“Desconfio de todo idealista que lucra com seu ideal.” Millôr Fernandes. Que vergonha, Wagner! Ver você naquele palco americano ofendendo boa parcela dos habitantes deste país, enquanto atravessamos um momento histórico difícil, e ainda insistir nesta terra sem abandoná‑la para aventuras vaidosas em busca de reconhecimento e dinheiro, me enoja. Você pode ser o ator que quiser, receber os aplausos que desejar, atuar nos filmes que puder, sentir‑se no alto da montanha que tanto desejou escalar; não me importo. Cada um segue o seu destino, sua meta e sua vocação, tanto quanto quiser. O que você não pode, Wagner, é fazer militância explícita, escancarada, desavergonhada e mentirosa, disfarçando‑se de humanista preocupado com ditaduras e ditadores para ganhar fama, dinheiro e prestígio, manipulando fatos, história e vidas envolvidas. Essa atitude oportunista me leva a lançar aqui meu desagravo, meu desapreço e meu menosprezo a essa cena indecente. Você deveria pedir desculpas aos brasileiros que jamais poderão aplaudir um filme que trai, de forma desonrosa, milhões de compatriotas que vivem hoje em estado de angústia e tristeza, em um país que você já não habita, desconhecendo ou negando por completo o autoritarismo e a mais alta corrupção que imperam aqui. Você não tem o direito de sambar, literalmente, na cara desses brasileiros minutos depois de pronunciar um discurso militante, ideológico, afirmando que, entre 2018 e 2022, aqui imperou um governo fascista, mas que isso já se resolveu com a prisão daquele que, sinto lhe dizer, é um ser humano escandalosamente melhor que você e sua trupe, e que não merecia, sob nenhuma hipótese, ser exposto de maneira vexatória, rebaixando‑o moralmente num palco de premiação da arte do cinema, para que você e sua turma possam se elevar como grandes, dignos e bravos homens que lutam pela democracia no Brasil – democracia essa que, segundo sua militância cega, ainda existe. Bom mesmo é o seu camarada Lula, não, Wagner premiado? O “camarada” que concedeu R$ 7,5 milhões através da ANCINE, órgão federal ligado ao governo Lula, o mesmo que você tanto bajula, visita e conversa ao telefone em troca de elogios mútuos, reverenciando a causa ideológica comum que o leva a criticar a prisão de Maduro, mas silenciar o levante da população iraniana contra a ditadura dos aiatolás, a ditadura cubana e tantas outras formas de repressão à livre expressão. Esse é o personagem falso que você encarna. Lula foi um dos primeiros a ligar para lhe cumprimentar e agradecer o palco político que você transformou em prêmio, atacando o maior opositor do seu “camarada”, que certamente vibrou ao vê‑lo respaldar, em palco mundial, todas as “sandices” que ocorrem no Brasil, onde inocentes pagam por atos que não cometeram. Você anunciou ao mundo que o perigoso “fascista” Bolsonaro, que não liberou um centavo sequer para saciar seus desejos vaidosos de fama e dinheiro, está agora preso, fora de combate, para grande alegria da trupe que ratifica tudo aquilo que seu “camarada” Lula e seu sócio no Supremo praticam na busca incessante por poder. “Quem não te conhece, que te compre”, diz o ditado popular, mas os brasileiros que aqui estão sendo pisoteados pelos podres poderes sabem bem a dura verdade e não se iludem. Eu não te compro. Silvia Gabas. @silgabas
Irã tenta intimidar protestos ao executar manifestante amanhã
Erfan Soltani, manifestante de 26 anos preso na última quinta‑feira durante os protestos no Irã, será executado nesta quarta‑feira (14), conforme confirmação da Organização Hengaw para os Direitos Humanos. A família do jovem foi notificada sobre a execução, mas não recebeu informações sobre a data do julgamento nem sobre as acusações que lhe foram imputadas. Trata‑se da primeira execução oficial ligada às manifestações que se espalharam pelo país desde 28 de dezembro. As protestas já alcançaram mais de 100 cidades em todas as 31 províncias iranianas, provocando centenas de mortes. “Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente”, declarou Awyar Shekhi, representante