O ministro Gilmar Mendes, cada vez mais conhecido como “ministro influencer”, voltou a utilizar as redes sociais para rebater críticas. Desta vez, o alvo foi o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que tem questionado publicamente decisões de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma longa manifestação nas redes sociais, Gilmar classificou como “irônico” o fato de Zema criticar o STF depois de ter, durante sua gestão, solicitado medidas ao Tribunal que permitiram ao governo mineiro adiar por meses o pagamento de parcelas da dívida com a União.
“É, no mínimo, irônico ver quem já geriu o Estado de Minas Gerais atacar o STF e seus membros após ter, durante sua gestão, solicitado ao Tribunal medidas que permitiram ao governo estadual adiar, por meses, o pagamento de parcelas de sua dívida com a União”, escreveu o ministro.
Gilmar citou a Nota Técnica SEI nº 1.488/2026, do Ministério da Fazenda, como prova de que Zema recorreu ao STF diversas vezes para obter decisões que suspenderam obrigações bilionárias com a União. Segundo o ministro, sem o “socorro institucional do STF”, o então governador teria enfrentado grave desorganização fiscal, com riscos à continuidade de serviços públicos essenciais.
“A contradição é latente: quando o STF profere decisões que garantem o fluxo de caixa ou suprem omissões do Legislativo local, a Corte é acessada como agente necessário ao funcionamento da máquina estatal. Afinal, ninguém recorreria sucessivamente a um Tribunal cuja legitimidade não reconhecesse”, argumentou Gilmar.
O ministro ainda afirmou que basta a Corte contrariar interesses políticos para que o “pragmatismo jurídico dê lugar a chavões vazios de ‘ativismo judicial’ e a ataques à honra dos ministros”. Para ele, trata-se da “política do utilitarismo: o STF serve como escudo fiscal e contábil, mas é tratado como vilão quando decide conforme a Constituição — e não conforme a conveniência de ocasião”.
O comportamento de Gilmar Mendes não é exatamente o que se espera de um magistrado. Bate-boca em rede social é mais apropriado para políticos. Caso queira participar desse tipo de embate público, o melhor seria Gilmar renunciar ao cargo e se candidatar a algum mandato eletivo.

