Um homem armado atacou turistas no sítio arqueológico de Teotihuacán, no centro do México, na segunda-feira (20). Uma turista canadense morreu no ataque. O atirador manteve cerca de 20 pessoas como reféns antes de cometer suicídio. Entre os reféns estavam os brasileiros Henrique Reis e Marina Beta, casal do Rio de Janeiro que realizava o último passeio das férias.
Cristóbal Castañeda, secretário de Segurança do Estado do México, informou que quatro pessoas foram atingidas por disparos. Dois colombianos, uma mulher russa e outra canadense sofreram ferimentos. Outras duas pessoas se machucaram em quedas durante o incidente. Teotihuacán fica a 50 quilômetros da Cidade do México. O local recebe passeios diários de turistas nacionais e estrangeiros.
Henrique e Marina fotografavam em um ponto intermediário da Pirâmide da Lua quando escutaram os primeiros disparos. O carioca relatou que inicialmente não se alarmaram com o som. A região possui acústica especial. “É comum que haja barulhos o tempo todo”, especialmente de guias e turistas experimentando essa característica do local.
Os visitantes começaram a correr. O casal tentou fazer o mesmo. Estavam mais afastados da escada, que possui inclinação acentuada. Não conseguiram descer antes de serem ameaçados pelo atirador. Cerca de 20 pessoas ficaram retidas naquele ponto da pirâmide.
“Por um tempo eu demorei para entender o que que era. Ele tinha uma bolsa. Eu achei que ele ia roubar a gente. Achei que era um ladrão e que ele ia pegar nossos pertences”, declarou Henrique.
Durante cerca de 15 minutos sob controle do homem armado, o atirador disparava em direção aos reféns. Alguns foram atingidos.
O atirador repetia frases desconexas. Xingava os turistas. Afirmava que eles não deveriam estar ali num local “que deveria ser sagrado”. Henrique detalhou que os tiros passavam voando por cima das pessoas. O homem também disparava alguns tiros para baixo, em direção à área da cidade arqueológica.
Henrique e Marina foram diretamente ameaçados durante os minutos sob poder do atirador. O brasileiro observou que o saco carregado pelo homem estava repleto de munições. Em determinado momento, o atirador exigiu que um dos reféns cortasse uma cerca de plástico que impede o acesso a pontos mais elevados da pirâmide.
O homem armado ordenou que Marina cortasse a estrutura. Arremessou uma faca no chão em sua direção. Prometeu liberá-la caso ela colaborasse. Marina seguiu as instruções do atirador. Foi autorizada a descer as escadas. Henrique revelou que seu maior medo naquele momento era que o homem atirasse pelas costas de sua namorada. Isso não aconteceu.
A polícia chegou ao local. O atirador começou a conversar com Henrique. Afirmou que o brasileiro o estava deixando nervoso. Henrique admitiu que a razão provavelmente era porque ele encarava o homem sem parar. O atirador escolheu Henrique para descer da pirâmide. Deveria transmitir uma mensagem aos policiais.
A missão de Henrique era avisar aos agentes que havia muitos reféns no topo da pirâmide. O objetivo era convencer os policiais a não subirem nem atirarem. O brasileiro cumpriu a ordem. Fez questão de deixar a mensagem clara. Devido à extensão do local, gritou do alto da pirâmide. Mesmo ao se aproximar dos policiais, manteve as mãos levantadas. Repetiu: “tem refém lá em cima. Tem muitos reféns”.
Henrique conseguiu deixar o local com Marina após ambos serem liberados pelo atirador. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestou-se sobre o ocorrido nas redes sociais.
“O que aconteceu hoje em Teotihuacán nos causa profunda tristeza. Expresso minha mais sincera solidariedade às pessoas afetadas e suas famílias. Estamos em contato com a embaixada canadense”, declarou a presidente.
As autoridades federais encontraram no local “uma arma de fogo, uma arma branca (faca) e munição”, conforme informou um comunicado do Gabinete de Segurança Federal. A área permanece sob proteção da polícia estadual e da Guarda Nacional.
