Após o recente confronto com o ministro Gilmar Mendes, a ministra Cármen Lúcia decidiu quebrar o silêncio. Nesta sexta-feira (17), ela reconheceu publicamente que a crise de confiabilidade da população brasileira no Poder Judiciário, especialmente no Supremo Tribunal Federal, é “grave” e precisa ser admitida pelos magistrados.
A ministra ponderou que, apesar de existirem “erros e equívocos” que necessitam de correção, a instituição segue sendo fundamental para assegurar os direitos dos cidadãos garantidos pela Constituição.
“Nós precisamos do Poder Judiciário. Ainda que seja, como tudo na experiência humana, limitado na imperfeição que é própria da humanidade. Cada vez precisa ser melhor, para que o Direito seja aplicado e o cidadão tenha mais confiança. A crise de confiabilidade no Poder Judiciário é séria, grave e precisa ser reconhecida.”
Em complemento, Cármen Lúcia afirmou:
“Nós temos no Brasil o problema da confiabilidade, principalmente no Supremo, tenho ciência disso. É preciso também saber o que há de equívocos e erros que precisam, sim, ser aperfeiçoados. Mas há um movimento internacional, que a gente sabe, para que não tenhamos Poder Judiciário.”
Pesquisa recente do Datafolha revelou que o índice de brasileiros que não confiam no Supremo alcançou patamar histórico, atingindo 43%. Entre aqueles que dizem “confiar muito”, o percentual despencou de 24% para 16%.
O aumento da desconfiança está relacionado ao suposto envolvimento de ministros da Corte com o escândalo do Banco Master.
