A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta‑feira (29), uma operação destinada a apurar suspeitas de corrupção envolvendo o deputado federal Eduardo Velloso (União‑AC). A investigação concentra‑se em possíveis irregularidades na contratação de empresas para a realização de shows no município de Sena Madureira, interior do Acre, ocorridos em setembro de 2024. A ação foi autorizada pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como objetivo rastrear o percurso de recursos públicos que, em tese, deveriam ter sido empregados em atividades culturais e de lazer para a população local. No centro do inquérito está um suposto desvio de aproximadamente R$ 912 mil, provenientes das chamadas “Emendas Pix”. Esse tipo de emenda parlamentar permite a transferência direta de verbas da União para estados e municípios, sem a exigência de convênios detalhados ou prestação de contas prévia, modelo que tem sido alvo de críticas e questionamentos por órgãos de controle. De acordo com a Polícia Federal, os investigados podem ter praticado crimes como associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. As suspeitas incluem superfaturamento e até a possível simulação de serviços relacionados aos eventos realizados em Sena Madureira. Para avançar nas apurações, os agentes federais cumpriram 14 mandados de busca e apreensão, executados simultaneamente no Acre e no Distrito Federal. O objetivo foi recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam comprovar o uso irregular dos recursos públicos. Até o momento, o gabinete do deputado Eduardo Velloso não divulgou posicionamento oficial sobre a operação nem sobre as acusações que motivaram a investigação.
Ao vivo: Gleisi entrega Lula e expõe o Planalto (Veja o vídeo!)
Uma declaração da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, caiu como uma bomba política em Brasília e colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de mais uma controvérsia sensível. Ao afirmar que Lula tinha conhecimento prévio dos contratos firmados pelo ex‑ministro do STF Ricardo Lewandowski com o Banco Master, Gleisi realizou o que a oposição chama de “entrega política” do presidente. O que antes era tratado como assunto restrito à atuação de Lewandowski no setor privado passou, a partir da fala da dirigente petista, a atingir diretamente o Palácio do Planalto. Defesa que virou problema Segundo aliados, a intenção de Gleisi era simples: afastar suspeitas de irregularidade e demonstrar que não havia nada de oculto na relação entre Lewandowski e o banco. O efeito, porém, foi devastador do ponto de vista político. Ao assumir publicamente que Lula sabia dos contratos, a presidente do PT eliminou uma das linhas de defesa mais usuais em crises desse tipo: o desconhecimento do chefe do Executivo. Com isso, o presidente deixa de ser apenas espectador e passa a ser visto como alguém plenamente ciente das relações envolvendo um ex‑ministro do Supremo. O foco saiu de Lewandowski e caiu no colo de Lula Até a declaração, o debate girava em torno do comportamento de Lewandowski após deixar o STF e de sua relação com o mercado financeiro. Depois da fala de Gleisi, o centro da crise mudou completamente de endereço. Agora, a pergunta que ecoa nos bastidores de Brasília não é mais “o que Lewandowski fez”, mas “por que Lula sabia e concordou”. Politicamente, isso amplia o desgaste do presidente e fornece munição para adversários que já criticam a proximidade entre governo, Judiciário e sistema financeiro. Desgaste político em plena tentativa de reaproximação com o centro O episódio ocorre em um momento delicado para o governo. Lula tenta reduzir a rejeição, reconstruir pontes com o centro político e sinalizar moderação. A fala de Gleisi, no entanto, empurra o presidente novamente para o centro de uma narrativa de aparelhamento e de relações cruzadas entre poder político e instituições. Não se trata, neste momento, de acusação jurídica formal. O problema é outro: imagem, narrativa e desgaste acumulado. A “entrega” que o Planalto não precisava Nos bastidores, a avaliação é que Gleisi falou além do necessário. Ao tentar blindar o partido, acabou retirando camadas de proteção do presidente. O resultado é um novo flanco aberto, num governo que já enfrenta dificuldades para controlar crises de comunicação e alinhamento interno. Para críticos, o episódio reforça uma percepção recorrente: o PT governa como se estivesse permanentemente em campanha, priorizando a militância em detrimento da estratégia institucional. Olhando para 2026 Isoladamente, o caso pode não derrubar o governo. Mas, somado a outros episódios, contribui para a construção de uma narrativa de desgaste contínuo em torno de Lula. Em política, a sucessão de pequenos ruídos costuma pesar mais do que um grande escândalo. E, desta vez, o ruído veio de dentro.
