Após quase um ano de paralisação, a Justiça argentina voltou a analisar, nesta semana, o caso envolvendo a morte de Diego Armando Maradona. Ícone do futebol mundial, o ex-jogador faleceu aos 60 anos, em novembro de 2020, enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral realizada semanas antes.
Sete profissionais de saúde que participaram diretamente do acompanhamento clínico do ex-atleta respondem por homicídio simples com dolo eventual — quando se assume o risco de provocar a morte. Caso sejam condenados, as penas podem variar entre oito e 25 anos de prisão.
Entre os acusados estão o médico Leopoldo Luciano Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, a coordenadora Nancy Edith Forlini, o gestor Mariano Ariel Perroni, o enfermeiro Ricardo Omar Almirón e o clínico Pedro Pablo Di Spagna, todos ligados à equipe responsável pelos cuidados de Maradona.
O reinício do julgamento foi necessário após a anulação das fases anteriores do processo, ocorrida em maio do ano passado. A decisão foi motivada pelo afastamento da juíza Julieta Makintach, que participou da produção de um documentário não autorizado sobre o caso, comprometendo a lisura do procedimento.
Com a retomada, todas as etapas serão refeitas. Testemunhas e envolvidos voltarão a apresentar depoimentos e provas ao Tribunal Oral en lo Criminal nº 7, localizado em San Isidro. O colegiado é formado pelos magistrados Alberto Gaig, Alberto Ortolani e Pablo Rolón.
Paralelamente, a enfermeira Dahiana Gisela Madrid será julgada separadamente por um júri popular, conforme solicitação de sua defesa. Até o momento, não há data definida para essa etapa específica.
O processo contará com o depoimento de 92 testemunhas, incluindo familiares, como as filhas do ex-jogador, além de pessoas próximas que acompanharam seus últimos dias.
De acordo com os autos, Maradona morreu em sua residência em decorrência de insuficiência cardíaca, durante o período de recuperação pós-cirúrgica. Por outro lado, os advogados dos réus contestam a acusação, sustentando que a equipe médica atuou de forma adequada ao longo do tratamento do campeão mundial de 1986.
