Um levantamento nacional do instituto Paraná Pesquisas indica que o petista Lula estaria tecnicamente empatado com dois possíveis adversários em cenários de segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. Os dados foram divulgados nesta quinta‑feira (29) e mostram disputas equilibradas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) e contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na simulação em que Lula enfrenta Flávio Bolsonaro, o atual presidente aparece com 44,8 % das intenções de voto, enquanto o senador soma 42,2 %. Nesse cenário, 8,3 % dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou nulo, e 4,7 % declararam ainda não saber em quem votar. Já no confronto hipotético entre Lula e Tarcísio de Freitas, o resultado também revela proximidade entre os dois nomes. O petista registra 43,9 % das preferências, ante 42,5 % do governador paulista. Nesse recorte, os votos em branco ou nulo chegam a 9,1 %, enquanto 4,6 % dos participantes não souberam responder. Os planos de Lula, aos poucos, vão sendo frustrados… Será uma eleição acirrada O estudo foi realizado com 2 080 eleitores de todas as regiões do país, entre os dias 25 e 28 de janeiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95 %. O levantamento está devidamente registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR‑08254/2026.
Moraes determina expulsão da família Caiado da comunidade quilombola de Antinha de Baixo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Justiça Federal assegure a retirada de integrantes da família Caiado da região conhecida como Antinha de Baixo, localizada em Santo Antônio do Descoberto, no entorno do Distrito Federal. A área é reivindicada como território quilombola pelos seus moradores. No despacho, Moraes ordena que a 1ª Vara Federal Cível e Criminal, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF‑1), adote medidas efetivas para garantir a segurança dos moradores da comunidade e o direito à posse das terras que ocupam, consideradas essenciais para sua reprodução física, social, econômica e cultural. O ministro menciona a presença de “pessoas estranhas à comunidade”, referência direta aos irmãos Murilo Caiado e Breno Caiado, além de funcionários ligados a ambos. Os dois são primos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Segundo a decisão, cabe à Justiça Federal assegurar, “pelos meios possíveis”, a ausência dessas pessoas na área, a fim de evitar riscos à integridade dos moradores da Antinha de Baixo. A determinação também estabelece que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) deverá informar, no prazo de 15 dias, se houve eventual descumprimento de ordens judiciais anteriores. Caso seja constatada desobediência, a própria 1ª Vara Federal Cível e Criminal poderá ser responsabilizada. Relatório do Incra embasa a decisão A decisão de Moraes tem como base um relatório produzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), elaborado após denúncias de que pessoas ligadas à família Caiado continuavam na região mesmo depois de decisões judiciais favoráveis à comunidade. O documento, assinado em 5 de janeiro, relata que uma casa teria sido demolida em 26 de dezembro de 2025, apesar de determinação do STF que proibia novas desapropriações no local. Segundo o Incra, os fatos configurariam “afronta direta à autoridade da Suprema Corte”. O relatório também descreve outras ações graves, como o soterramento de poços artesianos, comprometendo o acesso à água potável, a circulação frequente de homens armados e o uso de drones para vigilância e intimidação dos moradores. Fotos anexadas por servidores do órgão indicariam a presença de pessoas vinculadas aos Caiados na Antinha de Baixo. Diante do conjunto de indícios, o Incra solicitou ao STF a retirada imediata de Murilo e Breno Caiado e de seus funcionários, com o objetivo de preservar o território quilombola e suas referências históricas e culturais. O relatório afirma ainda que ao menos três casas de famílias, incluindo crianças e adolescentes com necessidades especiais, teriam sido demolidas. Também aponta que áreas já desapropriadas estariam sendo aradas e utilizadas para plantio, inclusive