Esquerda em fúria: Gilmar Mendes reage à lei de Santa Catarina que elimina cotas nas universidades
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), sancionou uma lei que proíbe a adoção de cotas raciais e de políticas voltadas a minorias, como pessoas trans, nas universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do Estado, inclusive por meio de bolsas. A norma vale tanto para o ingresso de estudantes quanto para a contratação de professores, técnicos e demais profissionais, vedando reservas de vagas, ações afirmativas ou vagas suplementares baseadas em critérios de raça, identidade de gênero ou outras minorias. A legislação mantém apenas: cotas para pessoas com deficiência; critérios exclusivamente econômicos; reserva de vagas para estudantes que concluíram o ensino médio em escola pública. Embora não mencione explicitamente raça ou identidade de gênero, a lei restringe os critérios permitidos, o que, na prática, elimina essas políticas. A medida não se aplica a instituições federais, como a UFSC e os institutos federais. Instituições afetadas Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); instituições vinculadas à Acafe; faculdades privadas que recebem recursos dos programas Universidade Gratuita e Fumdesc. Penalidades previstas multa administrativa de R$ 100 mil; corte de repasses públicos; processo administrativo disciplinar contra agentes públicos responsáveis pelas normas dos certames. Como era de se esperar, a esquerda reagiu e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Gilmar Mendes determinou prazo de 48 horas para que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e o governo estadual se manifestem sobre a lei recém‑sancionada.
Condenação absurda de 14 anos a moradora de São Lourenço pelos atos de 8 de janeiro
O Supremo Tribunal Federal condenou Romilde Rosa Ferreira, moradora de São Lourenço, sul de Minas Gerais, pela participação nos episódios de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A decisão fixou pena total de 14 anos de prisão, responsabilizando-a por envolvimento direto na mobilização que culminou na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Do total da condenação, 12 anos e seis meses deverão ser cumpridos em regime de reclusão e um ano e seis meses em detenção, ambos inicialmente em regime fechado. A acusada foi considerada culpada pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, dano ao patrimônio tombado e associação criminosa armada. Além da pena privativa de liberdade, a sentença impôs cem dias‑multa e a obrigação de contribuir, de forma solidária com os demais réus, para o pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. Os valores de indenização serão destinados ao fundo de recuperação dos bens públicos danificados durante os atos. Na avaliação do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, Romilde exerceu papel relevante na estruturação das manifestações, atuando como organizadora e financiadora. Segundo as investigações, ela teria contratado um ônibus para transportar manifestantes de municípios do sul de Minas, como Itamonte, São Lourenço e Caxambu, até a capital federal. Documentos anexados aos autos indicam que ao menos R$ 13 mil foram arrecadados por meio de transferências via Pix, sob coordenação da condenada. Ainda conforme o processo, Romilde orientou que o grupo desembarcasse diretamente no acampamento instalado em frente ao Quartel‑General do Exército, em Brasília. Os autos também apontam que os participantes teriam sido informados, de forma enganosa, de que a viagem tinha como objetivo a participação em um “grande culto” religioso. Relatórios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Senado Federal estimam que os prejuízos materiais causados às sedes dos Três Poderes superaram R$ 25 milhões. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Romilde Rosa Ferreira está sob monitoramento eletrônico, com uso de tornozeleira, desde 13 de março de 2023. No julgamento, o STF decidiu manter a própria competência para analisar o caso, argumentando que os fatos de 8 de janeiro estão ligados a investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado. Em seu voto, Moraes classificou os acontecimentos como crimes multitudinários, sustentando que todos os envolvidos devem responder coletivamente pelos danos causados. Os ministros Cristiano Zanin e Edson Fachin acompanharam o relator, apresentando divergência apenas quanto à dosimetria da pena. Já Nunes Marques e André Mendonça votaram pela absolvição, alegando ausência de provas de participação direta da acusada nas depredações e falta de dolo nos crimes de maior gravidade.
