O governo Lula divulgou nesta quinta-feira o primeiro decreto de programação orçamentária e financeira do ano, revelando que as empresas estatais federais devem fechar 2026 com um déficit primário estimado em R$ 1,074 bilhão — mesmo com as metas oficiais apontando para um rombo autorizado de até R$ 6,752 bilhões.
A projeção foi divulgada pelo Executivo com base nas estimativas de desempenho das estatais para o ano. Segundo o decreto, o cumprimento da meta fiscal prevista só será possível porque o governo excluiu certas despesas do cálculo do resultado primário, entre elas parcelas de até R$ 10 bilhões referentes ao plano de recuperação financeira dos Correios, afetados pela crise econômica na empresa.
Sem essa exclusão conveniente, o déficit acumulado das estatais chegaria a R$ 11,074 bilhões, segundo as projeções oficiais — mais de dez vezes o valor oficialmente declarado.
Ajustes contábeis e exclusões que “reduzem” o déficit
O texto orçamentário também exclui do cálculo dos resultados primários os gastos com o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estimados em R$ 4,234 bilhões para o ano. Esse artifício contábil permite que o déficit projetado fique abaixo da meta estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Segundo o governo, com todas essas regras de exclusão aplicadas, as estatais teriam um resultado primário positivo nos primeiros meses de 2026, com previsão de superávit de R$ 5,973 bilhões entre janeiro e abril e de R$ 8,139 bilhões até agosto, considerando os ajustes contábeis.
Na prática, trata-se de uma maquiagem fiscal: os rombos existem, mas são retirados da conta para fazer os números parecerem melhores do que realmente são.
Estatais com maiores resultados negativos
O decreto detalha ainda quais empresas devem registrar os maiores déficits no ano que vem. No topo da lista está a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), com rombo projetado de R$ 17,797 bilhões, seguida pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras), com déficit estimado em R$ 8,591 bilhões.
Outras empresas com desempenho financeiro negativo previsto incluem os Correios (com déficit significativo), a Infraero (R$ 4,360 bilhões), o Serpro (R$ 3,564 bilhões), a Autoridade Portuária de Santos (R$ 2,421 bilhões) e a Companhia de Docas do Pará (R$ 2,106 bilhões).
Esse é o retrato do fracasso da gestão petista nas empresas estatais: rombos bilionários escondidos por artifícios contábeis que apenas adiam o inevitável ajuste de contas com a realidade fiscal do país.
