O homem que encontrou o passaporte de Eliza Samudio em um apartamento em Portugal concedeu entrevista ao portal LeoDias, afirmando que prefere não revelar a identidade da proprietária do imóvel onde o documento foi localizado. Identificado apenas como José, ele lançou a pergunta que considera central para o esclarecimento do caso: “Quem seria capaz de entrar no país com o passaporte de uma pessoa que está morta?”. José alertou que conclusões precipitadas podem ser injustas e prejudicar terceiros, defendendo que a investigação seja conduzida exclusivamente pelas autoridades. “Eu prefiro não falar nada, deixar para as autoridades investigarem para não ser injusto com ninguém. Posso estar falando alguma coisa que possa prejudicar alguém que não tem nada a ver. Prefiro que investiguem de fato como esse passaporte foi parar naquela casa, não posso afirmar nada”. Ele também demonstrou preocupação com o impacto da notícia sobre a família de Eliza, citando a mãe, Sonia Moura, e o filho, Bruninho. José lembrou que Luiz Henrique Romão (Macarrão), Marcos Aparecido dos Santos (Bola), Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno, e o ex‑goleiro Bruno Souza já confessaram envolvimento direto ou conhecimento do sequestro e da morte da jovem, embora ainda circulem teorias que sugerem que Eliza poderia estar viva. Na avaliação de José, o uso de um passaporte de pessoa oficialmente declarada morta levantaria suspeitas graves. “No meu ponto de vista, sabendo que eu não teria coragem de entrar [em outro país] com o passaporte de alguém que morreu… Acredito que outra pessoa também não [entraria com o documento], a não ser que esteja envolvida nesse crime. (…) Não é possível que alguém vá entrar em Portugal com o passaporte de uma pessoa que sofreu um homicídio tão grande, no Brasil e no mundo, de um homicídio tão grave”.
Passaporte de Eliza Samudio encontrado em Portugal pode reabrir o caso que chocou o país (Veja o vídeo)
Uma reviravolta pode ocorrer em um dos crimes mais conhecidos do país. Um passaporte antigo de Eliza Samudio, considerado desaparecido há anos, foi encontrado abandonado em um apartamento alugado em Portugal. De acordo com fontes oficiais, o documento é autêntico e corresponde ao único passaporte emitido em nome de Eliza Samudio. Não há registro de solicitação ou de emissão de segunda via. O passaporte foi expedido em 9 de maio de 2006 e tem validade até 8 de maio de 2011. Na internet, já circulam discussões sobre a possibilidade de reabrir o caso. Em nota, o Consulado‑Geral do Brasil em Lisboa informou: “O Consulado‑Geral do Brasil em Lisboa já fez uma comunicação oficial ao Itamaraty, em Brasília, informando que o passaporte foi encontrado e entregue ao consulado. Neste momento, aguardamos instruções sobre os próximos passos relativos ao documento. De nossa parte, como a questão não é de competência do consulado, não podemos prever o que ocorrerá a seguir. O consulado apenas receberá orientações de Brasília e cumprirá o que for determinado. Aproveito para esclarecer que o consulado e a embaixada são duas unidades independentes aqui em Lisboa; o consulado não faz parte da embaixada.” Confira:
Passaporte de Eliza Samudio é encontrado em apartamento alugado em Portugal (veja o vídeo)
Um passaporte antigo de Eliza Samudio, considerado desaparecido há anos, foi localizado abandonado em um apartamento alugado em Portugal. A descoberta, divulgada nesta segunda‑feira, possibilitou a verificação detalhada do estado do documento após contato direto com o homem que o encontrou, identificado apenas como José. Segundo apuração do portal LeoDias, em conjunto com fontes oficiais, o passaporte é autêntico e corresponde ao único documento emitido em nome de Eliza Samudio. Não há registro de solicitação ou emissão de segunda via. O passaporte foi expedido em 9 de maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011. A análise do material revelou que as 32 páginas estão preservadas, sem rasgos ou avarias. O documento mantém todos os requisitos formais, como