprensa revelou que sua esposa, advogada, assinou contrato com o Banco Master, sem escopo definido, no valor de R$ 130 milhões.
O país foi informado de que, graças aos dividendos desse contrato, a doutora Viviane Barci de Moraes acumula patrimônio pessoal próximo a R$ 80 milhões.
Quais são as ações que o escritório da esposa desenvolve para o Master? Nenhuma, até o momento. O escritório nem aparece entre os que defendem Daniel Vorcaro no inquérito sobre fraudes do “banqueiro” e sua turma.
A única iniciativa de um Moraes em favor do Master teria sido o próprio ministro, que teria pressionado o Banco Central para que o Master fosse vendido ao BRB durante a vigência do contrato.
Alexandre de Moraes negou veementemente ter feito essas pressões.
O ministro não ofereceu explicação sobre o contrato. Parece que ele não vê problema em sua esposa receber uma “bolada de Mega‑Sena” de um banco que se arrasta na Justiça sem prestar prestação de contas visível.
O que incomoda Moraes é que o país tomou conhecimento do contrato e, por isso, abriu outro inquérito sigiloso de ofício, como se fosse o STF atingido, e não o ministro em pessoa.
Se Moraes acredita que houve vazamento ilícito de dados financeiros seus e de sua família, o procedimento correto seria acionar o Ministério Público, que, constatados indícios de crime, encaminharia o inquérito à primeira instância.
Desde a instauração, em 2019, do inquérito das fake news, sem prazo para término, o sistema acusatório foi enfraquecido.
A partir daí, Alexandre de Moraes, como relator de todos esses inquéritos que supostamente defendem a democracia, acumulou poder comparável ao do monarca absoluto das Ordenações Filipinas, código de direito português que vigorou no Brasil até o século XIX.
A Constituição Federal não concede poder absoluto a ninguém; o que se observa, portanto, é um desvio intolerável no sistema democrático, do qual Alexandre de Moraes se autodenomina grande defensor. Ele pode tudo, sua família pode tudo, mas não. Seu poder é incompatível com a democracia, e resta saber até quando seus colegas do tribunal e dos demais poderes fingirão que nada há de errado.