em locais cujos moradores não teriam sido formalmente retirados. Conforme o documento, a comunidade vive em clima de medo, receosa de novas demolições. Histórico do conflito judicial A disputa judicial envolvendo a Antinha de Baixo remonta a decisões do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) tomadas na década de 1990, que reconheceram três pessoas como herdeiras das terras: Luiz Soares de Araújo, Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss, tia do governador Ronaldo Caiado. Em julho de 2025, a Justiça estadual determinou o cumprimento dessas decisões e expediu mandados de desocupação de 32 imóveis da região. Com a repercussão do caso, moradores passaram a reivindicar o reconhecimento da área como território quilombola. Em agosto, após decisões do STF, da Justiça Federal de Anápolis e do próprio TJGO, as demolições foram suspensas para apuração da autodeclaração da comunidade. O Supremo assumiu a competência do caso, retirando do TJGO a possibilidade de novas ordens de despejo. Posteriormente, decisão do STF devolveu a posse integral das terras aos antigos moradores da Antinha de Baixo, afastando os herdeiros da família Caiado da área. O encaminhamento à Justiça Federal ocorreu após solicitação do Incra para que a Advocacia‑Geral da União (AGU) atuasse no processo, diante da alegação de que a comunidade ocupa o local há cerca de 400 anos. Outro lado O advogado Eduardo Caiado, que representa o espólio de Maria Paulina Boss, afirmou que não houve oportunidade de manifestação sobre o relatório do Incra, classificando‑o como baseado em “afirmações inverídicas”. Segundo ele, o documento descreve situações inexistentes e sem provas de exercício arbitrário da posse por parte dos proprietários. De acordo com o advogado, os herdeiros sempre atuaram dentro das decisões judiciais vigentes e aguardam uma solução consensual para um litígio que, segundo ele, se arrasta há mais de 80 anos, sem que tenha sido garantido o pleno exercício da posse das áreas que consideram de sua titularidade.
PM solicita a Moraes alteração na custódia de Bolsonaro, alegando sobrevivência
A Polícia Militar do Distrito Federal enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, um ofício solicitando alterações na rotina de custódia do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL‑RJ), atualmente detido no 19º Batalhão da corporação. O documento foi remetido nesta quarta‑feira, 28, e traz preocupações relativas à segurança e ao funcionamento interno da unidade. O ofício, assinado pela comandante‑geral da PMDF, coronel Ana Paula Barros Habka, classifica Bolsonaro como “custodiado sensível”. Entre as medidas pedidas estão a mudança do dia das visitas, que hoje ocorrem às quintas‑feiras, para os sábados; a autorização de caminhadas controladas; e a ampliação da assistência religiosa. A corporação afirma que tais providências não constituem privilégios, mas ações preventivas destinadas à preservação da integridade física do ex‑presidente e à segurança institucional. Para Carlos Bolsonaro, “não se trata apenas de um encaminhamento burocrático. Trata‑se de sobrevivência”. Bolsonaro não possui mais parede abdominal funcional em razão da facada sofrida em 2018. Após mais de oito cirurgias na região, a tela implantada já não consegue conter adequadamente os órgãos internos. As estruturas estão fragilizadas. O risco é permanente e iminente. Sem atividade física adequada, sem acompanhamento médico contínuo e sob estresse extremo, novas complicações são apenas uma questão de tempo. Bolsonaro é forte – sempre foi –, mas o corpo tem limites. Não há Photoshop ou IA. E esses limites estão sendo ultrapassados. Ele está, literalmente, explodindo por dentro. A missão confiada a ele em 2018 ainda não foi concluída. E há quem faça de tudo para que ela se conclua. Esse é apenas um entre dezenas de problemas de saúde enfrentados pelo presidente Jair Bolsonaro, preso político, submetido a um regime de cárcere que impõe propositais sofrimento físico e psicológico diário, por meio de métodos sofisticados de desgaste, tortura e isolamento e negação de condições mínimas de recuperação. Não é retórica. Não é exagero. É um fato.
