O Inquérito das Fake News (Inq 4.781), aberto em 2019 por Dias Toffoli e relatado por Alexandre de Moraes, nunca teve como objetivo combater desinformação. Desde o primeiro dia, serviu como instrumento para silenciar vozes incômodas ao establishment do Supremo Tribunal Federal.
O caso emblemático foi a censura imediata à reportagem da revista Crusoé “O amigo do amigo do meu pai”, que revelava ligações de Toffoli com a Odebrecht. Moraes determinou a remoção da matéria, aplicou multa diária de R$ 100 mil e ignorou o pedido de arquivamento da Procuradoria-Geral da República. Não se tratava de defesa da honra institucional, mas de censura para proteger o clã do Supremo de qualquer escrutínio.
Sete anos depois, o inquérito permanece ativo, sem prazo de validade – um monstro eterno, apelidado de “Inquérito do Fim do Mundo”. Em fevereiro de 2026, a OAB Nacional protocolou ofício ao presidente Edson Fachin pedindo o encerramento imediato dessa aberração jurídica.
A entidade mencionou “investigações de natureza perpétua”, “desgaste progressivo da confiança social” e “extrema preocupação institucional”. A OAB, que demorou para reagir, agora admite o óbvio: o inquérito se expandiu indefinidamente, violando devido processo legal, segurança jurídica e liberdade de expressão.
A mídia repercutiu o pedido: G1, CNN, Gazeta do Povo, Agência Brasil e até The Economist destacaram o escândalo. A revista britânica foi direta ao afirmar que o STF está “envolvido em um vasto escândalo”, com sigilo excessivo e uso do inquérito para abafar apurações sobre ligações de ministros com o falido Banco Master.
Contratos milionários da esposa de Moraes (R$ 129 milhões) e negócios familiares de Toffoli vieram à tona. Em resposta, Moraes abriu desdobramento no mesmo inquérito para investigar servidores da Receita Federal que supostamente vazaram dados sigilosos de parentes de ministros.
Quatro auditores viraram alvo de busca e apreensão – uma operação de intimidação que revoltou o funcionalismo público e reforçou a percepção de que o Judiciário usa poder de polícia para se blindar de investigações.
O inquérito não nasceu para perseguir golpistas. Nasceu para censurar. Agora, ao atingir jornalistas que noticiaram o Banco Master e auditores que tocaram em dados sensíveis, revela sua essência: intimidação seletiva. Quem questiona o STF vira réu no “Fim do Mundo”.
É fundamental registrar o que a grande mídia fez durante a perseguição a Bolsonaro e aos bolsonaristas (2019-2022/2023): silêncio cúmplice ou apoio explícito. Não houve matérias críticas às irregularidades gritantes do inquérito – instauração de ofício, sem provocação da PGR, relator escolhido a dedo, prorrogações infinitas, censura prévia e violações constitucionais.
Pelo contrário: Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e outros veículos publicaram reportagens e editoriais relativizando ou defendendo que “contrariar a Constituição era possível” para proteger a democracia de supostas ameaças bolsonaristas. O inquérito era visto como necessário, mesmo que atropelasse garantias fundamentais. A “defesa das instituições” justificava tudo – inclusive rasgar a Constituição.
Exemplo concreto dessa fase inicial: na primeira grande operação de busca e apreensão, em 27 de maio de 2020, a Polícia Federal cumpriu 29 mandados contra aliados de Bolsonaro. Cinco nomes emblemáticos foram alvos diretos: Roberto Jefferson (ex-deputado e presidente do PTB), Luciano Hang (dono da Havan), Allan dos Santos (blogueiro do Terça Livre), Sara Winter (ativista bolsonarista) e Bernardo Kuster (youtuber).
Esses cidadãos tiveram casas invadidas, equipamentos apreendidos e contas bloqueadas, tudo sob o pretexto de “fake news” e “ameaças ao STF” – sem que a grande mídia questionasse o devido processo legal ou a competência do inquérito.
Mas o que mais chama atenção é o timing do pedido da OAB e da repercussão atual: o medo real é que o inquérito, criado para caçar bolsonaristas e aliados de Bolsonaro, chegue até os próprios perseguidores. Aqueles que aplaudiram prisões, bloqueios de redes sociais e cassações agora tremem ao ver que o arbítrio não tem lado ideológico fixo.
O monstro que devorou opositores pode virar contra quem o alimentou. O medo se espalha: “e se chegar em mim?”.
E o pior horizonte se aproxima. Em 2027, Alexandre de Moraes assume a presidência definitiva do STF (já foi vice de Fachin no biênio 2025-2027, e a sucessão por antiguidade é tradição). Com o inquérito em mãos, sigilo total e poder ampliado, ele poderia passar a relatoria para outro ministro – uma manobra que, na superfície, parece “renovação”, mas na prática perpetua o controle: o novo relator herdaria o monstro pronto, com precedentes de censura e expansão infinita.
Nada muda o DNA censor; apenas troca o condutor.
Diante desse limão azedo – sete anos de abusos, erosão da confiança, hipocrisia midiática e agora medo generalizado –, é hora de fazer limonada. A pressão da OAB, a repercussão midiática (mesmo tardia) e o incômodo interno no STF (há racha até entre ministros) mostram que o castelo treme.
Conservadores, liberais e democratas de direita devem capitalizar: exigir arquivamento definitivo, transparência total sobre o Banco Master e freios ao ativismo que transformou o Supremo em ditadura togada.
Não é defesa da democracia censurar. É ditadura judicial. O inquérito provou isso – e a grande mídia, que o apoiou quando conveniente, agora finge surpresa. Agora, com o fim batendo à porta por medo de atingir os próprios carrascos de Bolsonaro, cabe à direita organizada não deixar que ele renasça com outra cara em 2027.
Porque, se não pararmos agora, o “fim do mundo” será para a liberdade de expressão – e para todos nós.
