Gilmar Mendes protegeu o STF ao afirmar que somente a PGR tem poder para solicitar o impeachment de um ministro. O chefe dos caminhoneiros vai ao Palácio do Planalto para declarar uma greve nacional. O que vem a seguir? Ao mesmo tempo, o Itamaraty do governo Lula instituiu um “sigilo eterno” que impede a divulgação de pedidos de informação. Trump e Lula retomaram as negociações. Quais serão as consequências? Para comentar esses temas, o Jornal do JCO recebeu o deputado estadual Gustavo Victorino, a deputada federal Silvia Waiãpi e o analista político Paulo Baltokoski. Veja, compartilhe e ajude o Jornal da Cidade Online.
Não se combate o autoritarismo da esquerda aliando-se à esquerda
Acordos falsos só alimentam a ilusão de que o Brasil ainda é democrático. Isso não pode acontecer. Quando chamam um regime de ditadura, ele recebe punições. Eu acredito nisso. Lutar contra a esquerda autoritária não se faz juntando‑se a ela. Essa tática acabou prendendo pessoas inocentes e libertando criminosos. Não vamos mudar assim. Os que só querem conforto ficam esperando que os outros façam tudo, esquecendo que ficar parado também conta como ação.
“Bessias” patina e almoço com senadores é cancelado
Messias não tem força nenhuma. Até parece que ele era só um office‑boy de luxo da Dilma. Contam que recebia broncas da “presidenta” e ficava calado, obediente. De repente, como se fosse piada do Lula, o mandam para o STF. Agora fica impossível empurrar coisa nenhuma para ele. Mesmo entre os do PT, ele tem um monte de limites. Todo mundo conhece bem as suas limitações, que são muitas e graves. Já era complicado aguentar ele como chefe da AGU; imagine agora como ministro permanente, com poderes quase ilimitados. Ontem ele levou mais um baque. O almoço marcado com senadores foi cancelado porque não havia quórum suficiente.
A omissão de Lula sobre o teor da conversa com Trump
Lula postou que hoje falou com Trump e que o papo foi de tarifas e de combate ao crime organizado. Ao ser questionado, Trump afirmou que o assunto tratado foi tarifas e sanções.
Maduro se desespera, manda prender líder dos trabalhadores e causa revolta até no Brasil
A Força Sindical publicou uma nota dizendo que está extremamente indignada e surpresa com a prisão de José Elias Torres, que é secretário‑geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV). Ele foi preso no sábado, dia 29, dentro de sua casa em Caracas. A mensagem saiu na quarta‑feira, dia 3, e foi assinada por Nilton Neco, que cuida da Secretaria Internacional da Força Sindical, e por João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário‑geral da entidade no Brasil. A nota afirma que foram agentes da Direção de Inteligência da Polícia Nacional Bolivariana, órgão do governo de Nicolás Maduro, que prenderam o líder sindical em sua própria casa. A central sindical do Brasil avisa que a situação política na Venezuela está se agravando. No texto, a entidade reforça o papel dos sindicatos: eles defendem os direitos dos trabalhadores, mediam as negociações coletivas e lutam por condições dignas, salários justos e segurança. A Força Sindical ainda destaca que os dirigentes sindicais são essenciais para o desenvolvimento social, pois são líderes que promovem justiça e igualdade na sociedade.
Partido Novo reage imediatamente e propõe PEC contra decisão esdrúxula de Gilmar
Os deputados do Novo levaram ao plenário uma PEC que dá a qualquer brasileiro o direito de pedir impeachment de ministros do STF. O projeto foi apresentado na quarta‑feira (3) como reação à decisão do ministro Gilmar Mendes, que passou a reservar esse poder só ao Procurador‑Geral da República. Além disso, a decisão de Gilmar Mendes mudou o quórum no Senado: antes bastava a maioria simples, agora são necessários dois terços dos senadores para avançar com impeachment de ministros do STF. O Novo afirma que a medida do ministro fere a Lei do Impeachment de 1950, que já permite a qualquer cidadão denunciar o presidente e os ministros de Estado por crimes de responsabilidade. A decisão de Gilmar Mendes foi tomada dentro da ADPF 1.259/DF. Para que a PEC do Novo chegue ao Congresso, ainda faltam assinaturas: são necessárias 171 firmas de deputados. Na explicação da proposta, os deputados do Novo afirmam: A ideia da PEC é abrir um debate sobre até onde a Constituição permite controlar e responsabilizar os ministros do STF.