número de identificação e assinatura do diretor responsável. Consta apenas um carimbo de entrada em país estrangeiro, datado de 5 de maio de 2007, em Portugal, sem registro de saída ou de novas entradas posteriores. Na época dos fatos, Eliza Samudio declarou em entrevistas que havia viajado para Portugal e Alemanha. Ela também afirmou ter se relacionado com Cristiano Ronaldo e que os dois ainda trocavam mensagens pelo MSG, aplicativo usado naquele período. A reportagem acompanhou José até o Consulado‑Geral do Brasil em Lisboa, onde o passaporte foi oficialmente entregue às autoridades brasileiras. Em nota, o órgão informou: “O Consulado‑Geral do Brasil em Lisboa já fez uma comunicação oficial ao Itamaraty em Brasília informando que o passaporte foi encontrado e entregue ao consulado. Neste momento estamos aguardando instruções sobre quais são os próximos passos com relação ao documento. De nossa parte, como não se trata de matéria de competência do Consulado, não sei lhe informar sobre o que vai ocorrer a partir de agora. O consulado vai apenas receber instruções de Brasília e cumprir o que for determinado. Aproveito para também esclarecer que o consulado e a embaixada são dois postos independentes aqui em Lisboa, o consulado não é parte da embaixada”. Confira:
Ao vivo: Foro de São Paulo em ruínas e Lula no seu pior momento (Veja o vídeo)
O Jornal do JCO apresenta uma live com análises contundentes sobre os acontecimentos que têm agitado o cenário internacional e nacional. Em operação que lembra filme de Hollywood, o governo Trump capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, acusados de narcoterrorismo. Na primeira audiência, Maduro declarou‑se inocente, alegando ser “prisioneiro de guerra”. E Lula? O ex‑presidente demonstra receio? Há suspeita de que Maduro possa revelar informações? Vale lembrar que Hugo Carvajal está preso nos Estados Unidos e conhece detalhes comprometedores de líderes sul‑americanos. No Brasil, a oposição postergou para fevereiro o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, relacionado ao escândalo do Banco Master, mas continua a reunir assinaturas para a criação de uma CPMI que investigará o caso, considerado mancha na história do país. Para discutir esses temas, o Jornal do JCO recebeu o professor Marcos Pizzolatto, o advogado Claudio Caivano e o jornalista Diogo Forjaz. A transmissão traz análise sem censura, opiniões firmes e revelações. Assista agora, compartilhe e apoie o trabalho independente do Jornal da Cidade Online. Veja o vídeo!
URGENTE: MADURO DECLARA INOCÊNCIA EM AUDIÊNCIA EM MANHATTAN
Durante audiência realizada nesta segunda‑feira (5/1) em um tribunal de Manhattan, Nova Iorque, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, finalmente se manifestou. Ele declarou‑se inocente das acusações que lhe são imputadas pela Justiça norte‑americana e, diante do juiz responsável, o líder chavista rejeitou todas as imputações apresentadas. “Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, disse Maduro ao magistrado. Em sua manifestação, afirmou ainda ser um homem decente e descreveu sua situação como a de um “presidente sequestrado”. A sessão contou com a presença de Cilia Flores, esposa de Maduro, que acompanhou o marido durante toda a audiência e também se declarou “completamente inocente” das acusações formuladas pelas autoridades dos Estados Unidos. No decorrer do ato processual, o juiz Alvin K. Hellerstein informou ao casal que ambos têm o direito de solicitar contato com o consulado da Venezuela. Maduro demonstrou interesse em receber a visita consular; Flores, igualmente, pediu que o encontro fosse providenciado. A defesa de Cilia Flores comunicou ao juiz que, neste momento, ela não pretende solicitar liberdade sob fiança, embora indique que esse pedido poderá ser apresentado em fase posterior do processo. De forma semelhante, a equipe jurídica de Nicolás Maduro afirmou que o venezuelano também não busca, por ora, a concessão de liberdade provisória. Ol Olivo
Escândalo do Banco Master pode derrubar Moraes, revela revista