da Hengaw. “O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo”. Na quinta‑feira passada, o governo iraniano impôs um bloqueio quase total da internet, dificultando a comunicação e a verificação independente das informações. Apesar das restrições, iranianos conseguiram contatar parentes no exterior e relatar a situação em diversas localidades. Um morador de Rasht, cidade na costa do Mar Cáspio, disse à BBC: “Tudo está queimado pelo fogo”. Segundo ele, a cidade ficou irreconhecível após confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Os números de vítimas variam consideravelmente. Contagens mais conservadoras apontam cerca de 650 mortos durante os protestos. Uma fonte do governo iraniano, que falou anonimamente à Reuters nesta terça‑feira (12), mencionou um total de 2 mil mortes. A Iran Human Rights, organização sediada na Noruega, divulgou ontem estimativas mais graves: o número de mortos poderia chegar a 6 mil pessoas, com aproximadamente 10 mil manifestantes detidos. A entidade trabalha para confirmar casos individuais, apesar das severas restrições de comunicação. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais, apesar do bloqueio, mostram multidões nas ruas, prédios públicos em chamas e corpos em sacos mortuários do lado de fora de hospitais em diversas cidades. As manifestações, que começaram como protestos contra problemas econômicos no final de 2025, transformaram‑se em um movimento amplo de contestação ao regime teocrático estabelecido após a Revolução Islâmica de 1979. Analistas consideram essa onda de protestos um dos maiores desafios enfrentados pelo governo iraniano nas últimas décadas.
Lula abandona criação do Ministério da Segurança e cogita enterrar a PEC
Lula da Silva desistiu, segundo aliados, de dividir o Ministério da Justiça e criar uma pasta dedicada à segurança pública. Após a saída do ministro Ricardo Lewandowski, na semana passada, auxiliares chegaram a cogitar a hipótese, uma promessa do petista, mas essa reorganização não deve ser operada até o fim do mandato. Com dificuldades de articulação no Congresso, governistas já admitem, inclusive, a possibilidade de sepultar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que seria a principal vitrine do Executivo para responder às críticas de adversários. A criação do Ministério da Segurança passou a ser considerada uma armadilha para Lula em ano eleitoral. Auxiliares do petista argumentam que seria complexo definir as atribuições da pasta sem a aprovação da PEC, que daria mais poderes para o governo federal. Na realidade, o governo está totalmente perdido. Sem rumo, sem comando e com muita gente faturando em escabrosos esquemas de corrupção.
PF aponta propina do “Careca” do INSS a ex-assessor suspeito do senador Weverton Rocha
A Polícia Federal informou que identificou diálogos que tratam da entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT‑MA) por meio do telefone celular do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca” do INSS. Essas conversas foram encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que decretou a prisão preventiva do ex-assessor Gustavo Gaspar. A prisão foi cumprida em dezembro, na fase final da Operação Sem Desconto. Gaspar havia sido nomeado por Weverton como assistente parlamentar sênior na liderança do PDT no Senado, quando o senador exercia a chefia da bancada. O assessor ocupou o cargo entre 2019 e 2023, período em que foi exonerado. Procurado, o senador nega as acusações. Weverton citou o parecer da Procuradoria‑Geral da República (PGR) apresentado sobre a representação da PF, que apontou que o panorama em relação a ele “é assentado em inferências ainda não consolidadas” e que o recebimento de dinheiro por assessores não responsabiliza diretamente o senador. A PF, porém, afirma que Weverton Rocha atuava como o “sustentáculo” político do “Careca” do INSS no esquema de desvios, razão pela qual seus assessores recebiam pagamentos de propina. Outros diálogos revelam funcionários do empresário chamando o senador de “parceiro”.
