Wagner Moura tem a oportunidade de provar que não é apenas um “artistazinho cínico” que lucra com seu ideal

Brasil, meu Brasil brasileiro.

O Brasil cansa, e esse cansaço é antecipado por toda a parafernália que protege os bandidos das altas esferas, enquanto inocentes apodrecem nas cadeias, lá colocados por esses mesmos bandidos, ridiculamente milionários por causa do assalto aos cofres públicos. Eles espoliam economicamente o cidadão comum, prendem‑no de maneira acintosa, mas para si não há prejuízo, cerceamento ou prisão. Os autores dos negócios escusos praticados há anos permanecem incólumes em suas torres de marfim, enquanto os inocentes são destinados a masmorras onde sofrem, adoecem e morrem sob o silêncio sepulcral de quem deveria defendê‑los.

O Brasil vive um tempo de horror, em que corruptos e ladrões estão no poder – acintosamente, cinicamente – e entre eles decidem que está tudo bem, graças a uma rede de proteção recíproca e explícita, onde o corrupto protege o ladrão e o ladrão protege o corrupto.

E quem são eles? Quem são todos eles?

São a esquerda no poder, uma esquerda que não aceita, sob hipótese alguma, a possibilidade mais remota de contraponto ou discordância. Por isso, trabalha dia e noite para calar, de forma autoritária, todo aquele que se levanta contra ela.

Nesse novelo gigantesco de maracutaias mil, lá estão a mídia e a classe artística, coniventes e partícipes de toda essa escandalosa realidade que é o país hoje. Mantêm‑se em rigoroso silêncio quanto às canalhices praticadas pelos donos da nação, que se sentem à vontade para praticar toda sorte de imoralidades e ilegalidades, sabendo que nada nem ninguém se oporá às suas loucuras, desmandos e crimes.

Pois bem.

Hoje, o cinema brasileiro, que eu considero lixo puro – e peço desculpas aos que discordam – não consegue agradar aos olhos nem aos sentidos, nem resiste à análise crítica estética e visual. Por hipocrisia ou conivência oportunista, chamam de valor algo que é, na verdade, um objeto excêntrico fabricado nos trópicos sul‑americanos e que, aos olhos externos, parece merecedor de prêmios ou reverências. Vivemos tempos estranhos, em que tudo foi invertido, a verdade virou mentira e o pior passou a ser o melhor.

Eu, que sou daqui desta terra, conheço toda a sua malandragem, picaretagem e precariedade, e acredito saber distinguir bem do mal, belo do feio. Pergunto‑me o que será que Hollywood viu que eu não consegui ver, a ponto de investir até um vintém furado em algo que me parece grotesco.

Mas, indicado que foi, deixo aqui uma sugestão ao indicado, o afligido Moura, que ao receber o Globo de Ouro fez aquele discurso político tão requentado por aqui, já cansativo, repetitivo e que nos leva ao desejo de levantar da cadeira e dizer em alto e bom som: chega, não aguento mais, artistazinho cínico que lucra com seu ideal, que me provoca asco com essa conversa de ditadura pra lá, meus milhões pra cá. Minha sugestão é que, caso ganhe o tão desejado troféu americano, que lhe renderá fama e fortuna, não se esqueça de mencionar os ladrões, corruptos e ditadores do presente, esses que estão fazendo barba e cabelo do povo brasileiro, rindo na cara do brasileiro enquanto se deliciam em banquetes orgiásticos e nos aproximam ainda mais do nosso trágico destino: um Brasil bonito por natureza, mas habitado por demônios peçonhentos nos altos poderes, incólumes.

Aproveite a oportunidade, Moura.

Te aplaudirei de pé.

Silvia Gabas. @silgabas


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