O PT defendeu nesta sexta-feira (24), durante a realização de seu 8º congresso em Brasília, o retorno do ditador Nicolás Maduro ao governo da Venezuela. Uma posição absurda e sem cabimento. Um verdadeiro desrespeito ao povo venezuelano. No encontro, um banner em defesa do retorno do ditador e de sua esposa, Cilia Flores, pedia sua volta à Venezuela. A peça trazia a frase “los queremos de vuelta” e um pedido de liberdade ao casal. Militantes também exibiram bandeiras da Venezuela. Um cartaz também tratava Maduro como “presidente da Venezuela”. Maduro e Cilia foram capturados por forças dos Estados Unidos em janeiro, em Caracas, e levados para Nova York. O polêmico congresso contou com a presença de lideranças do partido e aliados. Lula participou através de um vídeo enviado à militância, no qual defendeu a atuação política fora das redes sociais.
Entrevistas de Gilmar Mendes causam ainda mais estragos ao Supremo e deixam saldo devastador
O ministro Gilmar Mendes concedeu uma série de entrevistas ao longo da semana que ele próprio definiu como “missão autoimposta” de defesa do STF. O resultado foi o oposto do pretendido — cada aparição pública aumentou a exposição da Corte, entregou palanque gratuito a adversários e produziu pelo menos uma gafe que exigiu retratação formal em menos de 24 horas. Porém, uma coisa ficou bem clara: a estratégia é atacar quem questiona o tribunal em vez de responder às questões levantadas. Alessandro Vieira virou alvo de pedido de investigação por abuso de autoridade. O governador Zema foi incluído no inquérito das fake news, que Gilmar agora quer renomear de “Inquérito da Defesa da Democracia” e manter ativo até pelo menos as eleições de outubro. O caso Master, por sua vez, é tratado como “problema da Faria Lima, distante da Corte”, como se viagens pagas pelo banqueiro, degustações de whisky Macallan para autoridades e mensagens de Vorcaro mencionando ministros fossem invenção da oposição. E Fachin — presidente do próprio STF — é criticado publicamente por propor um Código de Conduta para a Corte. O decano rejeita o timing da iniciativa no exato momento em que seus próprios vínculos com o ecossistema Master são investigados. O saldo da semana é devastador. O confronto com Zema impulsionou o pré-candidato nas redes sociais, segundo pesquisa Nexus — mais seguidores, mais engajamento, mais doações. Deputados da oposição apresentaram novo pedido de impeachment de Gilmar em reação. O ex-procurador Deltan Dallagnol fez um comentário em seu canal do YouTube que ilustra com precisão a atabalhoada investida do decano. Veja o vídeo:
Professor universitário desaparecido há 5 anos é encontrado e recusa voltar para casa
A Polícia Militar Rodoviária localizou um professor universitário desaparecido há mais de cinco anos na terça-feira (21). Ele foi encontrado às margens da rodovia Washington Luís (SP-310), no trecho de Taquaritinga, interior de São Paulo. O professor Felipe Morina Ribeiro caminhava pela rodovia quando foi abordado por policiais e reconhecido. A família, que vive em Osasco, na Região Metropolitana da capital paulista, foi contatada pela polícia e seguiu até Araraquara, a 280 km de São Paulo. O reencontro foi emocionante. Um dos familiares, em depoimento divulgado pela Polícia Militar, relatou que a família não tinha mais esperanças de encontrar o professor vivo. Porém, após o reencontro, Felipe Morina Ribeiro decidiu que não vai morar com a família. Pelo visto, ele pretende continuar perambulando pelo mundo. Parece que essa é a vida que definitivamente escolheu. De qualquer forma, não há detalhes sobre o motivo da decisão, nem maiores informações sobre onde e como o professor doravante vai viver. Felipe é formado em design digital e trabalhava como professor no Centro Universitário FIEO, em Osasco. Ele havia sido dado como desaparecido em 20 de outubro de 2020.