Carlos Bolsonaro deixa a prisão e acusa perseguição ao pai
Carlos Bolsonaro acabou de deixar a prisão onde seu pai está detido e fez um desabafo: “Saio neste momento da Papuda, em Brasília. Estou exausto como nunca estive; não consigo expressar o quanto meu pai está cansado. Peço a todos boas energias, como sempre me enviaram. Só assim ele poderá se manter de pé.” A situação continua extremamente preocupante. A perseguição, que ele descreve como cruel, absurda e desumana, contra o ex‑presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, não tem fim. Segundo ele, tudo indica que um agravamento pode ocorrer em breve, com tentativas de silenciar o presidente e ocultar os acontecimentos de 2022. Contudo, para o que ele chama de “terror do sistema”, a verdade não será apagada. Ele afirma que tudo foi registrado no livro “O Fantasma do Alvorada – A Volta à Cena do Crime”, best‑seller no Brasil. O autor descreve a obra como um documento histórico que relata as supostas manobras do “sistema” para favorecer o ex‑presidiário Lula, bem como os episódios que desencadearam a perseguição contra Bolsonaro e as “tramoias” da esquerda: eleição, prisões, mídia, censura, perseguição, manipulação e outros. O próprio Jair Bolsonaro já conhece o livro:
Coronel Ustra e Capitão Martim seguem o exemplo de Nikolas e iniciam nova caminhada de Porto Alegre a Torres (Veja o vídeo)
O vereador Coronel Ustra (PL), de Porto Alegre, aderiu ao movimento nacional “Acorda, Brasil!” e participou, nesta quinta‑feira (29), da caminhada iniciada pelo deputado estadual Capitão Martim (Republicanos‑RS) entre Porto Alegre e Torres. A mobilização dá sequência a atos realizados em Brasília, que reuniram milhares de pessoas e foram inspirados pela caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG). A caminhada teve início às 7h, no Monumento ao Laçador, em Porto Alegre, com chegada prevista para a próxima segunda‑feira (2), em Torres. No encerramento do percurso, está prevista a passagem simbólica das bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Sul na divisa com Santa Catarina, quando os símbolos serão entregues ao deputado estadual Sargento Lima (PL‑SC), que dará continuidade ao movimento em direção ao Paraná. Veja o vídeo: O deputado Nikolas Ferreira conquistou o objetivo da caminhada… Fez o Brasil todo parar e olhar o apelo por justiça e liberdade dos presos políticos do país, entre eles o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Sua luta, a partir de hoje, será ainda maior… O “sistema” não vai descansar nas tentativas de silenciá‑lo.
EMPRESA DE VORCARO SELA MAIS DE R$ 300 MILHÕES EM CONTRATOS COM GOVERNO LULA
A Biomm, companhia de biotecnologia cujo principal acionista indireto é o banqueiro Daniel Vorcaro, firmou contratos que totalizam ao menos R$ 303,65 milhões com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de 2025. Os acordos destinam‑se ao fornecimento de insulina ao Ministério da Saúde, visando abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Informações divulgadas pela própria empresa, por meio de fatos relevantes, apontam a assinatura de, no mínimo, dois contratos de grande porte, ambos inseridos em parcerias de desenvolvimento produtivo com horizonte estimado de até dez anos. O primeiro foi celebrado em 30 de junho de 2025, com valor aproximado de R$ 142 milhões, para o fornecimento de insulina humana ao Ministério da Saúde, com vigência inicial de um ano. Nesse caso, a Biomm atua em parceria com a farmacêutica Wockhardt e com a Fundação Ezequiel Dias. O segundo acordo foi anunciado em 3 de novembro de 2025 e prevê um contrato inicial de cerca de R$ 131 milhões para a entrega de insulina glargina. Esse fornecimento integra uma parceria produtiva firmada entre a Biomm, a Gan&Lee Pharmaceuticals e a Bio‑Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Além desses dois contratos, o Ministério da Saúde publicou um termo adicional de compra com a Biomm para a aquisição de 2,01 milhões de doses de insulina glargina, no valor de R$ 30.650.480,80. O termo tem vigência de 12 meses a partir da assinatura, com possibilidade de prorrogação por até dez anos. A entrega das doses foi dividida em quatro lotes, com prazo máximo previsto até 15 de abril de 2026. Relação entre Lula e Vorcaro Em abril de 2024, o presidente Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm, localizada em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na ocasião, foi destacado que o principal acionista da empresa é o Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, que detém participação de 25,86 % por meio do Fundo Cartago. Apesar de ser o acionista majoritário, Vorcaro não compareceu à cerimônia. Lula encontrou‑se, porém, com outros sócios da companhia, entre eles Walfrido dos Mares Guia, detentor de 5,53 % das ações, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, com cerca de 8 % da empresa. Posteriormente, em 4 de dezembro de 2024, o presidente teve um encontro fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto. Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) indicam ainda que o fundador do Banco Master esteve no Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024, conforme dados divulgados pela mídia. Em 18 de novembro de 2024, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Em nota, a autoridade monetária afirmou que a medida foi adotada em razão da grave crise de liquidez do conglomerado, do comprometimento relevante da situação econômico‑financeira e de violações às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional.