Lula e Trump conversam por telefone sobre economia, segurança e Venezuela
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump mantiveram uma conversa telefônica na segunda‑feira, 26, com duração aproximada de 50 minutos. Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, o diálogo abordou temas econômicos e de segurança internacional. De acordo com o Palácio do Planalto, Lula e Trump trocaram dados e avaliações sobre os indicadores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos. A análise conjunta apontou perspectivas consideradas positivas para as duas economias nos próximos períodos. Ainda conforme o governo, Trump afirmou que o crescimento econômico brasileiro e norte‑americano traz benefícios não apenas para os dois países, mas para toda a região. Os presidentes também ressaltaram o bom nível de relacionamento construído nos últimos meses, o que teria contribuído para a redução de parte relevante das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. No campo da segurança, Lula reiterou uma proposta encaminhada ao Departamento de Estado dos Estados Unidos em dezembro, com foco no fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado. O presidente brasileiro manifestou interesse em ampliar ações conjuntas contra a lavagem de dinheiro, o tráfico de armas e o congelamento de ativos de organizações criminosas, além de defender maior intercâmbio de informações sobre transações financeiras. Segundo o Planalto, as sugestões apresentadas pelo governo brasileiro foram bem recebidas por Trump, que demonstrou abertura para aprofundar a cooperação entre os dois países nessas áreas. Venezuela entra na pauta da conversa Durante o telefonema, Lula e Trump também trocaram impressões sobre o cenário político e social da Venezuela. O presidente brasileiro destacou a importância de preservar a paz e a estabilidade na região, além de atuar em favor do bem‑estar da população venezuelana. Ao final da conversa, ficou acertada a realização de uma visita oficial de Lula a Washington. A viagem deverá ocorrer após compromissos internacionais do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, previstos para fevereiro, em data ainda a ser definida.
Entidade renomada cobra explicações ao irmão de Toffoli sobre origem de recursos
A Transparência Internacional Brasil voltou a pressionar por esclarecimentos sobre a origem dos recursos atribuídos ao padre José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Em publicação feita na rede social X, a entidade afirmou: “Esperamos que o padre J. C. Dias Toffoli tenha comprovação da origem dos recursos e que seus investimentos em hotelaria de luxo possam ser esclarecidos, assim como os negócios com gente ligada ao Master e à JBS”. A cobrança ocorreu após a divulgação de novos documentos e reportagens que apontam a participação de familiares do ministro em empreendimentos da rede de resorts Tayayá, localizada no Paraná. As informações indicam, inclusive, a existência de um segundo projeto em fase de construção nas margens do Rio Paraná. Segundo as apurações, irmãos de Toffoli teriam atuado como sócios em empresas relacionadas aos resorts e assinado atos societários em assembleias. Cobranças se intensificam após novas revelações O novo posicionamento da Transparência Internacional reforça manifestações anteriores da entidade sobre o mesmo tema. Na quinta‑feira, 22, a organização já havia declarado que “já há um conjunto de evidências muito mais que suficientes para que a PGR [Procuradoria‑Geral da República] e o Senado instaurem procedimentos de apuração”. Na ocasião, a entidade destacou dados divulgados pela imprensa que apontam aportes financeiros ligados a pessoas e estruturas associadas ao Banco Master, movimentações envolvendo a venda de cotas societárias, envio de recursos ao exterior e registros que sugerem a utilização frequente do resort pelo ministro do STF. Além disso, horas depois, a organização criticou a decisão da PGR de arquivar o pedido de afastamento de Dias Toffoli da relatoria de um processo que envolve o Banco Master no Supremo. Ao comentar uma nota divulgada pelo ministro Gilmar Mendes sobre o arquivamento, a Transparência Internacional declarou: “A sociedade e as instituições brasileiras precisam impedir que o Sistema de Justiça funcione como um grande Gilmarpalooza”, em alusão ao apelido atribuído por opositores ao Fórum de Lisboa, evento anual organizado por instituto do qual Gilmar Mendes é sócio‑fundador.
