Era um evento em Presidente Prudente. Lula estava previsto para comparecer, mas não apareceu porque está se recuperando de uma cirurgia. A faixa com a palavra “ladrão” seria, quando muito, comentada na vizinhança. Moradores de bairros mais distantes provavelmente nem ouviriam falar. Muito menos em outras cidades do país.
Mas daí, como todo governo autoritário não deixa passar oportunidade de exercer sua burrice, a Polícia Federal, sabe-se lá por ordem de quem, resolveu “intimar”, sem ordem judicial, o cidadão a retirar a faixa. A ação truculenta viralizou. O que era para passar completamente batido virou notícia nacional.
O escopo do trabalho de Sidônio Palmeira como marqueteiro do governo deveria ser expandido para além da comunicação oficial e abranger também ações de outros órgãos do governo que podem se transformar em desastres de marketing. Esse é um caso típico. A PF deveria ter consultado Sidônio se intimidar um cidadão em uma cidade do interior de São Paulo era uma boa ideia.
O marqueteiro vai ter trabalho.
Marcelo Guterman é engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.