PM do DF pede a Moraes mudanças na custódia de Bolsonaro por risco institucional
A Polícia Militar do Distrito Federal enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para alterar pontos da rotina de custódia do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL‑RJ), atualmente detido no 19º Batalhão da corporação. O ofício foi encaminhado nesta quarta‑feira, 28, e aponta preocupações relacionadas à segurança e ao funcionamento interno da unidade. No documento, assinado pela comandante‑geral da PMDF, coronel Ana Paula Barros Habka, Bolsonaro é classificado como “custodiado sensível”. A corporação solicita a mudança do dia de visitas, hoje concentradas às quintas‑feiras, para os sábados, além da autorização para caminhadas controladas e da ampliação da assistência religiosa. Segundo a PM, as medidas não representam privilégios, mas ações preventivas voltadas à preservação da integridade física do ex‑presidente e à segurança institucional. De acordo com a Polícia Militar, a transferência das visitas para o sábado se justifica pelo menor fluxo de pessoas na unidade nos fins de semana. Durante os dias úteis, especialmente às quintas‑feiras, o grande volume de servidores e atividades administrativas coincide com as visitas de outros detentos, o que, segundo o ofício, eleva os riscos. “Essa circunstância amplia de forma significativa os riscos à segurança institucional, dificulta a adequada segregação dos ambientes e compromete o controle rigoroso da circulação de pessoas no interior da unidade”, destacou a corporação. O documento também esclarece que a entrega de medicamentos a Bolsonaro segue os mesmos protocolos aplicados aos demais custodiados, sempre sob supervisão policial direta. Em determinadas situações, há apoio de presos do regime semiaberto, dentro das regras de remição de pena previstas na legislação. Outro ponto apresentado pela PMDF é a autorização para que o ex‑presidente realize caminhadas, conforme orientações médicas. As atividades físicas seriam feitas em áreas previamente definidas, como o campo de futebol ou a pista asfaltada nos fundos do batalhão, com escolta permanente e sem contato com outros presos. Por fim, a corporação solicita a ampliação da assistência religiosa, permitindo acompanhamento da Capelania nas vertentes católica e evangélica. A proposta, segundo a PMDF, respeita as normas internas e as rotinas de segurança da unidade, sem prejuízo ao funcionamento do batalhão.
Polícia Federal mira deputado Eduardo Velloso em operação de corrupção
A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta‑feira (29), uma operação destinada a apurar suspeitas de corrupção envolvendo o deputado federal Eduardo Velloso (União‑AC). A investigação concentra‑se em possíveis irregularidades na contratação de empresas para a realização de shows no município de Sena Madureira, interior do Acre, ocorridos em setembro de 2024. A ação foi autorizada pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como objetivo rastrear o percurso de recursos públicos que, em tese, deveriam ter sido empregados em atividades culturais e de lazer para a população local. No centro do inquérito está um suposto desvio de aproximadamente R$ 912 mil, provenientes das chamadas “Emendas Pix”. Esse tipo de emenda parlamentar permite a transferência direta de verbas da União para estados e municípios, sem a exigência de convênios detalhados ou prestação de contas prévia, modelo que tem sido alvo de críticas e questionamentos por órgãos de controle. De acordo com a Polícia Federal, os investigados podem ter praticado crimes como associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. As suspeitas incluem superfaturamento e até a possível simulação de serviços relacionados aos eventos realizados em Sena Madureira. Para avançar nas apurações, os agentes federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão, executados simultaneamente no Acre e no Distrito Federal. O objetivo foi recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam comprovar o uso irregular dos recursos públicos. Até o momento, o gabinete do deputado Eduardo Velloso não divulgou posicionamento oficial sobre a operação nem sobre as acusações que motivaram a investigação.
Ao vivo: Gleisi entrega Lula e expõe o Planalto (Veja o vídeo!)
