Em meio a um cenário de retração comercial que já se prolonga há alguns anos, a Nike decidiu reduzir seu quadro de colaboradores em escala global. A companhia anunciou o desligamento de aproximadamente 1,4 mil funcionários, número que representa pouco menos de 2% de sua força de trabalho total. As áreas mais impactadas são aquelas ligadas à tecnologia, refletindo uma mudança estratégica considerável.
Como parte de um plano mais amplo de reorganização interna, a empresa busca tornar suas operações mais eficientes e integradas. Entre as iniciativas está a centralização de suas atividades tecnológicas em dois principais centros: Oregon, nos Estados Unidos, e Índia. Essa movimentação acompanha uma tendência global de consolidação operacional, frequentemente adotada por grandes corporações para reduzir custos e aumentar a produtividade.
Vale lembrar que, ainda em janeiro, a Nike já havia eliminado 775 postos de trabalho, em linha com uma estratégia voltada à intensificação da automação de processos. A empresa não tem poupado esforços para enxugar sua estrutura diante das dificuldades enfrentadas no mercado.
No mercado financeiro, os reflexos dessas mudanças são observados com cautela. Apesar de uma leve alta de cerca de 0,5% nas negociações após o fechamento do mercado, os papéis da empresa acumulam uma queda superior a 50% ao longo dos últimos três anos. Esse desempenho reflete, em parte, a crescente pressão competitiva exercida por marcas como On, Hoka e Anta, que vêm conquistando maior participação no setor esportivo global.
À frente da companhia desde 2024, o CEO Elliott Hill tem defendido uma reorientação estratégica com ênfase em modalidades como corrida e futebol, além de acelerar o ritmo de lançamentos de novos produtos. A proposta é fortalecer o posicionamento da marca em segmentos-chave e recuperar relevância diante dos consumidores.
Ainda assim, especialistas do mercado financeiro avaliam que as iniciativas apresentadas até o momento carecem de maior consistência. Para esses analistas, as recentes demissões já eram amplamente antecipadas e fazem parte de um ajuste considerado inevitável diante do atual contexto enfrentado pela empresa.
