Luiz Inácio Lula da Silva, quando candidato à Presidência da República, acusou Bolsonaro de nomear para o STF dois amigos pessoais: Kássio Nunes Marques e André Mendonça. Lula afirmou que, ao contrário de Bolsonaro, jamais nomearia amigo para o Supremo, já que a função daquela Corte é zelar pela Constituição e não atuar em favor do presidente de plantão.
O mesmo Lula que já havia colocado no STF Dias Toffoli, seu advogado de campanha eleitoral e seu Advogado-Geral da União. Sem falar de Cármen Lúcia, que nunca se afastou de Lula. O mesmo Lula que, ao voltar ao Palácio do Planalto, colocou no STF seu ex-advogado Cristiano Zanin, também seu afilhado de casamento e genro de seu compadre Roberto Teixeira. Mas não parou aí. Levou para o Supremo também seu Ministro da Justiça, ex-governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino.
Flávio Dino, em 2020, era – além de governador do Maranhão – membro do Consórcio Nordeste que comprou respiradores (com pagamento antecipado de R$ 48 milhões), supostamente para salvar vidas de pacientes com Covid-19, da firma Hempcare, empresa especializada em medicamentos à base de canabis, mas sem qualquer relação ou expertise com equipamentos hospitalares. Os respiradores, entretanto, jamais foram entregues e o dinheiro dos contribuintes evaporou-se. Não existem informações de quantos nordestinos morreram de Covid-19 em consequência da falta de respiradores.
O presidente do Consórcio Nordeste, na época (2020), era Rui Costa (PT), então governador do Estado da Bahia, o maior reduto petista do Brasil. Rui Costa foi nomeado por Lula para o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil do seu governo. Em termos de nomeações de amigos ao STF, Lula supera em muito Bolsonaro.
Voltando à atual indicação de Lula ao STF, a de Jorge Messias, notabilizado como “Bessias”, o estafeta de Dilma, seguem as considerações de Paulo Briguet, publicadas na Gazeta do Povo em 13 de abril de 2025:
“Jorge Messias, o homem que em 2016 era apenas o rapaz que ‘tava indo’ por ordens de Dilma Rousseff, agora pretende sentar-se à mesa do Supremo. Ascensão meteórica? Nada disso: recompensa por serviços prestados.
Aqui estão 13 razões pelas quais o Senado deveria recusar essa indicação:
1. Office-boy da Dilma: O nome Bessias não surgiu de uma brilhante carreira jurídica, mas de um grampo da Polícia Federal. Sua certidão de nascimento pública é o papel de estafeta encarregado de entregar um salvo-conduto para blindar Lula da prisão. Levou o papel da impunidade e agora quer vestir a toga da justiça.
2. Recompensa do Silêncio: Sua indicação não é por mérito, mas por fidelidade. Entre o “Bessias tá indo” de 2016 e a nomeação de 2025, o único critério foi a lealdade ao Partido. No PT, a subserviência é a escada mais rápida para o topo.
3. Procurador da Censura: À frente da AGU, Bessias criou a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia. Um nome orwelliano para um órgão cujo objetivo real é vigiar, punir e calar a dissidência sob o pretexto de combater a “desinformação”.
4. Advogado da morte: Como AGU, Bessias deu parecer favorável à assistolia fetal até os nove meses. Ele defende que a morte do bebê é parte “indissociável” do “direito” ao aborto. A assistolia fetal é um procedimento médico que consiste na injeção de agentes farmacológicos (como cloreto de potássio ou lidocaína) no coração do feto para cessar seus batimentos cardíacos antes de uma interrupção de gravidez avançada, geralmente após 20-22 semanas.
5. Escudo do MST: Bessias transformou a AGU em um escritório de advocacia para Lula e seus amigos dos movimentos sociais. Ao declarar “mexeu com vocês, mexeu com a gente” para o MST, ele deixou claro que, para ele, a propriedade privada é um detalhe irrelevante diante da agenda ideológica.
6. Inimigo da Lava Jato: Em sua tese de doutorado, Bessias mostra todo seu ódio à operação de combate à corrupção, chamando-a de lawfare. Para ele, a cleptocracia era intocável e o impeachment de Dilma não passou de “golpe das elites”.
7. Marx como bússola: Sua tese acadêmica não busca o conhecimento, mas a revolução. Citando Karl Marx para justificar a intervenção estatal e a censura às redes sociais, Bessias mostra que sua toga será tingida de vermelho antes mesmo da posse.
8. Relator das sombras: Ter como relator de sua indicação o senador Weverton Rocha — alvo de operações da PF por fraudes bilionárias no INSS — diz tudo sobre o ambiente moral da indicação. Não por acaso, a AGU negou-se a investigar indícios de desvios no INSS.
9. Leilão dos Correios: A aprovação de Bessias não se dá por ideias, mas por cargos. Três diretorias dos Correios, empresa com rombos bilionários, foram oferecidas ao Senado para azeitar a sabatina. A Suprema Corte virou um objeto de troca em balcão de estatal.
10. Desprezo pelos presos políticos: Bessias afirma ter sido o primeiro a pedir a prisão de senhorinhas e pais de família no 8 de janeiro. Para as Déboras do batom, ele reserva o rigor da lei; para os companheiros de cúpula, o abraço do privilégio.
11. O carrapato do poder: De subchefe de Dilma a assistente de Jaques Wagner, Bessias soube bajular o petismo até a vitória de 2022. É o burocrata que se alimenta das sombras até encontrar a luz do orçamento público.
12. Notória ignorância: Tirando o saber notório em entregar papéis e blindar chefes, o que resta a Bessias? Como até o Estadão reconheceu, falta-lhe a estatura jurídica mínima. Sobra-lhe, porém, a militância máxima.
13. Guardião do Regime PT-STF: Se aprovado, Bessias não será um ministro da Suprema Corte, mas um comissário do regime. Ele não vai defender a Constituição, mas desvirtuá-la de todas as formas possíveis para que o projeto de poder do PT seja eterno e inquestionável.
Definitivamente, Bessias não dá.”
Também sobre a indicação do estafeta de Dilma, o “Bessias”, vale a pena assistir as considerações da juíza brasileira, exilada nos Estados Unidos, Ludmila Lins Grillo.
