Código de Ética do banco Master feito por Viviane Barci tinha capítulo sobre corrupção

Na capa do Código de Ética da Petrobras, edição 2006, estava lá, reluzente e pimpão, a foto do diretor da empresa, Pedro Barusco. Onze anos depois, Barusco confessaria à Polícia Federal que havia embolsado 97 milhões de dólares no esquema desvendado pela operação Lava-Jato.

Agora, outro Código de Ética envolve outro personagem suspeito. Não se sabe se o banqueiro Daniel Vorcaro estampa a capa do código de ética da sua empresa, mas na apresentação, o banqueiro escreve: “Conto com o apoio e a colaboração de cada um de vocês para que este Código seja respeitado e vivenciado em sua plenitude”.

A coisa fica ainda mais curiosa quando se sabe que esse Código custou R$ 129 milhões, pagos ao escritório da esposa de um ministro do Supremo. O código da Petrobras, ao menos, deve ter custado bem menos aos cofres da empresa.

Toda empresa que se preze tem o seu Código de Ética. Na seleção de fornecedores, um dos requisitos frequentemente exigidos é a apresentação do Código de Ética. Não porque o Código evite condutas erradas, mas para que os funcionários não possam alegar ignorância a respeito do que pode ou não pode ser feito nas zonas cinzentas das relações comerciais.

O Código de Ética serve para os funcionários, não para os donos da empresa. Um código de conduta serve para que a empresa se proteja dos seus funcionários, seja de conluio destes com fornecedores, seja envolvendo o nome da empresa em práticas pouco éticas para conquistar clientes, e que podem significar problemas reputacionais mais à frente. Os donos da empresa, obviamente, decidem o que é admissível ou não para as suas próprias empresas. Afinal, é a sua reputação e da sua empresa que estão em jogo.

Código de Ética tem sido o termo do momento quando se fala do Supremo Tribunal Federal. O problema é que os ministros agem como se fossem donos do STF, e não funcionários do povo brasileiro. Como donos, ninguém precisa lhes dizer o que é ético ou não, dado que não precisam dar satisfação a ninguém de seus atos. Por outro lado, se fossem considerados funcionários, um Código de Ética do Supremo determinaria o que os cidadãos consideram ético ou não para os seus funcionários. Esse código deveria ser escrito pelos representantes dos cidadãos no Congresso.

Pensando melhor, faz todo sentido não haver um Código de Ética para o STF. Assim, os Supremos evitam a piada pronta dos Códigos de Ética da Petrobras e do Master.

Marcelo Guterman é engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

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