STF vira inferno dantesco: como Gilmar, Moraes e Toffoli construíram círculos de poder arbitrário
Na política brasileira contemporânea, os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli emergem como arquitetos de um ordenamento que ecoa as estruturas do Inferno de Dante Alighieri. Trata-se de uma metáfora sobre a centralização do poder, a distribuição da punição e a criação de círculos concêntricos de influência e contenção que lembram a geografia do abismo dantesco. Alexandre de Moraes, perpétuo presidente do “Inquérito das Fake News” e dos atos de 8 de janeiro, é o guardião dos círculos inferiores, onde os supostos crimes contra a própria estrutura do Estado, analogamente à traição dantesca, são punidos com isolamento preventivo e penas severas. Suas decisões recentes, que estendem investigações e mantêm prisões, criam um “Cócito” jurídico para aqueles que ousaram “desafiar a ordem” que ele se impôs proteger, congelando-os em um estado de exceção processual perpétuo. Gilmar Mendes, decano e mestre da articulação política e jurídica, opera como um Minos moderno no limiar do abismo. Ele detém o poder de classificar e redirecionar os fluxos do poder. Suas decisões e suas “intervenções” em defesa da Corte funcionam como o rabo da besta mítica, definindo qual círculo de segurança ou de vulnerabilidade jurídica cada ator político ou econômico deve ocupar. Ele molda a topografia do inferno político, garantindo que a “alta governabilidade” sobreviva, mesmo que às custas da previsibilidade legal inferior. Dias Toffoli, por sua vez, representa a figura da instabilidade e da ambiguidade que permeia certos círculos de Dante. Sua trajetória recente, marcada pela relatoria e posterior saída do caso do Banco Master devido a conexões familiares, evoca os círculos da fraude e da corrupção, onde a linha entre o público e o privado se dissolve. Suas decisões, que ora beneficiam réus de colarinho branco com anulações de provas, ora reformam entendimentos consolidados, criam um terreno lamacento e inconstante, um “Pântano Estígio” onde a segurança jurídica se afoga na conveniência do momento, e as almas processuais vagam sem saber se encontrarão a salvação de um “habeas corpus” ou a danação de uma nova interpretação. Juntos, os três ministros construíram um sistema onde o julgamento é onipresente, a punição é discricionária e a saída depende não da justiça universal, mas da navegação astuta pelos círculos de poder que eles próprios delimitam.
Esquerda raiz denuncia farsa do lulismo sobre 8 de janeiro; PCO questiona narrativa oficial
Quando a própria esquerda denuncia claramente a farsa do lulismo, a situação fica crítica para o sistema do oportunista na presidência. E deixa explícito o que muitos sabem há tempos: Lula jamais foi de esquerda. Não passa de um estelionatário ideológico e corrupto, interessado apenas em poder. A candidatura de Rui Costa Pimenta, do PCO, é importante enquanto oferece uma possibilidade à ala dissidente da esquerda — e eles existem — que não apoia nem quer a permanência de Lula no poder. Pequena ou não, abre mais um buraco na debilitada campanha do lulismo, que perde jovens, evangélicos e apoio da centro-esquerda. O golpe do “golpe” do 8 de janeiro está se tornando, a longo prazo, o maior tiro no pé desse sistema sujo e seus parceiros do Judiciário, que, entre acusações sem fim de corrupção, vê o preço pelas barbaridades cometidas sendo cobrado, inclusive por quem o apoiava. E hoje pula do barco que afunda. Veja o vídeo:
Gilmar Mendes articula para colocar namorada no STF
Separado há 6 meses de Guiomar Feitosa Mendes, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, iniciou um relacionamento com a ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Morgana de Almeida. Assim como o ministro, Morgana também se separou recentemente. Ela foi casada com José Richa Filho, o Pepe Richa, irmão do ex-governador tucano Beto Richa, do Paraná. Graduada em Direito pela Universidade Federal do Paraná, Morgana nasceu em Toledo, no interior do Estado. Ela ingressou na magistratura do trabalho em 1992 e chegou ao Tribunal Superior em 22 de dezembro de 2021, indicada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a possibilidade de saída do Supremo Tribunal Federal (STF) da ministra Cármen Lúcia, conforme ela mesma já cogitou, alegando pressões familiares, Lula terá obrigatoriamente que indicar uma mulher para substituí-la. Em razão disso, segundo informações divulgadas pelo jornalista Cláudio Dantas, o nome de Morgana desponta como possibilidade. Gilmar Mendes estaria articulando nesse sentido.
