Lula subestimou Flávio e vai pagar o preço: os números são devastadores

O cenário é de derrota provável, não apenas de risco. A colunista Vera Magalhães, de O Globo, publicou nesta sexta-feira (24) o diagnóstico mais honesto até o momento vindo do campo progressista – os chamados militantes de redação – sobre a situação eleitoral de Lula: as pesquisas mostram risco concreto de derrota em outubro, o PT subestimou a capacidade de Bolsonaro de transferir votos mesmo após condenação e prisão, e as lideranças petistas ainda recaem em explicações insuficientes para o que aconteceu.

Os números são devastadores.

Na Quaest de 15 de abril, Lula caiu de 46% para 40% desde dezembro – enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 36% para 42%, ultrapassando o petista no segundo turno além da margem de erro.

No Datafolha de abril, Lula empata com Flávio, Caiado e Zema no segundo turno – dentro da margem de erro de 2 pontos.

No Paraná Pesquisas em São Paulo – o maior colégio eleitoral do país, decisivo em 2022 – Flávio lidera com 48,1% contra 40,3% de Lula.

A desaprovação do governo chega a 52% na Quaest. O quadro é de derrota provável, não apenas de risco.

A explicação mais recorrente no PT – “faltou comunicar corretamente o que fez” – é descartada pela própria Vera com precisão: mais de uma guinada de comunicação foi tentada sem mudança real de percepção. O problema não é de comunicação. É de produto. E o produto do terceiro mandato – dívida em rota para 96% do PIB, inflação acima do teto da meta, Selic em 14,75%, endividamento recorde das famílias, conta de luz subindo o dobro da inflação – não muda com nova agência de publicidade.

O diagnóstico estrutural que o PT resiste em fazer é o que Vera coloca com coragem: houve opção deliberada por excluir os setores médios e moderados – justamente aqueles que votaram em Lula em 2022 como “mal menor” diante do desmonte bolsonarista. O discurso do “nós contra eles”, a narrativa BBB – bilionários, bets e banqueiros como vilões –, o 8 de Janeiro como eixo permanente de governo: tudo isso mobilizou a base petista mais ideológica e alienou sistematicamente o eleitor de centro que decide eleições no Brasil.

O dado que mais perturbou o QG petista foi exatamente a transferência de votos de Bolsonaro mesmo preso e condenado. A aposta do governo era que a condenação judicial esvaziaria o bolsonarismo – e o resultado foi o oposto: Flávio emerge competitivo, com o pai transformado em mártir político por parcela expressiva do eleitorado. O PT conhecia essa lógica na própria pele – prender Lula em 2018 não acabou com o petismo – e ignorou a lição.

Há debate aberto dentro do PT sobre substituir Lula como candidato. O próprio fato de esse debate existir é o sinal mais claro de que o “enredo manjado” que Vera descreve já chegou ao núcleo duro do partido. Mas substituir por quem, com que tempo e com que projeto é uma equação sem resposta. O que existe é o cansaço – e o cansaço, nas urnas de outubro, costuma ter consequências irreversíveis.

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