Alguns ministros do Supremo Tribunal Federal contribuíram, mesmo que involuntariamente, para impedir que a CPMI do INSS descobrisse os voos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em aviões de uma empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A CPMI aprovou um requerimento solicitando dados de passageiros à Prime Aviation, empresa utilizada pelo dono do Banco Master para gerir suas aeronaves. A companhia, porém, alegou que não teria tempo para entregar as informações.
Em pelo menos duas ocasiões, a empresa solicitou prazo maior para reunir os dados. A primeira foi no dia 19 de março, quando alegou não ter recebido o pedido inicial para informar, entre outras informações, voos e passageiros desde 2015.
Com a rejeição do prazo, a Prime Aviation voltou a entrar em contato com a CPMI no dia 24 de março, quatro dias antes do encerramento da comissão. Na ocasião, a empresa disse não ter sido possível reunir as informações requisitadas a tempo.
“Apesar das diligências já realizadas, não foi possível, até o presente momento, reunir a integralidade dos dados necessários ao atendimento completo da requisição, nos moldes em que formulada”, dizia o ofício enviado pela Prime Aviation à CPMI.
Dois dias depois, em 26 de março, o plenário do Supremo se reuniu e derrubou a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a CPMI.
Esse fato demonstra que a CPMI poderia ter avançado bem mais nas investigações, mas foi literalmente obstruída pela decisão judicial.
