Um dia antes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ser preso na quarta-feira (4), na terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, em São Paulo, o mais caro de seus aviões, o Gulfstream G700, levantava voo do Brasil em direção a San Marino, um pequeno país encravado na Itália.
O banqueiro vendeu a aeronave à empresa Flexjet. A Polícia Federal prendeu Vorcaro 24 horas depois, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
A Agência Nacional de Aviação Civil cancelou a matrícula brasileira da aeronave em 3 de março. O registro oficial classifica a operação como “exportado”.
Vorcaro havia comprado a aeronave em junho de 2025, sete meses antes da transferência para a Flexjet.
Na prática, a aeronave que Vorcaro usava para suas viagens intercontinentais não estava registrada em seu nome. Essa foi a artimanha. Por isso ela não ficou indisponível como outros bens do banqueiro durante a Operação Compliance Zero. No documento da Anac, consta como dona do avião uma empresa de propósito específico, a PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A., com sede na Alameda Tocantins, 350, em Barueri, São Paulo.
Essa empresa é controlada por Marcus Vinícius da Matta, que, segundo dados da Receita Federal, é presidente da Prime You, operadora de jatos e outras propriedades de luxo ligadas a Vorcaro e seus sócios. A empresa também é proprietária de outros bens usados pelo banqueiro, como a mansão em Brasília e o super iate Benetti Oasis 40M com dez cabines.
A influenciadora Martha Graeff, que mantinha relacionamento com Vorcaro na época, viajava nesta aeronave quando o banqueiro foi detido pela Polícia Federal em 17 de novembro. A data marcou a véspera da primeira fase da Operação Compliance Zero. Martha havia partido de Miami com destino à Europa.
A aeronave realizou retorno durante o voo quando sobrevoava o Oceano Atlântico, na região conhecida como Triângulo das Bermudas. O avião voltou ao Brasil após a notícia da prisão. O relacionamento entre Vorcaro e Martha Graeff também chegou ao fim posteriormente.