CIP realiza ato em memória às vítimas do Holocausto e alerta contra o antissemitismo
A Congregação Israelita Paulista (CIP) sediou, neste domingo (25), o Ato em Memória às Vítimas do Holocausto, reunindo autoridades civis, diplomatas, lideranças políticas e religiosas, sobreviventes e membros da comunidade judaica. O evento, realizado por ocasião do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, reforçou a necessidade de preservar a memória, combater o antissemitismo e defender a dignidade humana. O ato contou com o apoio da Confederação Israelita do Brasil (Conib), da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), da própria Congregação Israelita Paulista e da organização StandWithUs Brasil. Compareceram o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado, Gilberto Kassab, o ex‑chanceler Celso Lafer e o secretário municipal de Justiça, André Lemos, que representou o prefeito Ricardo Nunes. A cerimônia teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, cantado por Sabrina Shalom. Em seguida, a presidente da CIP, Laura Feldman, ressaltou que lembrar o Holocausto exige um compromisso ativo no presente. “A memória do Holocausto sem ação não basta. É preciso transformar o ‘Nunca Mais’ em atitudes concretas contra o antissemitismo e toda forma de intolerância”, afirmou. A presidente da Fisesp, Célia Parnes, apontou os sinais que antecedem tragédias históricas. “O Holocausto não ocorreu por falta de alertas, mas porque o mundo se acostumou ao ódio e à relativização dos fatos. Hoje, a proteção aos judeus deixa de ser uma questão comunitária e torna‑se um teste moral para toda a sociedade e para os governos. Quando a desumanização volta a circular com aparência de normalidade no discurso público, reconhecemos sinais que a história nos ensinou a não ignorar. Silenciar ou minimizar esses alertas prepara o terreno para que a barbárie se repita”. O cônsul‑geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, destacou o papel da verdade e da empatia em tempos de desinformação. “Vivemos um momento em que mentiras tentam se impor sobre os fatos e o ódio busca se sobrepor à empatia. Cabe a todos nós garantir que a empatia prevaleça”, declarou. Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, enfatizou que a memória do Holocausto serve sobretudo como alerta para o futuro. “O Holocausto não aconteceu de forma súbita. Foi construído passo a passo, com a normalização do ódio, o enfraquecimento das instituições democráticas e o silêncio diante do extremismo”. Segundo ele, “combater o antissemitismo não é uma pauta ideológica, mas uma missão de toda a sociedade, para impedir que o ódio volte a produzir novas vítimas”. Antes da fala do governador, André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, reforçou o caráter permanente do compromisso com a memória. “Lembrar o Holocausto não é apenas um exercício de recordação histórica, mas um compromisso com o presente e uma garantia para o futuro. A memória é uma ferramenta essencial para combater o ódio e a indiferença”. Em seu discurso, o governador Tarcísio de Freitas destacou que a maior homenagem às vítimas consiste em impedir que tragédias semelhantes se repitam. “Não podemos permitir que o Brasil se perca no ódio. O Holocausto não surgiu de forma abrupta; ele foi resultado da normalização do extremismo, da disseminação de falsidades e da omissão diante de sinais claros”. O governador também ressaltou a adesão do Estado de São Paulo à definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). “Só existe uma maneira de honrar essas vítimas: não permitir que isso aconteça novamente. Tornar esse conceito vivo é proteger a comunidade judaica e fortalecer a democracia”. Um dos momentos mais emocionantes foi a fala da sobrevivente Ruth Sprung Tarasantchi, cujas gravuras estavam expostas na entrada do evento. Nascida em 1933, em Sarajevo, então parte da Iugoslávia, Ruth