Os eleitores húngaros comparecem às urnas neste domingo, 12, em uma eleição que pode resultar em mudança significativa na liderança política do país. O atual primeiro-ministro, Viktor Orbán, do partido Fidesz, tenta se manter no cargo após 16 anos consecutivos, mas enfrenta uma disputa mais acirrada do que em eleições anteriores.
O principal adversário é Péter Magyar, ligado ao partido Tisza. Ex-aliado do governo, ele rompeu com Orbán e passou a comandar uma campanha focada no combate à corrupção e na reaproximação com a União Europeia (UE), tema que ganhou relevância no cenário político recente.
Segundo levantamento divulgado pela agência Reuters, há indicativos de vantagem para a oposição. Ainda assim, o número expressivo de eleitores indecisos mantém o resultado em aberto, reforçando o clima de incerteza quanto ao desfecho da votação.
O avanço de Magyar ocorre em meio a um contexto econômico desafiador. A Hungria enfrenta estagnação, aumento do custo de vida e críticas frequentes à qualidade dos serviços públicos, fatores que influenciam diretamente o humor do eleitorado.
Dados do Escritório Central de Estatística da Hungria apontam que, em 2025, os salários tiveram crescimento de 9,1%, enquanto o ganho real ficou em 4,4%. Apesar disso, projeções da União Europeia indicam que o déficit público deve permanecer acima de 5% em 2026, com a dívida em trajetória de alta e sinais de retração em setores como indústria e investimentos, incluindo queda na produção e desaceleração das exportações.
O sistema eleitoral húngaro combina modelos majoritário e proporcional. Ao todo, são escolhidos 199 deputados: 106 por distritos uninominais e 93 por meio de listas nacionais. Cada eleitor tem direito a dois votos — um para candidato local e outro para partido —, e o primeiro-ministro é definido a partir da maioria parlamentar, sem limite de mandatos.
Além das questões internas, a relação com a União Europeia ocupa papel central na disputa. O governo de Orbán acumulou divergências com o bloco em temas como Estado de direito, políticas migratórias, direitos LGBT e apoio à Ucrânia.
Em julho de 2025, a Comissão Europeia acionou mecanismos que permitem suspender repasses financeiros a países que descumprem normas do bloco. Como consequência, cerca de € 18 bilhões destinados à Hungria foram congelados, aumentando a pressão econômica e política sobre o atual governo.