Uma declaração da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, caiu como uma bomba política em Brasília e colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de mais uma controvérsia sensível. Ao afirmar que Lula tinha conhecimento prévio dos contratos firmados pelo ex‑ministro do STF Ricardo Lewandowski com o Banco Master, Gleisi realizou o que a oposição chama de “entrega política” do presidente. O que antes era tratado como assunto restrito à atuação de Lewandowski no setor privado passou, a partir da fala da dirigente petista, a atingir diretamente o Palácio do Planalto. Defesa que virou problema Segundo aliados, a intenção de Gleisi era simples: afastar suspeitas de irregularidade e demonstrar que não havia nada de oculto na relação entre Lewandowski e o banco. O efeito, porém, foi devastador do ponto de vista político. Ao assumir publicamente que Lula sabia dos contratos, a presidente do PT eliminou uma das linhas de defesa mais usuais em crises desse tipo: o desconhecimento do chefe do Executivo. Com isso, o presidente deixa de ser apenas espectador e passa a ser visto como alguém plenamente ciente das relações envolvendo um ex‑ministro do Supremo. O foco saiu de Lewandowski e caiu no colo de Lula Até a declaração, o debate girava em torno do comportamento de Lewandowski após deixar o STF e de sua relação com o mercado financeiro. Depois da fala de Gleisi, o centro da crise mudou completamente de endereço. Agora, a pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília não é mais “o que Lewandowski fez”, mas “por que Lula sabia e concordou”. Politicamente, isso amplia o desgaste do presidente e fornece munição para adversários que já criticam a proximidade entre governo, Judiciário e sistema financeiro. Desgaste político em plena tentativa de reaproximação com o centro O episódio ocorre em um momento delicado para o governo. Lula tenta reduzir a rejeição, reconstruir pontes com o centro político e sinalizar moderação. A fala de Gleisi, no entanto, empurra o presidente novamente para o centro de uma narrativa de aparelhamento e de relações cruzadas entre poder político e instituições. Não se trata, neste momento, de acusação jurídica formal. O problema é outro: imagem, narrativa e desgaste acumulado. A “entrega” que o Planalto não precisava Nos bastidores, a avaliação é que Gleisi falou além do necessário. Ao tentar blindar o partido, acabou retirando camadas de proteção do presidente. O resultado é um novo flanco aberto, num governo que já enfrenta dificuldades para controlar crises de comunicação e alinhamento interno. Para críticos, o episódio reforça uma percepção recorrente: o PT governa como se estivesse permanentemente em campanha, priorizando a militância em detrimento da estratégia institucional. Olhando para 2026 Isoladamente, o caso pode não derrubar o governo. Mas, somado a outros episódios, contribui para a construção de uma narrativa de desgaste contínuo em torno de Lula. Em política, a sucessão de pequenos ruídos costuma pesar mais do que um grande escândalo. E, desta vez, o ruído veio de dentro.
Esquerda em fúria: Gilmar Mendes reage à lei de Santa Catarina que elimina cotas nas universidades
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou uma lei que proíbe a adoção de cotas raciais e de políticas voltadas a minorias, como pessoas trans, nas universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do Estado, inclusive por meio de bolsas. A norma vale tanto para o ingresso de estudantes quanto para a contratação de professores, técnicos e demais profissionais, vedando reservas de vagas, ações afirmativas ou vagas suplementares baseadas em critérios de raça, identidade de gênero ou outras minorias. A legislação mantém apenas: cotas para pessoas com deficiência; critérios exclusivamente econômicos; reserva de vagas para estudantes que concluíram o ensino médio em escola pública. Embora não mencione explicitamente raça ou identidade de gênero, a lei restringe os critérios permitidos, o que, na prática, elimina essas políticas. A medida não se aplica a instituições federais, como a UFSC e os institutos federais. Instituições afetadas Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); instituições vinculadas à Acafe; faculdades privadas que recebem recursos dos programas Universidade Gratuita e Fumdesc. Penalidades previstas multa administrativa de R$ 100 mil; corte de repasses públicos; processo administrativo disciplinar contra agentes públicos responsáveis pelas normas dos certames. Como era de se esperar, a esquerda reagiu e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes determinou prazo de 48 horas para que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e o governo estadual se manifestem sobre a lei recém‑sancionada.