Ulysses Guimarães, um dos grandes políticos da história do Brasil, já dizia: “Política é nuvem”. Hoje, a frase parece ganhar ainda mais sentido. Em uma reviravolta surpreendente nos acontecimentos políticos brasileiros, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que antes era celebrado pela imprensa tradicional como um firme defensor da democracia, agora se vê isolado e criticado pelos mesmos veículos que o enalteciam. O centro dessa mudança é o escândalo envolvendo o Banco Master, instituição financeira que entrou em colapso em meio a denúncias de fraudes bilionárias. A grande mídia, que anteriormente aplaudia as decisões enérgicas de Moraes contra supostas ameaças à ordem institucional, parece ter “soltado a mão” do jurista, suscitando dúvidas sobre quem está por trás dessa alteração de tom e se isso indica o fim de seu amplo poder. Todos os detalhes sobre a “queda” que se avizinha estão na mais nova edição da Revista A Verdade. Para acessar, clique no link abaixo: https://assinante.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/77690/a-queda-como-o-escandalo-do-banco-master-pode-derrubar-alexandre-de-moraes Veja a capa:
Humorista pede morte de Nikolas Ferreira à la Charlie Kirk e Polícia Legislativa inicia investigação
A Polícia Legislativa Federal (PLF) abriu investigação para apurar a conduta do humorista Thiago Santineli depois que ele publicou, na rede social X (antigo Twitter), um pedido para “desligarem” o deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG). O humorista fez a solicitação comparando o caso ao assassinato de Charlie Kirk, ocorrido nos Estados Unidos. Na postagem, Santineli mencionou o assassinato de Charlie Kirk, ocorrido em setembro de 2025, e sugeriu que algo semelhante fosse feito com o parlamentar brasileiro. O texto completo foi: Alguém desliga o Nikolas por favor. Pode ser igual desligaram o Charlie Kirk, não importa. A gente não pode ficar pagando 60K [R$ 60 mil] pra um filho da puta desse que pede para um país estrangeiro invadir o próprio país que ele é pago para representar. A reação foi imediata. O deputado Nikolas Ferreira respondeu à publicação com a frase “vem me pegar”, ampliando a visibilidade do episódio nas redes. Diante do conteúdo e do contexto da mensagem, a PLF decidiu instaurar procedimento investigatório para apurar possível incitação à violência ou prática de crime contra autoridade pública. Em paralelo, a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) manifestou protesto contra a censura promovida pelo ministro Alexandre de Moraes ao livro “Diário da cadeia”. Moraes alegou que a obra induz o público ao erro ao criar a falsa impressão de que o ex‑parlamentar Eduardo Cunha seria o autor do livro. A censura permanece há quase um ano, gerando dúvidas sobre os reais motivos da restrição. Outros títulos também parecem estar na mira da censão. Entre eles, “Perdeu, Mané” e “Supremo Silêncio”, obras que tratam da censura e de acontecimentos controversos no Supremo Tribunal Federal.
TCU ameaça o Banco Central: uma das maiores arbitrariedades da história
O Tribunal de Contas da União decidiu realizar, nesta segunda‑feira, 5, uma inspeção direta no Banco Central para examinar documentos e procedimentos ligados à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro. A iniciativa busca esclarecer se o processo conduzido pela autoridade monetária seguiu critérios técnicos adequados e se houve risco de dilapidação do patrimônio da instituição controlada por Daniel Vorcaro. O relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, avalia inclusive a adoção de medida cautelar, caso identifique prejuízos à apuração ou danos de difícil reversão. No entendimento do ministro, uma análise aprofundada é indispensável para aferir a “regularidade do processo decisório” adotado pelo BC. A inspeção tem como finalidade reconstituir o “caminho das decisões”, verificando se elas foram devidamente fundamentadas, coerentes e proporcionais às circunstâncias. A eventual adoção de