Casa Branca revela que Trump acompanhou minuto a minuto a operação que capturou Maduro
A Casa Branca divulgou, no último final de semana, imagens mostrando o presidente Donald Trump monitorando, minuto a minuto, a operação “Resolução Absoluta”, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Nas fotografias, Trump aparece ao lado de seus principais assessores militares, acompanhando o avanço da missão, considerada uma das mais complexas realizadas na região nos últimos anos. O chefe do Estado‑Maior Conjunto, Dan Caine, explicou que a operação foi fruto de meses de planejamento e ensaios. Segundo ele, a ação foi discreta, precisa e executada durante a madrugada de 3 de janeiro, com mais de 150 aeronaves envolvidas — entre elas caças F‑35, F‑22 e F‑18, bombardeiros B‑1 e aviões E‑2 de alerta antecipado. O objetivo era inserir uma força de interdição no centro de Caracas, mantendo o fator surpresa. Enquanto a unidade de elite avançava para capturar Maduro, o Componente Aéreo Conjunto neutralizou os sistemas de defesa aérea venezuelanos. Caine afirmou que armamentos específicos foram empregados para garantir a passagem segura dos helicópteros. A chegada ao complexo onde Maduro se encontrava ocorreu às 2h01, horário local, e as equipes isolaram rapidamente a área para proteger o avanço terrestre. Trump confirmou que um helicóptero foi danificado e que dois militares ficaram feridos, mas destacou que não houve mortes e que a aeronave retornou à base. As imagens publicadas no X demonstram o acompanhamento direto da Casa Branca sobre a missão. Trump elogiou as forças envolvidas: “Foi uma operação extraordinária. Maduro foi capturado com sucesso no meio da noite.” Segundo o presidente, as luzes de Caracas foram desligadas para dificultar reações. Maduro e Cilia Flores agora “enfrentarão a Justiça dos Estados Unidos”, acusados em Nova York por envolvimento com narcotráfico. Trump descreveu o local da captura como “fortaleza militar no coração de Caracas” e concluiu: “Somos novamente um país respeitado.” Veja as imagens:
Sigilo criminal: o governo esconde gastos públicos
Em uma democracia, o povo detém o poder e é dono das riquezas que sustentam a máquina governamental, incluindo o pagamento de serviços públicos, privilégios, regalias e, inevitavelmente, a corrupção. No Brasil, os gastos do governo são protegidos por sigilo. Se os governantes aplicassem corretamente o dinheiro da população, seria esperado ao menos a divulgação do montante, a justificativa dos gastos e o destino dos recursos. A maioria dos cidadãos desconhece as somas empregues na manutenção da máquina pública e da “roubalheira”, pois esses valores permanecem ocultos, em clara contradição com a transparência financeira indispensável a um governo que realmente defenda o povo. Decretar sigilo nos gastos públicos com o argumento de evitar que irregularidades venham à tona configura crime. Segundo Oscar Arias, ex‑presidente da Costa Rica, “O sigilo é uma forma de corrupção, mesmo quando não serve para dissimular enriquecimento ilícito de membros do governo. Considero corrupta a atitude de governos que abusam do poder mantendo a população na ignorância quanto ao destino do dinheiro público.” Sem informações detalhadas sobre a aplicação dos recursos, cidadãos e seus representantes não podem analisar se os gastos são compatíveis com as necessidades coletivas. O sigilo protege a despesa e impede a transparência na utilização dos recursos públicos. Ainda em campanha, o presidente Lula da Silva prometeu acabar com os sigilos de 100 anos impostos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em, no mínimo, 65 casos, entre eles as visitas recebidas pela primeira‑dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada. O “revogaço” dos sigilos foi anunciado em diversos discursos e em entrevista a uma rádio no interior de São Paulo. “É uma coisa que nós vamos ter que fazer: um decreto, um revogaço desse sigilo que o Bolsonaro está criando para defender os seus amigos”, afirmou Lula, alegando defender a transparência no setor público, princípio constitucional e democrático fundamental para garantir melhor controle dos gastos e aprimorar a aplicação do dinheiro público por meio do