A jornalista Malu Gaspar revelou um dado que compromete ainda mais a tentativa de manobra do ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) — em 2022 — a rejeição da ação do PT que pretende limitar as colaborações premiadas. Os pareceres ficaram disponíveis para o relator — Alexandre de Moraes — por quatro anos. Moraes só desengavetou a ação agora — quando a delação de Daniel Vorcaro avança e pode atingi-lo diretamente. O que os pareceres dizem: A PGR afirmou que não cabe ao STF antecipar juízo sobre todas as hipóteses de aplicação da lei de colaboração premiada. A AGU também pediu rejeição. Dois órgãos essenciais do sistema jurídico brasileiro chegaram à mesma conclusão: a ação do PT não deve prosperar. O detalhe que fecha o círculo: Bruno Bianco — que assinou o parecer da AGU pedindo rejeição da ação em 2022 — passou a atuar na iniciativa privada após o fim do governo Bolsonaro e integrou a defesa do Master no processo que levou à prisão de Vorcaro. A síntese: Moraes tem em seus autos — há quatro anos — pareceres da PGR e da AGU pedindo rejeição da ação que agora tenta pautar às pressas. Luiz Fux — presidente do STF — não pauta. A PGR atual negocia a delação de Vorcaro que pode atingir Moraes. O conflito de interesses está documentado nos próprios autos do processo.
Estados Unidos expulsam delegado da PF envolvido na prisão de Ramagem; governo brasileiro é acusado de perseguição política
O governo dos Estados Unidos determinou a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental da administração americana. O delegado brasileiro atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e esteve envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), ocorrida no dia 13 de abril em Orlando, na Flórida. A administração americana divulgou um comunicado nas redes sociais sem mencionar diretamente o nome do delegado. No texto, o governo afirmou que uma autoridade brasileira tentou “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em solo norte-americano. Conforme apuração, a autoridade mencionada pelo governo americano é Marcelo Ivo de Carvalho. O Itamaraty informou que não se manifestará sobre o caso. A Polícia Federal declarou que não recebeu comunicação formal sobre a medida adotada pelo governo americano. A expulsão do delegado brasileiro ocorre uma semana após a liberação de Ramagem. O ex-deputado permaneceu detido por dois dias em um centro de detenção do ICE.