Como um delegado da Polícia Federal consegue bancar um aluguel de R$ 48 mil mensais em um apartamento luxuoso em Miami? A pergunta que não quer calar levanta suspeitas sobre quem realmente financiava essa operação: seria a própria PF esbanjando o dinheiro do contribuinte brasileiro?
Mais grave do que o aspecto financeiro é a forma como a Polícia Federal atuou em território americano. A conduta lembra práticas de polícia política, semelhantes às delegacias informais chinesas que foram desbaratadas nos Estados Unidos, mas que continuam operando em diversos países ao redor do mundo.
O governo americano expulsou o delegado, acusando-o formalmente de atuar de forma ilegal em solo dos Estados Unidos. Policiais estrangeiros, mesmo quando trabalham em colaboração com agências americanas, jamais podem atuar como investigadores ou, muito menos, promover prisões no território americano.
De acordo com o Departamento de Estado americano, o objetivo da operação foi manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos para contornar o pedido formal de extradição e estender uma “perseguição política” em território americano.
As autoridades americanas foram além e deixaram claro que tratam o ex-deputado Alexandre Ramagem como vítima dessa perseguição política no Brasil. Ou seja, os Estados Unidos estão reconhecendo novamente o estado de exceção instalado no país.
O regime de exceção no Brasil chegou a um ponto alarmante: o governo envia policiais para o exterior com o objetivo de perseguir exilados políticos. Nem mesmo o regime militar brasileiro adotava práticas dessa natureza.
Nesta manhã, em Hannover, na Alemanha, Lula dobrou a aposta. Ele anunciou que expulsará agentes americanos do Brasil, alegando “reciprocidade”.
Acontece que nenhum agente americano está operando em território brasileiro para perseguir eventuais opositores políticos. E a razão é simples: os Estados Unidos não são uma ditadura.
Leandro Ruschel.