providências cautelares permanece em estudo, especialmente se atos praticados durante a liquidação comprometerem a coleta de provas ou produzirem “danos irreversíveis”. Segundo Jhonatan de Jesus, o papel do TCU não é substituir o juízo técnico do Banco Central, mas assegurar que os procedimentos observem padrões mínimos de governança, transparência e motivação. “É inerente ao regime de liquidação extrajudicial a prática de atos com potencial de difícil reversão, notadamente os relacionados à alienação, oneração, transferência ou desmobilização de ativos relevantes”, disse o ministro. “A consumação de atos estruturais de disposição patrimonial pode reduzir a utilidade de eventual pronunciamento final do Tribunal no mérito, caso se identifiquem falhas relevantes no processo decisório ou no tratamento de alternativas.” Para o deputado Carlos Jordy, “estamos diante de uma das maiores arbitrariedades e interferências da história”. Ele acrescentou: “O TCU não é regulador bancário, não define política monetária nem supervisiona instituições financeiras. Há algo muito suspeito nisso tudo. O Brasil caminha para ser um país de enorme insegurança jurídica e sem previsibilidade alguma. A CPMI do Banco Master é imprescindível!” A Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) se revoltou com a censura imposta por Alexandre de Moraes ao livro “Diário da cadeia”. O ministro alegou que a obra induz o público ao erro ao criar a falsa impressão de que Eduardo Cunha seria o autor, embora a censura perdure há quase um ano. Outros títulos parecem estar na mira da censura, como “Perdeu, Mané” e “Supremo Silêncio”, que tratam justamente da censura e dos acontecimentos incomuns no STF.
TCU “está dominado”, afirma comparsa de Daniel Vorcaro
A situação do Banco Master está literalmente desnudando a República. Se a suspensão da liquidação por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) for confirmada, será fatalmente a mais completa desmoralização. Nota de Lauro Jardim, publicada nesta segunda‑feira (5), prevê essa catástrofe. Confira: O entorno de Daniel Vorcaro — entre eles, os seus parceiros no mundo político — prevê que o TCU vai suspender a liquidação do Banco Master ainda em janeiro, com a Corte em recesso. Na frase mais abusada de um deles, o tribunal “está dominado”. A avaliação é que a inspeção no BC determinada pelo ministro do TCU Jhonatan de Jesus é o primeiro passo para o fim da liquidação, que contaria ainda com a simpatia do presidente do TCU, Vital do Rêgo. O despacho de Jhonatan sobre a inspeção deve ser publicado hoje. Os técnicos do tribunal irão ao Banco Central entre terça‑feira e quarta‑feira compulsar os documentos do Master que não foram disponibilizados na nota técnica enviada ao TCU pelo BC em 30 de dezembro, pois é uma papelada que, sigilosa, só pode ser consultada “em ambiente seguro”, na sede do banco. A nota técnica foi uma resposta ao pedido de Jhonatan, feito em 18 de dezembro, para que fossem apresentados os fundamentos da liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro. Apesar da expectativa de aliados de Vorcaro, uma outra ala do TCU é radicalmente contra a suspensão da liquidação extrajudicial do Master — entre outros fatores, por uma razão cristalina: a liquidação foi consequência de uma crise de liquidez crônica do Master, além das fraudes apuradas pela área de fiscalização do BC. Numa palavra, o banco está quebrado. A turma contra o fim da liquidação já se organiza para um contra‑ataque caso, por meio de uma decisão monocrática, Jhonatan de Jesus dê novamente vida ao Master durante o recesso: vai exigir a realização de uma reunião extraordinária do colegiado, no recesso, para cassar uma eventual liminar. Todo cuidado é pouco. O jogo que está sendo jogado é esse, com uma pressão forte pró‑Master aparecendo de gabinetes poderosos. 47 segundos – A porta de aço do Maduro e a porta surpresa do Banco Master. EXCLUSIVO: Maduro vai delatar Lula? (veja o vídeo). A lição de Tarcísio em Lula sobre prisão de Maduro (veja o vídeo).