sobreviveu à perseguição nazista após fugir com a família, passando quatro anos confinada no campo de Ferramonti, na Itália. Naturalizada brasileira, é artista plástica, historiadora da arte, escritora e diretora do acervo do Museu Judaico de São Paulo. Aos 92 anos, Ruth compartilhou seu testemunho, lembrando a destruição da comunidade judaica de sua cidade natal, Bugojno, e a perda de familiares assassinados no Holocausto. “Eu tive sorte”, repetiu, ao relembrar a sobrevivência apesar da fome, da perda da liberdade e da espera interminável no confinamento. Para ela, testemunhar significa transformar a dor em legado e garantir que a história não seja esquecida. A cerimônia foi conduzida por Ricardo Berkiensztat, presidente executivo da Fisesp, que atuou como mestre de cerimônias. O chazan Avi Bursztein interpretou “Shmá Israel”, enquanto o chazan Marcio Besen cantou o Hino dos Partisans, símbolo da resistência judaica durante a Segunda Guerra Mundial. Seis velas foram acesas ao longo da solenidade, simbolizando os seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista e todas as demais vítimas do ódio, da intolerância e da perseguição. O ritual envolveu diplomatas, lideranças comunitárias e religiosas, autoridades políticas, jovens e sobreviventes, reforçando a transmissão da memória entre gerações. O público também assistiu ao teaser do documentário “Soul on Fire”, que retrata a trajetória de Elie Wiesel, sobrevivente do Holocausto e laureado com o Nobel da Paz, cuja vida foi dedicada à memória, à dignidade humana e ao combate à indiferença. A obra terá exibição especial seguida de debate no Cine Belas Artes, no dia 27 de janeiro. O ato foi encerrado com o Hino de Israel, interpretado pela cantora Fortuna. Mais do que um evento institucional, o encontro constituiu um chamado à consciência coletiva. Ao recordar o Holocausto, a comunidade judaica e a sociedade brasileira reafirmam um compromisso essencial: nunca esquecer, nunca silenciar e nunca permitir que o ódio se normalize — porque a memória não é apenas um tributo ao passado, mas uma responsabilidade com o futuro.
Lulinha solicita acesso ao inquérito da Farra do INSS
Lulinha já contratou um advogado, que já se habilitou no inquérito da Farra do INSS, que investiga um esquema bilionário de roubo a aposentados e pensionistas. A defesa será conduzida pelo criminalista Guilherme Suguimori Santos, que solicitou acesso aos autos em 19 de janeiro. Conforme apurado, Lulinha recebia mesada do “Careca do INSS” e está profundamente envolvido na fraude.
Caiado entra no PSD, Kassab movimenta o tabuleiro e Tarcísio se cala: os riscos para a direita em 2026
A filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD é, por si só, um movimento coerente: ele deixa um partido em processo de esvaziamento para aderir a uma legenda estruturada, pragmática e com capilaridade nacional. Até aí, o jogo está feito. O ponto político relevante, porém, está no cenário do anúncio, não no ato formal. Caiado não se filiou discretamente. Ele apareceu ao lado dos governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, ambos com ambições presidenciais, sob o guarda‑chuva de Gilberto Kassab, reconhecido como um dos operadores mais habilidosos da política brasileira contemporânea. Kassab não realiza movimentos inocentes; ele monta tabuleiros. Na prática, Kassab é o fiador político do governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Ele controla secretarias‑chave, articula com o centro e garante a governabilidade. Não é exagero dizer que Kassab atua como engenheiro político, o homem forte, enquanto Tarcísio exerce a função de gestor‑executivo. E aqui surge o ponto sensível: Tarcísio é bolsonarista declarado e já sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro como alternativa presidencial do campo conservador. Portanto, quando Kassab chancela publicamente a pré‑candidatura de Caiado, não está