Desembargadora reclama de ‘escravidão’ e dificuldade para pagar consultas com salário acima do teto constitucional
Há momentos em que uma fala pública dispensa interpretações. Ela se explica sozinha — e revela um abismo entre quem fala e a realidade do país. Ao comentar sobre limites a verbas remuneratórias, uma desembargadora afirmou que a magistratura estaria sendo tratada como “vilã”, sugeriu dificuldades para custear despesas básicas e descreveu um cenário de quase “escravidão”. A reação da sociedade veio rápida — e compreensível. O Teto Constitucional e a Realidade dos Rendimentos A Constituição Federal estabelece o teto remuneratório do funcionalismo público, vinculado ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Porém, ao longo dos anos, uma série de vantagens indenizatórias e adicionais — incluindo auxílios, retroativos e verbas eventuais — passou a compor a remuneração total em diversos casos. O resultado é amplamente conhecido: rendimentos que, em meses específicos, ultrapassam — e muito — o teto constitucional. Isso não é novidade. Trata-se de um debate antigo e público, mas ainda assim nada foi feito até hoje para corrigir essas disparidades aberrantes. Quando o Discurso Colide com a Realidade Nacional Ao alegar que juízes poderiam não conseguir pagar consultas médicas ou medicamentos, a declaração cria um contraste inevitável com a realidade da esmagadora maioria dos brasileiros. Milhões de cidadãos vivem com até um salário mínimo — muitos dependendo do Bolsa Família para sobreviver. O acesso à saúde privada é restrito à minoria, enquanto o INSS enfrenta dificuldades crônicas por falta de recursos. Medicamentos representam um peso significativo no orçamento familiar de milhões de lares. Nesse contexto, a narrativa de penúria financeira vinda da cúpula do Judiciário soa profundamente desconectada da realidade. Percepção e Credibilidade E a percepção pública importa — e muito. Transparência Não é Ataque Questionar remunerações não significa demonizar o serviço público. Trata-se de exigir clareza sobre pontos fundamentais: A composição detalhada dos rendimentos; a natureza das verbas (salariais versus indenizatórias); os critérios utilizados para pagamento; e a aderência efetiva ao teto constitucional. Transparência não é hostilidade. É prestação de contas — dever de qualquer servidor público. O Custo da Comunicação Institucional Falha Quando a comunicação institucional falha, o dano não se limita à imagem. Atinge diretamente a confiança pública. E a confiança representa o ativo mais valioso de qualquer Poder da República. Sem ela, as decisões judiciais passam a ser vistas com suspeita — mesmo quando tecnicamente corretas. O risco de aumento na percepção de vendas de sentenças no país se torna real. A Questão Central O debate não gira em torno de “juiz ganha muito” ou “juiz ganha pouco”. A questão é sobre coerência. Sobre reconhecer a enorme distância entre o discurso proferido e a realidade vivida pelo país. Sobre compreender que, em uma democracia, quem julga também é julgado pela opinião pública — não pelas sentenças que profere, mas pelas palavras desconexas que pronuncia. A toga exige sobriedade. Porque quando a fala se afasta brutalmente da realidade, não é apenas a imagem pessoal que sofre. É a credibilidade da instituição inteira que entra em risco. E essa… não tem penduricalho que compense.
PF detalha esquema de venda de sentenças: desembargador e filha movimentaram milhões em propina
As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Ultima Ratio, deflagrada em 24 de outubro de 2024, colocaram a advogada Renata Gonçalves Pimentel no centro de um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Apesar de a operação ter sido desencadeada há um ano e meio, só agora, com o relatório final do inquérito elaborado pela Polícia Federal, foram revelados detalhes sobre o envolvimento de Renata, que é filha do desembargador Sideni Pimentel. O magistrado e sua filha são investigados pela Polícia Federal por suspeita de integrarem um esquema de venda de decisões judiciais. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência da advogada, localizada no condomínio de luxo Damha III, em Campo Grande, os agentes federais encontraram vultosas quantias de dinheiro em espécie guardadas em cofres. Ao todo, foram apreendidos R$ 128.290,00 em moeda nacional e US$ 125.000,00 em espécie. A Polícia Federal aponta que o uso de grandes somas de dinheiro em espécie é um forte indício de corrupção, uma vez que a prática visa dificultar o rastreamento bancário de pagamentos de propina. Embora Renata tenha alegado, no momento da busca, que os dólares pertenciam ao tio de seu marido, a autoridade policial considera que a posse desses valores reforça as evidências de que ela atuava como intermediária na comercialização de sentenças proferidas por seu pai, o desembargador Sideni Soncini Pimentel. Segundo o relatório, Renata teria negociado e vendido a decisão que autorizou a alienação da Fazenda Santo Antônio, em Corumbá, recebendo mais de R$ 1 milhão em vantagens indevidas. A análise do telefone celular da advogada revelou intensa movimentação financeira paralela, incluindo mensagens sobre a compra de uma caminhonete de R$ 250 mil para o pai e depósitos em dinheiro para quitar financiamentos pessoais. Em um dos diálogos interceptados, Renata chegou a discutir com seu contador qual seria a melhor forma de justificar um depósito em espécie de R$ 213 mil ao banco, sugerindo classificá-lo como “honorários”, enquanto o profissional recomendou registrá-lo como “empréstimo”. Para os investigadores, esses elementos indicam a existência de uma estrutura de lavagem de dinheiro para conferir aparência lícita a recursos obtidos com a venda de decisões judiciais.