Quando as ideologias esmagam a humanidade
Nunca se falou tanto em empatia, inclusão, direitos humanos e cidadania. O vocabulário da sensibilidade ocupa escolas, empresas, discursos institucionais, redes sociais e uma infinidade de cursos que prometem ensinar como viver melhor e ser uma pessoa melhor. O discurso é nobre. A realidade, porém, revela um descompasso inquietante. Apesar do volume inédito de informação disponível, cresce a sensação de que compreendemos cada vez menos o mundo em que vivemos. Informação não é conhecimento, e conhecimento não se traduz automaticamente em sabedoria. O excesso de dados, opiniões e slogans tem produzido um fenômeno preocupante: pessoas altamente informadas, mas pouco capazes de analisar fatos, contextualizar acontecimentos e exercer empatia. Nas redes sociais, esse quadro se agrava. Grupos se organizam em torno de ideologias rígidas, às quais aderem com fervor quase religioso. Cada qual se agarra à sua própria narrativa como se fosse uma tábua de salvação, ignorando que, apesar das divergências, todos estamos sujeitos às mesmas consequências sociais, políticas e humanas. Estamos no mesmo barco — mas muitos insistem em remar em direções opostas, ainda que isso signifique afundá‑lo. O cenário lembra filmes de suspense em que alguns percebem o perigo iminente e tentam alertar os demais. Os sinais são claros, mas a incredulidade prevalece. Quem alerta é ridicularizado, silenciado ou hostilizado. O desfecho costuma ser previsível. Resta a pergunta incômoda: como alertar quem se recusa a ouvir? O problema não está na divergência de ideias, que é própria das sociedades democráticas, mas na adesão cega. Quando a ideologia deixa de ser uma ferramenta de interpretação da realidade e passa a funcionar como um filtro moral absoluto, ela autoriza a desumanização. Nesse ponto, a humanidade se perde. O debate internacional em torno da responsabilização do ditador venezuelano Nicolás Maduro reacendeu uma discussão reveladora sobre o uso distorcido do conceito de “soberania”. Invoca‑se a soberania para silenciar críticas, mas é preciso perguntar: que soberania é essa? Um país soberano não é aquele que prende e mata opositores, manipula eleições, censura a imprensa e se mantém no poder pela força enquanto seu povo foge em massa para não morrer de fome ou violência. A migração em larga escala não é ideológica — é um pedido desesperado de sobrevivência. Ainda assim, há quem relativize assassinatos, prisões arbitrárias e miséria em nome de uma suposta democracia. Mas que democracia é essa que mata, cala, persegue e ignora o clamor do próprio povo? Nesse contexto, palavras como democracia, soberania e atentado ao patrimônio público revelam seu caráter abstrato quando desconectadas da realidade concreta. Usadas sem compromisso ético, passam a servir a uma lógica de dissonância cognitiva: pregam valores que não se praticam. Invocam‑se teorias, leis e regras para justificar violências, enquanto vidas humanas são tratadas como secundárias. Patrimônio pode ser reconstruído. Instituições podem ser reformadas. Sistemas podem ser revistos. Pessoas, não. O tempo de vida é limitado, e nenhuma existência perdida é recuperável. Quando não há morte, restam sequelas físicas, psíquicas e sociais que acompanham indivíduos e famílias por toda a vida. Quando a ideologia fala mais alto do que a humanidade, a empatia torna‑se seletiva. Sofrem apenas “os nossos”. Os demais são reduzidos a inimigos, números ou danos colaterais de uma causa supostamente maior. Questionar passa a ser visto como ameaça. Pensar, como traição. A convicção vale mais do que os fatos; a narrativa importa mais do que a realidade. Esse mecanismo explica por que tantos passam a defender líderes e regimes que atentam contra os próprios direitos humanos. Criam‑se figuras idealizadas, blindadas de críticas, verdadeiros “bandidos de estimação”. A submissão disfarça‑se de lealdade, e o pensamento crítico é substituído por slogans. O risco não é abstrato. Ele se materializa na naturalização da violência, na relativização da morte e na indiferença diante do sofrimento alheio. E se amplia ainda mais na era tecnológica, em que discursos desumanizados podem ser amplificados e automatizados em escala inédita. O problema não é o debate político, nem a tecnologia em si. O problema é a renúncia à responsabilidade ética de pensar, questionar e reconhecer o outro como humano — inclusive quando ele discorda de nós. Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja escolher a ideologia certa, mas não perder a humanidade em nome de nenhuma delas.