Quando juízes tiram conclusões sem provas e as colocam em decisões, a democracia deixa de ser proteção e vira só um adereço do Estado. Quando uma vigília é tratada como ameaça, a liberdade de todos fica em perigo. O caso do ex-chefe do Executivo poderia ser só mais um episódio da política bagunçada, se não fosse porque os pormenores revelam mais sobre o Brasil do que sobre o próprio acusado. Uma reunião tranquila, marcada como culto, foi vista como tentativa de subversão. Ninguém sabe ao certo o que assustou tanto a República: as orações, as mãos levantadas ou o medo de alguém cantar o hino errado. Na visão dos tribunais, o sagrado virou suspeita e a fé virou crime. A explicação da decisão é frágil, parece até um manual de invenção jurídica. O despacho diz que a vigília tinha “risco de tumulto”, “risco de constrangimento às diligências” e até “risco de fuga”. Mas fuga simbólica? Não há prova, só suposições. A palavra risco aparece tanto que parece que criamos um Direito Penal de hipóteses, onde crimes imaginários valem mais que fatos reais. Esse é o verdadeiro perigo. Ainda tem o caso da “caixa da tornozeleira”, que foi usado como indício de fuga, embora ninguém explique como essa fuga aconteceria ou para onde. A história chega a ser quase cômica: imaginar uma senhora com trombose ou labirintite levando o suposto “fugitivo” até a zona dos consulados, a 13 km de distância, passando bem sob a vigilância da Polícia Federal que ficava de plantão com quatro agentes armados, e ainda dizer ao Estado “perdeu, mané”. É importante dizer que tentar abrir a “caixa da tornozeleira” não mostra vontade de fugir, mas sim o comportamento de um homem cansado e humilhado. Depois de anos sofrendo o que só pode ser chamado de tortura institucional, fica a pergunta: ainda existe alguém que consiga manter a calma sob tanta opressão? O choque não está no cansaço, mas na ideia de que alguém poderia aguentar tudo isso sem se abalar. Não é surpresa que quem julga o caso nem se apresenta. Quem acompanha as notícias sabe que, dos quatro votos da “Turma”, um vem da própria vítima que também acusa, outro é o advogado do atual chefe do Executivo, e outro já chamou o acusado de “o próprio diabo”. Isso mostra que alguns magistrados colocam suas crenças e interesses à frente da lei. Eles conduzem investigações como se defendessem uma causa pessoal, e não um princípio constitucional. Assim, a tão falada imparcialidade desaparece. Um jurista americano já avisou: o maior perigo para a democracia é um juiz que não reconhece seus limites. Rui Barbosa também disse: “a pior ditadura é a ditadura da toga, pois contra ela não há quem se defenda”. Quando a toga se acha intocável, a lei perde seu sentido e o Estado de Direito vira só decoração. É preciso lembrar que o declínio não começou agora. Nas eleições de 2022, opiniões simples foram proibidas; quem falava de ligações com ditadores foi censurado; vídeos sumiram; jornalistas foram intimidados; contas críticas perderam dinheiro; ordens judiciais secretas se tornaram rotina. Criou‑se, na prática, uma “licença para adivinhar intenções”, algo que não cabe em uma democracia madura. E ainda tem o inquérito que nunca acaba – uma investigação que se molda ao que o poder precisa naquele dia, virando um guarda‑chuva grande o bastante para cobrir tudo que incomoda o sistema. Não serve para descobrir a verdade, mas para conter. Por isso, achar que tudo se resume a um homem é puro simplismo. O que está em risco é o precedente – e um precedente não desaparece depois de criado. Castigar o líder serve de lição. O verdadeiro alvo é o cidadão de cada dia. A coerção não vem de gritos, vem do medo. As pessoas começam a medir o que dizem, pensam, agem. Falam menos. O silêncio vira “virtude”. Regimes autoritários não surgem anunciados; surgem às escondidas. Eles se formam quando aceitamos, calados, um absurdo atrás do outro. O ponto crucial: um sistema que ultrapassa seus limites não fica seletivo por muito. Hoje atinge um grupo, amanhã todos. O poder sem limites não tem alvo fixo – escolhe quem for conveniente naquele momento. No fim das contas, quando a vigília é tratada como ameaça, o problema não é o acusado. O problema é a nação inteira, que vai esquecendo aos poucos o que é ser livre. Texto de Claudio Apolinário, vereador de São José dos Campos e pastor da Igreja Bíblica Vida.
Mais um ex-presidente é condenado
Nesta quarta (26), o Quarto Juizado Penal Colegiado Nacional condenou o ex‑presidente peruano Martín Vizcarra a 14 anos de cadeia pelos escândalos de Lomas de Ilo e do Hospital de Moquegua. O tribunal mandou que ele comece a cumprir a pena agora, porque não há nenhuma lei que autorize a suspensão. Além da prisão, ele ficou proibido de ocupar cargos públicos por 9 anos e tem que pagar 2,3 milhões de soles como indenização. O dinheiro será repartido entre Vizcarra e as empresas do esquema, mas a ICCGSA não paga porque já fez um acordo de colaboração. O juiz deixou claro que a indenização serve para reparar os prejuízos que o Estado sofreu quando Vizcarra era governador de Moquegua.