Decisão judicial derruba decisão de ministro de Lula e põe JBS na “lista suja do trabalho escravo”
A juíza substituta Katarina Roberta Mousinho de Matos mandou colocar a JBS Aves, a Santa Colomba e a Apaeb na lista de empregadores que usam trabalho escravo. A sentença saiu nesta quarta (3) da Justiça do Trabalho. Elas têm cinco dias para entrar na lista suja ou pagar multa de R$ 20 mil por dia. A decisão vem depois que o Ministério Público do Trabalho levou à Justiça as ordens do ministro Luiz Marinho (PT), que tinham bloqueado a entrada das empresas na lista. Em abril, fiscais do Ministério do Trabalho encontraram, em granjas que abastecem a JBS Aves no Rio Grande do Sul, pelo menos 10 trabalhadores em situação degradante. Eles trabalhavam até 16 horas por dia, em condições que a lei considera escravidão. A juíza disse que esconder o caso é grave, chamando de “sigilo injustificável” que protege quem quer fugir do controle social e judicial. Ela avisou que quem descumprir pode responder por crime de responsabilidade, desobediência e improbidade. Luciano Aragão, coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo do MPT, atacou a interferência do ministro. Ele disse que a avocação mostra como o poder econômico está tomando o devido processo legal, ferindo o Estado de Direito. Ele ainda explicou que o caso vai além de uma simples interferência política. Para Aragão, isso revela um sistema que protege corporações poderosas e deixa os trabalhadores à própria sorte. A CLT permite que o ministro do Trabalho tome a decisão final sobre punições. Mas, de acordo com a ONG Repórter Brasil, nenhum ministro usou esse poder desde que a lista suja foi criada em 2003. Em 9 de setembro, a consultoria jurídica do Ministério do Trabalho declarou que a avocação era legal e adequada. A juíza rebateu, lembrando que a Portaria Interministerial nº 4/2016 proíbe qualquer interferência política no cadastro. Ela enfatizou que a avocação viola a finalidade administrativa, a impessoalidade, a moralidade, a jurisprudência do STF e a própria portaria. O MPT julgou o caso grave porque um despacho proibiu a publicação do ato, tirando a transparência necessária no combate ao trabalho escravo. Em nota nesta quarta (3), a JBS Aves disse que a Seara contratou auditoria externa para revisar a documentação dos trabalhadores terceirizados e aumentou a auditoria interna, verificando diariamente as condições de trabalho desses terceiros. A JBS afirmou que não tolera violações de direitos trabalhistas ou humanos. Assim que soube das denúncias, cancelou o contrato e bloqueou a empresa terceirizada. Ela ainda reforçou que todos os fornecedores seguem seu Código de Conduta e a Política Global de Direitos Humanos, que proíbe qualquer forma de trabalho escravo.
Parlamentares reagem à decisão monocrática de Gilmar: “Ministro não pode anular a Constituição sozinho”
A medida tomada pelo ministro Gilmar Mendes, que suspendeu partes da Lei do Impeachment sobre o afastamento cautelar de ministros do STF, gerou forte reação dos deputados da oposição. Eles alegam que a decisão concentra poder, tira do Senado sua função constitucional e cria um clima de “autoproteção institucional”. O vice‑líder da oposição, deputado Sanderson (PL‑RS), declarou: Seguindo a mesma linha, deputado Rodrigo Valadares (União‑SE) atacou a decisão unilateral: Deputado Coronel Tadeu (PL‑SP) acrescentou que a medida enfraquece os mecanismos de controle democrático: Deputado Capitão Alberto Neto (PL‑AM) ressaltou que o ato ultrapassa os limites da Constituição: Para fechar, deputado Rodolfo Nogueira (PL‑MS) alertou sobre o impacto político da decisão:
Além de mandar prender o presidente da Alerj, Moraes tomou outra medida ainda mais dura
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou prender Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Alerj, nesta quarta (3). Além da prisão, o ministro também afastou o parlamentar do cargo. A Polícia Federal prendeu Bacellar porque há indícios claros de que ele vazou dados secretos, atrapalhando uma operação contra a liderança do Comando Vermelho e seus aliados no poder. A detenção foi parte da Operação Unha e Carne. Segundo a investigação, Bacellar entregou segredos da Operação Zargun, que já havia levado à prisão do deputado estadual TH Joias, sem partido, em 3 de setembro. A PF afirma ter provas fortes de que Bacellar vazou informações confidenciais, o que acabou atrapalhando as investigações contra a cúpula do CV e seus laços com servidores públicos. A Operação Zargun desmontou um grande esquema de tráfico internacional de armas e drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, tudo ligado diretamente aos chefes do CV no Complexo do Alemão.
Policial preso recebendo propina é marido de promotora que fiscalizava polícias
Um caso curioso: o policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, detido por aceitar suborno em Campo Grande (MS), é marido da promotora Luciana Schenk, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Luciana chefiou a 16ª Promotoria de Justiça em Campo Grande e, por anos, liderou o Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep). Ela ainda serve como assessora especial na Corregedoria‑Geral do MP. Em abril de 2015, Luciana passou a coordenar o Gacep, que fiscaliza a conduta dos policiais no MS, e permaneceu no cargo até junho de 2024, quando foi realocada para a Corregedoria do MPMS. A Polícia Federal prendeu Augusto Florindo quando ele recebeu R$ 130 mil pela venda de celulares contrabandeados. No depoimento, ele admitiu o delito e apontou outros policiais. A Associação Sul‑Mato‑Grossense de Membros do MP elogiou a conduta impecável da promotora. Augusto passou no concurso da Polícia Civil do MS em agosto de 2014, quase um ano antes de Luciana entrar no Gacep. Desde novembro de 2023, ele está na Garras, a delegacia que combate roubos a bancos, assaltos e sequestros, depois de ter servido em várias outras unidades. A ASMMP publicou, no Instagram, uma nota de apoio à promotora, ressaltando que Luciana tem “conduta ilibada, ética impecável e dedicação exemplar ao MPMS” ao longo de sua carreira. O texto afirma que ligar o nome da promotora à prisão de Augusto é “tendencioso e gera comentários ofensivos, até criminosos, que vão além da liberdade de expressão”.