controle social. Nada disso se concretizou. Pelo contrário, a atitude de Lula acabou por encobrir os excessos de seu governo, inclusive os gastos pessoais do presidente e da primeira‑dama, conforme noticiado pela imprensa. O aumento do número de informações classificadas como sigilosas, em contraste com as promessas de campanha de transparência, ficou evidente nas medidas adotadas para manter o sigilo sobre a despesa desenfreada. Durante a campanha de 2022, Lula criticou duramente Bolsonaro por impor sigilos nos gastos da administração pública. Contudo, dados da Controladoria‑Geral da União (CGU) indicam que o volume de sigilos decretados no início da gestão lulista foi semelhante, senão superior. A Lei de Acesso à Informação (LAI) permite impor sigilo de até 100 anos a informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem dos governantes, o que tem sido usado para proteger despesas indiscriminadas de qualquer governo. Entre os casos que receberam esse tipo de sigilo estão a lista de visitantes da primeira‑dama Janja da Silva, a ficha funcional de um militar envolvido nos eventos de 8 de janeiro e telegramas diplomáticos sobre assuntos de repercussão. O governo justificou o uso do sigilo de 100 anos com base na proteção de dados pessoais, mas, na prática, a medida tem sido empregada para esconder informações de interesse público, como o sigilo sobre o aluguel do barco usado pela comitiva presidencial na COP30. Em algumas situações, a justificativa recai sobre segurança nacional. Segundo a imprensa, a Procuradoria‑Geral da República (PGR) manteve, por meses, paralisada uma investigação sobre a legalidade dos sigilos decretados pelo governo Lula. Paralelamente, o número de operações especiais de combate à corrupção da CGU despencou em comparação com a gestão anterior. Não há dúvida de que o sigilo protege a corrupção. A falta de transparência, quando informações financeiras e decisões governamentais permanecem em segredo, dificulta que jornalistas, auditores e cidadãos identifiquem desvios na aplicação do dinheiro público. O sigilo, ao ocultar a real titularidade dos bens públicos, complica o rastreamento de recursos aplicados em atividades ilícitas. Suborno e lavagem de dinheiro também se beneficiam da ausência de acesso a registros e dados, tornando quase impossível responsabilizar alguém por atos de corrupção. O sigilo envolvendo o Banco Master é total, reforçando a afirmação de que o sigilo constitui crime ao proteger a corrupção.
Otto Baumgart, herdeiro do Grupo Baumgart, morre de câncer aos 45
Neto do fundador do Grupo Baumgart, conglomerado proprietário dos shoppings Center Norte e Lar Center, o empresário Otto Baumgart faleceu de câncer neste domingo (11). Ele deixa a esposa e três filhos. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2002, Otto também concluiu formação internacional e executiva na Harvard Business School. No Grupo Baumgart, ele exercia a função de conselheiro de administração e integrava os comitês de Pessoas, Cultura e Governança e de Finanças, Auditoria e Riscos. O grupo, fundado em 1936 por seu avô, também chamado Otto Baumgart, é um conglomerado multiempresarial de capital privado. Integrante da terceira geração da família fundadora da holding, o neto tinha 45 anos. Em nota, a Cidade Center Norte, que reúne as empresas do grupo, lamentou a morte do empresário. “Sua visão empreendedora e contribuição para o desenvolvimento da Zona Norte de São Paulo deixam um legado de valores e dedicação, que seguirá presente na história do Grupo Baumgart. Expressamos nossa solidariedade e sinceras condolências aos familiares e amigos neste momento de luto”.
Chegamos à fase em que os ‘ratos’ começam a se devorar
Finalmente Xerxes percebeu que Lula pode estar fingindo ser aliado enquanto age contra. O Supremo Tribunal Federal quer averiguar se o Coaf e a Receita Federal vazaram dados de magistrados e se há indícios de que a Polícia Federal tenha facilitado esse vazamento. Estamos na fase em que os “ratos” começam a se devorar. Se a eleição para o Senado transcorrer como esperado e Flávio mantiver boa colocação nas pesquisas, a troca de ciclo será inevitável. O problema permanece: lidar com um país em crise no pós‑PT.
