Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), vai solicitar sua remoção do Complexo Penitenciário da Papuda para as instalações da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O executivo foi preso no dia 16 de abril na quarta fase da Operação Compliance Zero. O pedido será direcionado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de viabilizar negociações para uma colaboração premiada.
A estratégia de defesa de Costa passou por reformulação completa após sua detenção.
A mudança na defesa de Costa segue o caminho adotado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Vorcaro estava na Penitenciária Federal de Brasília e conseguiu autorização do ministro Mendonça para transferência à Polícia Federal após indicar disposição para colaborar. O banqueiro também trocou sua equipe jurídica e contratou José Luiz Oliveira Lima, advogado especializado em acordos de colaboração premiada.
Os novos advogados de Costa argumentarão que as condições da Papuda são inadequadas para discussão e negociação de uma proposta de colaboração. A defesa solicitará que o ex-presidente do BRB receba tratamento equivalente ao concedido a Vorcaro. O objetivo é criar ambiente apropriado para as tratativas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal.
Um elemento adicional impulsiona o pedido de transferência: a gestão da Papuda pelo governo do Distrito Federal. A defesa de Costa considera que essa vinculação representa um problema. O ex-governador Ibaneis Rocha seria um dos principais nomes em uma eventual delação do ex-presidente do BRB.
Ibaneis deixou o governo distrital no final de março para concorrer ao Senado Federal. A vice-governadora Celina Leão assumiu o Palácio do Buriti. Apesar dos esforços de Leão para se distanciar do escândalo, a defesa de Costa considera que a conexão com a gestão anterior justifica a necessidade de remover o executivo da Papuda.
A urgência na negociação da delação tem razões estratégicas. Fontes próximas aos desdobramentos da investigação indicam que Costa precisa “passar à frente” de Vorcaro nas tratativas. Caso o proprietário do Master formalize seu acordo primeiro, a capacidade de Costa oferecer informações relevantes suficientes para obter uma colaboração premiada com a PF e a PGR ficará comprometida.
Um ponto que terá que ser tocado numa eventual delação é um certo encontro que Paulo Henrique Costa teve na mansão do banqueiro Daniel Vorcaro com uma poderosa autoridade.