apenas acolhendo um governador; está testando um nome no mercado eleitoral de 2026. Essa filiação poderia interferir no governo de São Paulo? Administrativamente, não. Politicamente, sim – e de forma significativa. Não há indício de que Tarcísio perca o controle do governo paulista por esse motivo. Kassab não age contra seus próprios interesses. Contudo, o movimento cria uma tensão estratégica silenciosa, já que Caiado passa a concorrer diretamente no mesmo eleitorado conservador‑liberal. Kassab passa a diversificar suas apostas, comportamento típico de quem deseja estar no centro do poder, independentemente de quem vença. O PSD se posiciona como partido‑ponte, capaz de dialogar tanto com bolsonaristas quanto com setores mais moderados. Tarcísio de Freitas sabia? Apoiou? Quase certamente, sim. Kassab não faz movimentos desse porte sem informar seus aliados estratégicos. Tarcísio não é ingênuo nem alheio ao jogo nacional. Apoiar, no sentido político‑eleitoral, parece improvável neste momento. O silêncio de Tarcísio é eloquente: ele não endossou Caiado, não se associou ao evento e não alterou sua sinalização em relação a Flávio Bolsonaro. O mais provável é que Tarcísio tolere o movimento por pragmatismo, mantendo o foco em São Paulo e preservando sua imagem de gestor, enquanto Kassab concentra esforços na articulação nacional. 2026 já começou, e começou pelos bastidores. Kassab não acredita em um candidato único antecipado; prefere manter um portfólio de opções. Caiado quer se vender como o “conservador institucional”, menos conflitivo que o bolsonarismo de raiz. Tarcísio continua sendo um ativo forte, mas não controla sozinho o xadrez. A filiação de Caiado não ameaça o governo de Tarcísio, mas revela uma disputa silenciosa pelo futuro da direita. Kassab joga em múltiplas mesas; Tarcísio joga com cautela; Caiado tenta ocupar um espaço entre o bolsonarismo e o centrão. Não se trata de ruptura. Não se trata de traição. É política em estado puro, fria, calculada e antecipada. Até que ponto essa movimentação no tabuleiro político prejudica a candidatura de Flávio Bolsonaro? A soma dos três potenciais presidenciais – Caiado, Leite e Ratinho Jr. – não ameaça a candidatura do PL de Flávio Bolsonaro, mas anima a Faria Lima. Continuo acreditando na eleição de Flávio Bolsonaro.
Morre Nilton Cesar, ícone da música brasileira e cantor do bolero “Receba as flores que lhe dou”
O cenário da música romântica brasileira perdeu um de seus maiores expoentes nesta quarta‑feira (28). O cantor e compositor Nilton Cesar faleceu em São Paulo, aos 86 anos. Embora tenha iniciado sua trajetória no rastro da Jovem Guarda, foi no final da década de 1960 que Nilton Cesar atingiu o status de superestrela. Em 1969, ele gravou o que seria o maior hino de sua carreira: “Férias na Índia”. A canção, que estourou nas rádios em 1970, tornou‑se um fenômeno de vendas em uma era pré‑digital: – Mais de 500 mil cópias vendidas. – Inúmeros discos de ouro. – Destaque constante em premiações e troféus da imprensa especializada da época. – Presença marcante na TV e no rádio. Com um estilo elegante e voz aveludada, Nilton Cesar era figura carimbada nos principais palcos do país. Sua presença era disputada pelos grandes auditórios da televisão brasileira, sendo convidado frequente do Programa Silvio Santos e das edições festivas da Jovem Guarda. Sua discografia, no entanto, foi além de um único sucesso. Ele embalou milhares de romances com hits como: – A Namorada que Sonhei – Amor… Amor… Amor… – Felicidade – Espere um Pouquinho Mais – Amigo Não – Receba as flores que lhe dou Nilton Cesar personificou uma era em que a música popular brasileira dialogava diretamente com o sentimento das massas. Ele deixa um legado de dezenas de álbuns e uma legião de fãs que, por décadas, mantiveram suas canções vivas nos karaokês e serestas por todo o Brasil. SEU APOIO É MUITO IMPORTANTE! CONTAMOS COM VOCÊ!