Advogado acusa novo inquérito de Moraes como ilegal, inconstitucional e com desvio de finalidade
A imprensa divulgou nesta terça‑feira (13) que o ministro Alexandre de Moraes pretende abrir um inquérito para apurar possível quebra de sigilo fiscal de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Sobre o caso, vale considerar a opinião do advogado Enio Viterbo. “Seria um inquérito completamente ilegal e com evidente desvio de finalidade. Só que não seria a primeira vez que Moraes faz isso. Ele fez coisa muito parecida, lá em 2019, quando afastou servidores da Receita Federal por terem, supostamente, investigado ministros do STF e vazado os resultados dessa investigação, além de também ter suspendido uma investigação da Receita contra Gilmar Mendes. A competência do STF tem uma nova característica: ela é pessoal. Moraes instaurou um tempo em que o STF pode investigar tudo e todos que desagradarem os ministros. Um ex‑assessor vazou suas irregularidades? Inquérito. A imprensa está noticiando fatos constrangedores para o ministro? Inquérito. As redes sociais foram contra um projeto de lei que Moraes apoiava? Inquérito. Um deputado federal falou alguma coisa que desagradou o ministro? Inquérito. A Receita/COAF pode ter investigado movimentação financeira de ministro do STF? Inquérito. É uma vergonha o que o Supremo Tribunal Federal se tornou por conta desse senhor e de advogados progressistas que têm medo de criticar o que está acontecendo.”
Lula decide o futuro do espião russo Cherkasov
A decisão sobre a extradição do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, detido no Brasil desde 2022, passará agora pelo crivo do presidente Lula. O desfecho ocorre depois que o Ministério Público Federal (MPF) não identificou impedimentos legais ao pedido apresentado pelo Kremlin para o envio do acusado de volta à Rússia. Cherkasov foi preso no fim de 2022, período em que vivia no Brasil sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira. Após análise do caso, o MPF optou por arquivar o inquérito que investigava uma possível atuação de espionagem em território brasileiro, alegando ausência de provas concretas de que o russo tenha exercido esse tipo de atividade no país. Com isso, a extradição, que dependia do encerramento dessa apuração, avançou para a fase final. Ao autorizar o prosseguimento do processo, o juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 15ª Vara Federal, solicitou manifestação do MPF, que preferiu não apresentar objeções formais durante o trâmite. Apesar do aval da Justiça Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), que condicionou o andamento do caso ao término das investigações, a palavra final sobre a entrega do estrangeiro cabe exclusivamente ao chefe do Executivo. Por determinação judicial, o governo brasileiro já iniciou os preparativos logísticos para a extradição, sob responsabilidade do Ministério da Justiça. Atualmente, Cherkasov permanece custodiado no presídio federal de Brasília, onde aguarda a decisão presidencial. As investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram que o russo recebia recursos financeiros de integrantes do corpo diplomático da Rússia no Brasil. Ele também havia sido identificado anteriormente ao tentar ingressar no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, utilizando documentos falsos, o que reforçou as suspeitas sobre sua atuação internacional. A partir da quebra de sigilo bancário e da análise de dados encontrados no celular do investigado, surgiram indícios de possível lavagem de dinheiro. Os documentos mostram como Sergey recebia valores de funcionários do governo russo no Brasil e mantinha comunicação com superiores. Para o MPF, esses elementos sugerem a existência de um esquema mais amplo. Segundo o órgão, a atuação de diplomatas russos no financiamento do investigado indica um “possível grupo criminoso estruturado, com suposta participação de cônsules russos, a partir do Rio de Janeiro, voltado à criação e manutenção de falsos documentos para que seus integrantes pudessem migrar para outros países a partir de contextos que não levantem suspeitas às autoridades estrangeiras”. “Pelo que se constata das investigações, Sergey Vladimirovich Cherkasov, ao que parece, é tão somente um agente entre possíveis outros”, registrou o órgão. Como a atuação dos diplomatas citados se concentrou no Rio de Janeiro, a parte da apuração relacionada à lavagem de dinheiro foi encaminhada à Procuradoria da República no estado. As investigações bancárias apontaram que Cherkasov recebeu aproximadamente R$ 90 mil por meio de depósitos fracionados, sempre em valores inferiores a R$ 2 mil, o que levantou suspeitas de tentativa de ocultar a origem dos recursos. Para identificar os responsáveis pelos depósitos, a Polícia Federal solicitou imagens das câmeras de segurança das agências bancárias. De acordo com o MPF, as imagens do dia 7 de fevereiro de 2022 indicam que os depósitos foram feitos por Ivan Chetverikov e, possivelmente, por Aleksei Matveev, ambos funcionários consulares russos no Brasil. Essas informações reforçam a complexidade do caso, que agora aguarda a decisão final do presidente da República.