“Moraes quer assassinar o Jair Bolsonaro”, diz Eduardo (veja o vídeo)
Em entrevista ao Poder360 na quarta‑feira (26), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) disse que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, quer matar o pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Ele ainda comentou que o ex‑presidente está com problemas de saúde. Eduardo contou que, desde julho, a Justiça proibiu que ele fale com o pai. A ordem do STF, datada de 18 de julho, impede qualquer contato entre eles. A restrição vem porque há investigação de supostas ações dele nos EUA contra autoridades brasileiras. Eduardo chamou Moraes de “ditador que adora se mostrar perverso”. Ele disse que colocar tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar no pai é cruel, já que Jair Bolsonaro tem sérios problemas de saúde. Desde fevereiro de 2025, Eduardo vive nos EUA. Ele quer voltar ao Brasil, mas tem medo de ser preso ao pisar no país. Para ele, a razão de não poder voltar é que o “homem mais poderoso”, que ele chama de ditador perverso, ameaça prendê‑lo se ele retornar.
Influenciadora com 28 milhões de seguidores pode ser presa por desvio milionário em campanhas beneficentes
O MP de Milão pediu que Chiara Ferragni, influenciadora italiana, seja presa por 1 ano e 8 meses por ter desviado 2,2 milhões de euros (cerca de R$ 13,7 milhões) de arrecadações de campanhas de caridade. Os procuradores Eugenio Fusco e Cristian Barilli dizem que Ferragni, com mais de 28 milhões de seguidores, ganhou dinheiro à sombra de obras de caridade. De 2021 a 2023 ela vendeu pandoros e ovos de Páscoa com seu rosto, alegando que o lucro ajudaria causas beneficentes. A acusação afirma que quem comprou acreditou que todo o dinheiro iria para instituições de caridade, mas isso não aconteceu. As investigações mostraram que as doações foram feitas antes das vendas começarem e foram muito menores que o que foi arrecadado depois. O dinheiro deveria ter ido para um hospital infantil em Turim e para uma ONG que cuida de crianças com deficiência. Depois que o caso veio à tona, Ferragni enviou 1 milhão de euros (R$ 6,2 milhões) ao hospital e 1,2 milhão de euros (R$ 7,5 milhões) à ONG. Desde que as acusações surgiram, Ferragni perdeu vários contratos de publicidade. Na terça‑feira (25), ela compareceu ao tribunal e apresentou sua defesa. Agora cabe ao judiciário italiano decidir se aceita a condenação pedida pelo MP. Ferragni já assinou um acordo para devolver o dinheiro às vítimas.
O medíocre texto de uma jornalista da Globo sobre a “extradição” de Ramagem: O “pequeno” detalhe esquecido
Não vai chegar a Trump; o pedido de extradição será descartado de imediato, por uma razão bem simples. Já foi reconhecido pelos Estados Unidos que o sistema judicial brasileiro persegue políticos, o que levou a sanções diplomáticas contra diversos ministros. A legislação dos EUA impede a extradição quando há perseguição política. A jornalista militante da Globo esqueceu de mencionar esse ‘pequeno’ detalhe no texto. A interpretação não vem só de Trump. Sob o governo Biden, o Departamento de Justiça dos EUA recusou a extradição de Allan dos Santos, alegando que ele é vítima de perseguição política. Conforme a mídia nacional, agentes do FBI foram a Brasília para justificar a recusa. Eles afirmaram que o ‘crime’ de Allan era apenas palavras, o que irritou alguns membros do Ministério da Justiça brasileiro. A realidade é que Ramagem se soma à lista crescente de brasileiros forçados ao exílio pela ditadura.
“Bessias” vai ao Senado, mas sequer é recebido por Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está confiante de que vai impedir a nomeação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. É por isso que o indicado nem foi chamado para entrar no gabinete de Alcolumbre. Na quarta‑feira, 26, Messias apareceu no Senado e conversou cara a cara com os parlamentares. Ao ser perguntado sobre Alcolumbre, Messias admitiu, meio envergonhado, que ainda não conseguiu falar com ele, porém garantiu que o encontro acontecerá na hora certa. A nomeação de Messias acendeu ainda mais a briga entre o governo e o Senado. Alcolumbre, junto com a maioria dos senadores, queria o senador Rodrigo Pacheco (PSD‑MG). Para piorar, o governo nem informou ao presidente do Senado que a decisão seria feita na quinta‑feira passada, o que deixou Alcolumbre ainda mais irritado com o Planalto. A situação de Messias ficou complicada: ele ainda tem que angariar 41 votos dos senadores, e isso não será tarefa simples.
