O ministro Alexandre de Moraes autorizou a visita do assessor do governo americano ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o jornalista exilado Allan dos Santos, esse é um verdadeiro xeque-mate político.
Segundo a análise de Santos, o dilema era simples. Se Moraes negasse a visita de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado, o mundo veria um juiz brasileiro proibindo um representante do governo americano de falar com um ex-presidente preso. Seria autoritarismo em rede global.
Se ele permitisse a visita, Washington teria testemunha direta do que está acontecendo com Jair Bolsonaro. Alguém que pode relatar as condições, o processo e a versão do próprio Bolsonaro.
Ou seja: negando, haveria escândalo diplomático. Permitindo, internacionalização do caso. Era literalmente um jogo sem saída confortável.
A imprensa brasileira tenta vender a história como se fosse apenas “um assessor polêmico”. Mas esse “assessor” trabalha no Departamento de Estado dos EUA. Ele não faz turismo político. Ele reporta para Washington, DC.
E há um detalhe crucial: a visita será dentro da prisão. Não é um café rápido. São duas horas de conversa. Tempo suficiente para ouvir muita coisa que Brasília preferiria manter em silêncio.
O resultado prático é que o caso Bolsonaro deixa de ser apenas “um processo interno do Brasil”. Agora entra no radar de atores internacionais. E quando Washington começa a olhar, a história muda de escala.
No fim das contas, Moraes teve que escolher: mostrar ao mundo que impediria contato internacional ou permitir que o mundo veja de perto o que Bolsonaro está sofrendo.
Ele escolheu a segunda opção. E assim, o que era um processo judicial brasileiro acobertado pela imprensa virou um episódio geopolítico.
Xeque-mate.
O mérito é de alguém que alguns — inclusive dentro da direita — zombam e tiram sarro, mas que sem vídeo bombástico com fundo preto, mudou o que ninguém mais tinha a esperança de ver transformado: Eduardo Bolsonaro.
