Guerra do Irã expõe vulnerabilidade de Taiwan e ameaça domínio global da tecnologia

A guerra do Irã provocará, para o bem ou para o mal, ondas de choque que irão muito além do Golfo Pérsico. Aproveitando o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, a China fez uma proposta ousada a Donald Trump: a incorporação pacífica de Taiwan à China continental e, em troca, Pequim garante energia, petróleo e gás à ilha.

Num ato de terrorismo global, a República Islâmica do Irã bombardeou 20 navios-tanque civis que transportavam petróleo ou gás, além de colocar minas em águas internacionais no Estreito, numa faixa de apenas 40 quilômetros de mar. Mas o que isso tem a ver com a soberania de Taiwan?

Estreito de Ormuz

Taiwan é uma pequena ilha no Mar da China, menor que a ilha de Manhattan, porém de uma importância colossal para a economia global. Taiwan fabrica 90% dos chips avançados do mundo. A empresa TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), sozinha, produz os processadores para corporações gigantes da área de tecnologia como NVIDIA, Apple e AMD. Sem Taiwan não existe inteligência artificial, não existe 5G, não existem carros elétricos. A ilha é o coração da tecnologia global.

Taiwan e semicondutores

Mas Taiwan tem um calcanhar de Aquiles: eles importam 97% da sua energia. Um terço do gás hélio vem do Catar pelo Estreito de Ormuz, que está fechado há vários dias para os americanos e aliados. Taiwan tem reserva de gás para poucos dias. O plano do governo americano era simples: derrubar o regime e cortar o petróleo da China. Trump viu milhões de iranianos nas ruas, apostou na queda e errou. Ele não contava com a repressão selvagem do regime dos aiatolás, que matou em poucos dias mais de 20 mil civis iranianos pelo simples fato de protestarem contra a ditadura islâmica.

Tecnologia e semicondutores

A guerra no Irã que ameaça paralisar a ilha de Taiwan — esse é o verdadeiro motivo que arrastou o governo americano à mesa de negociações: os semicondutores. Ataques iranianos atingiram a usina de gás Rás Laffan, no Catar. O gás hélio catari é fundamental para resfriar as máquinas de litografia taiwanesas. Essas máquinas servem para imprimir padrões microscópicos de circuitos em wafers de silício, sendo o equipamento essencial para a fabricação de semicondutores, microchips e processadores. Os reparos vão demorar meses e, como consequência, o preço do gás hélio dobrou.

Só a TSMC consome quase 10% da eletricidade de Taiwan. Cada chip de três nanômetros precisa de energia ininterrupta. Uma queda de tensão e um lote inteiro são destruídos.

Cada dia com o Estreito de Ormuz fechado, Taiwan fica mais próxima de ser incorporada à China. Sem que Pequim dispare um tiro, sem que mova um navio. O Irã é o campo de batalha e os semicondutores são o espólio de guerra. Apenas 33 quilômetros de água no Estreito de Ormuz decidem sobre 90% dos chips no planeta. E quem controla os chips, controla o ritmo da inteligência artificial — em outras palavras, controla o futuro. E é isso que está verdadeiramente em jogo.

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