Novo fenômeno Bolsonaro assusta o sistema com explosivo recorde de filiações no PL
Depois que prenderam Jair Bolsonaro no sábado (22), o PL viu chegar uma enxurrada de filiados. Em dois dias, mais de 20 mil pessoas se inscreveram, enquanto antes o partido somava só cerca de cem novos membros por dia. Até sexta (21) o PL seguia com o mesmo número de filiações que vinha tendo desde janeiro. Quando prenderam o ex‑presidente, a base reagiu na hora, aumentando muito os cadastros. Nos dois dias seguintes – domingo e segunda – o ritmo continuou forte, com cerca de 10 mil novos nomes por dia, de acordo com informações internas do partido. Coincidentemente, o PL tinha começado na sexta uma campanha para captar novos membros, o que ajudou a impulsionar o número de filiações. Nos anúncios, apareceram caras conhecidas do partido, como o deputado Nikolas Ferreira e a ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro. Dentro do PL, os dirigentes dizem que a prisão serviu de gatilho, tirando do fundo a chamada “indignação silenciosa” da direita. Agora o PL tem 893 mil filiados. A sigla de Bolsonaro mostra que consegue reunir gente rápido, sobretudo quando ele é alvo da Justiça. Os líderes do PL veem esse salto de filiações como mais que um símbolo; é um jeito de provar força política num período difícil, mostrando que o núcleo duro do bolsonarismo ainda está vivo e pronto para agir.
AO VIVO: PF vai monitorar a comida de Bolsonaro / Justiça equipara vigília religiosa a tumulto (veja o vídeo)
Na cadeia de Brasília, a Polícia Federal vai ficar de olho em cada refeição que Bolsonaro receber. Ele não aceita a comida da prisão; só come o que a família lhe envia. É mais um episódio da perseguição ao ex‑presidente. Agora ainda querem tratar a vigília religiosa como tumulto, ferindo a liberdade de expressão e a fé cristã. Essa decisão pode criar um precedente perigoso, ameaçando a liberdade religiosa no país. O senador Flávio Bolsonaro está à frente das conversas com Paulinho da Força, relator do PL da Dosimetria na Câmara. O projeto pode abrir caminho para conceder anistia. No programa Bom Dia, JCO, vão discutir o tema com a vereadora Fernanda Barth e o jornalista José Carlos Bernardi. Assista, compartilhe e ajude o Jornal da Cidade Online!
A perfídia veste farda
Traição deixa uma mancha que nunca sai. Quando vem de quem deveria ser exemplo de honra e proteção, o estrago é enorme. Foi o que muitos viram nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, sentindo-se traídos, sem confiança e abandonados moralmente. Ver civis pacíficos sendo presos na frente do Quartel‑General do Exército, em Brasília, virou símbolo desse abandono. Quem esperava ajuda ou ao menos a presença dos militares encontrou portas trancadas e depois repressão. Isso gravou na cabeça de milhões a ideia de que o Exército não só deixou de proteger, como também não agiu com clareza e honestidade. O caso não acabou ali. A impressão de omissão, cumplicidade ou até conluio criou uma crise de confiança que ainda ecoa. No meio disso, o STF abriu um julgamento político contra Bolsonaro e seus apoiadores, colocando generais que foram ministros no governo Bolsonaro como réus, acusados de tentar um golpe que não existe. Esse processo partiu de acusações sem provas, movido mais por pressão política e pela narrativa do momento do que por base jurídica. Juntando tudo, parece que vivemos uma época em que as instituições agem mais por conveniência que por dever. A lealdade, que antes era sagrada, virou algo que se negocia. Traição não é coisa leve. No direito internacional e nas Convenções de Genebra, ela está entre as piores violações éticas em guerra. Mesmo quando há combate e decisões difíceis, existem limites. Enganar alguém fingindo proteção, neutralidade ou segurança é proibido porque quebra o mínimo de humanidade no conflito. Levar esse conceito para fora da guerra, para a relação Estado‑cidadão, dá ainda mais peso. Não é só crítica política, é acusação moral: quem devia proteger acabou machucando; quem devia manter a ordem criou confusão e desconfiança; quem era a garantia de segurança virou causa de um desconforto histórico. Prender generais da própria tropa é um dos maiores dilemas éticos que as Forças Armadas brasileiras já tiveram. Recuperar a confiança não vai acontecer com notas, discursos ou cerimônias. Quando a confiança quebra por traição, só a verdade clara e pública pode reparar o dano. Assim, o país, entre processos judiciais, lutas políticas e narrativas, aguarda que a farda volte a representar honra, e não traição.
Gigante da tecnologia assombra o mercado com demissão em massa de 6 mil e revela algo bastante dolorido
Essa notícia deixou o mercado assustado. Grandes companhias às vezes precisam cortar milhares de cargos quando a crise aperta. Mas o que a HP fez é ainda mais cruel: quem perder o emprego será substituído por máquinas de inteligência artificial. A HP tem cerca de 56 mil empregados espalhados pelo planeta. Ela planeja eliminar 6 mil desses postos até outubro de 2028, segundo o próprio plano da empresa. Já no começo de 2025, a empresa mandou embora cerca de 2 mil pessoas. A última medida veio depois que a HP admitiu que, nas projeções, o lucro do próximo exercício ficará aquém do esperado. Cortar o quadro de pessoal deve gerar uma economia de cerca de um bilhão de dólares por ano até 2028.