O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, informou que 55 mil soldados ucranianos morreram no conflito com a Rússia. A declaração foi feita na quarta‑feira (4) durante entrevista à emissora France 2, marcando a primeira atualização oficial sobre baixas militares após mais de um ano sem divulgação desses dados.
O número apresentado por Zelensky, que engloba militares de carreira e recrutas, difere substancialmente das estimativas de organizações independentes. Um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), publicado em 27 de janeiro, calcula que as perdas ucranianas chegam a 600 mil soldados mortos, cerca de dez vezes mais que o total divulgado pelo governo de Kiev.
O mesmo relatório do CSIS aponta que as forças russas teriam perdido aproximadamente 1,2 milhão de soldados em combate. As projeções indicam que o total de militares mortos, feridos ou desaparecidos de ambos os lados pode alcançar 2 milhões até o final de junho de 2026.
Em dezembro de 2024, Zelensky havia informado oficialmente 43 mil mortos. Na entrevista, o presidente ucraniano reconheceu que “um grande número de pessoas” ainda tem paradeiro desconhecido. O Ministério do Interior da Ucrânia registrou mais de 70 mil desaparecimentos nos últimos seis meses, abrangendo militares e civis, sem divulgar detalhes específicos.
Familiares dos desaparecidos costumam nutrir a esperança de que seus entes estejam entre os prisioneiros de guerra mantidos em território russo. Organizações internacionais, como a Cruz Vermelha, enfrentam restrições severas para acessar instalações prisionais russas. Para muitas famílias ucranianas, a possibilidade de que seus parentes estejam presos representa uma esperança maior do que a alternativa de mortes sem recuperação dos corpos ou identificação tardia por testes de DNA.
Ucrânia e Rússia realizam periodicamente trocas de corpos e negociações para libertação de prisioneiros. A última troca de restos mortais ocorreu em agosto de 2025.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, intensificou os esforços diplomáticos para encerrar o conflito iniciado com a invasão russa em 22 de fevereiro de 2022. Seu enviado especial, Steve Witkoff, e Jared Kushner conduziram conversas trilaterais em Abu Dhabi com representantes dos países em guerra, pelo segundo dia consecutivo.
Após as reuniões nos Emirados Árabes Unidos, Witkoff descreveu as negociações como “detalhadas e produtivas” em publicação na rede social X, reconhecendo que “ainda há muito trabalho a ser feito” para alcançar um acordo de paz definitivo. “O engajamento diplomático contínuo está produzindo resultados tangíveis e impulsionando os esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia”, afirmou, referindo‑se ao recente acordo de troca de prisioneiros entre Kiev e Moscou.
O principal obstáculo nas negociações reside nas questões territoriais. O governo russo condiciona qualquer acordo à retirada completa das forças ucranianas da região de Donetsk, incluindo cidades fortificadas que considera essenciais à sua linha defensiva. Por sua vez, o governo de Zelensky defende que o conflito deve ser interrompido respeitando as atuais linhas de frente, rejeitando propostas de retirada unilateral de suas tropas. Kiev também exige a retomada do controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, atualmente sob domínio russo.
Zelensky reconheceu as dificuldades nas conversações, mas garantiu que sua delegação permanecerá “o mais construtiva possível” durante o processo e manifestou o desejo de que as negociações gerem “resultados mais rápidos”.
As conversas em Abu Dhabi coincidiram com a retomada dos ataques russos contra a Ucrânia, que haviam sido temporariamente suspensos a pedido do presidente Trump. Vladimir Putin havia aceitado uma pausa de uma semana nas operações militares devido às condições climáticas extremas.
No rigoroso inverno do hemisfério norte, com temperaturas que chegam a menos 20 graus, os bombardeios russos direcionados à infraestrutura energética ucraniana deixaram milhares de civis sem acesso a eletricidade e aquecimento. Essa retomada dos ataques ocorre enquanto os Estados Unidos buscam intermediar um caminho para a paz.
Tanto Kiev quanto Moscou divulgam regularmente estimativas sobre as baixas do lado adversário, mas ambos relutam em detalhar suas próprias perdas, conscientes do impacto que essas informações podem ter sobre o moral das tropas no front.