TSE mantém voto de presidiários ligados ao crime organizado nas eleições de 2026
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade que a Lei Antifacção — sancionada em março de 2026 — não se aplica às eleições de outubro deste ano. O fundamento utilizado foi o artigo 16 da Constituição Federal, que determina que mudanças nas regras eleitorais precisam de pelo menos um ano de antecedência para entrar em vigor. A lei foi aprovada apenas sete meses antes do pleito. O resultado prático da decisão: presos provisórios — incluindo investigados por crime organizado ainda sem condenação definitiva — continuam podendo votar em outubro. A proibição, portanto, só valerá em 2028 ou 2030. A Lei Antifacção contém medidas importantes no combate ao crime organizado: amplia penas, tipifica novas condutas criminosas, endurece a concessão de benefícios, determina o envio de lideranças para presídios de segurança máxima e restringe indulto e liberdade condicional. Mas a parte que proibia o voto de presos provisórios chegou tarde demais para vigorar nas próximas eleições. No Brasil, o crime organizado já influencia eleições municipais de forma documentada em diversas regiões do país. O voto de centenas de presos provisórios ligados a facções criminosas pode ser direcionado por lideranças dentro e fora dos presídios. O crime organizado votará em outubro com as mesmas regras de 2022.
Lula subestimou Flávio e vai pagar o preço: os números são devastadores
O cenário é de derrota provável, não apenas de risco. A colunista Vera Magalhães, de O Globo, publicou nesta sexta-feira (24) o diagnóstico mais honesto até o momento vindo do campo progressista – os chamados militantes de redação – sobre a situação eleitoral de Lula: as pesquisas mostram risco concreto de derrota em outubro, o PT subestimou a capacidade de Bolsonaro de transferir votos mesmo após condenação e prisão, e as lideranças petistas ainda recaem em explicações insuficientes para o que aconteceu. Os números são devastadores. Na Quaest de 15 de abril, Lula caiu de 46% para 40% desde dezembro – enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 36% para 42%, ultrapassando o petista no segundo turno além da margem de erro. No Datafolha de abril, Lula empata com Flávio, Caiado e Zema no segundo turno – dentro da margem de erro de 2 pontos. No Paraná Pesquisas em São Paulo – o maior colégio eleitoral do país, decisivo em 2022 – Flávio lidera com 48,1% contra 40,3% de Lula. A desaprovação do governo chega a 52% na Quaest. O quadro é de derrota provável, não apenas de risco. A explicação mais recorrente no PT – “faltou comunicar corretamente o que fez” – é descartada pela própria Vera com precisão: mais de uma guinada de comunicação foi tentada sem mudança real de percepção. O problema não é de comunicação. É de produto. E o produto do terceiro mandato – dívida em rota para 96% do PIB, inflação acima do teto da meta, Selic em 14,75%, endividamento recorde das famílias, conta de luz subindo o dobro da inflação – não muda com nova agência de publicidade. O diagnóstico estrutural que o PT resiste em fazer é o que Vera coloca com coragem: houve opção deliberada por excluir os setores médios e moderados – justamente aqueles que votaram em Lula em 2022 como “mal menor” diante do desmonte bolsonarista. O discurso do “nós contra eles”, a narrativa BBB – bilionários, bets e banqueiros como vilões –, o 8 de Janeiro como eixo permanente de governo: tudo isso mobilizou a base petista mais ideológica e alienou sistematicamente o eleitor de centro que decide eleições no Brasil. O dado que mais perturbou o QG petista foi exatamente a transferência de votos de Bolsonaro mesmo preso e condenado. A aposta do governo era que a condenação judicial esvaziaria o bolsonarismo – e o resultado foi o oposto: Flávio emerge competitivo, com o pai transformado em mártir político por parcela expressiva do eleitorado. O PT conhecia essa lógica na própria pele – prender Lula em 2018 não acabou com o petismo – e ignorou a lição. Há debate aberto dentro do PT sobre substituir Lula como candidato. O próprio fato de esse debate existir é o sinal mais claro de que o “enredo manjado” que Vera descreve já chegou ao núcleo duro do partido. Mas substituir por quem, com que tempo e com que projeto é uma equação sem resposta. O que existe é o cansaço – e o cansaço, nas urnas de outubro, costuma ter consequências irreversíveis.