As três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil — Vibra, Ipiranga e Raízen — não aderiram ao programa federal de subvenção ao diesel. A ausência das empresas, que são responsáveis por metade das importações privadas do combustível, compromete a eficácia da iniciativa do governo para tentar conter o aumento do preço do diesel.
O prazo de inscrição para receber a subvenção pelas vendas de março terminou na terça-feira (31). Fontes com conhecimento das discussões confirmaram que as três gigantes do setor optaram por não integrar o mecanismo.
Vibra, Ipiranga e Raízen não se manifestaram publicamente sobre a decisão. Pessoas próximas às discussões indicam que incertezas nas regras do programa e a percepção de insegurança jurídica influenciaram a escolha das empresas.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) ainda não divulgou a lista oficial de participantes. Questionada sobre a ausência das maiores distribuidoras do país e as críticas relacionadas às incertezas do programa, a agência reguladora não apresentou resposta até o momento.
O objetivo do mecanismo é evitar que a escalada das cotações internacionais seja repassada integralmente ao preço final do combustível. Desde o início da guerra, o diesel já registrou alta de 24% nas bombas de abastecimento.
O Brasil importa aproximadamente 30% do diesel que consome. A Petrobras responde por 40% desse total, enquanto o restante provém de importações privadas. As distribuidoras tradicionalmente são responsáveis por metade das importações realizadas pelo setor privado.
A fórmula de reajuste dos preços máximos de venda do diesel foi divulgada apenas na sexta-feira (27). A publicação ocorreu dois dias úteis antes do encerramento do prazo para adesão ao programa. O timing da divulgação ampliou a sensação de incerteza entre as empresas do setor, segundo relatos de fontes do mercado consultadas.
