Não há mais prudência, cautela, vergonha ou pudor. Tudo agora acontece às claras, sem disfarces.
O processo começou lá atrás, disfarçado como “combate às fake news”, censurando veículos de comunicação, chamando de “ataques às instituições democráticas” denúncias de enriquecimentos incompatíveis com a renda de funcionários públicos de alto escalão, demissão de técnicos subalternos que denunciavam indícios de corrupção, perseguidos como infratores de um “sigilo profissional” distorcido para a blindagem de ilicitudes.
CPIs, inquéritos secretos, reportagens, atropelos das leis com interpretações pra lá de criativas, “golpes” forjados, prisões espetaculosas — tudo meticulosamente ensaiado para criar um cenário de “ataque à democracia”, “perigo para as instituições”, paulatinamente executado e repetido para incutir no imaginário coletivo a crença de que um “fascismo” inexistente ameaçava a nação e os déspotas, que foram concentrando e acumulando poderes, seriam a única salvação possível.
Muitos caíram no conto e muitos ainda acreditam.
À medida em que os poderes foram se concentrando e as pessoas obedecendo, o destemor e a ousadia foram crescendo.
Hoje não se acham mais obrigados a justificar patrimônios milionários, incompatíveis com seus salários públicos, nem dar satisfações sobre contratos estratosféricos firmados com notórios criminosos, voos em seus jatos, festas e degustações nababescas, sociedades em resort, cassinos etc.
Pelo contrário, quando suspeitas são levantadas, são os denunciantes a serem perseguidos e punidos. Com direito a reprimendas e pitos humilhantes divulgados ao vivo!
Ameaçam, chantageiam, perseguem, censuram e prendem na cara dura, ao vivo e a cores.
Chegaram ao ponto de proibirem qualquer denúncia ou investigação sobre eles, que não sejam autorizadas, investigadas e julgadas por eles próprios.
Não satisfeitos em dominarem o cenário nacional, inspirados em Stalin ou Mao, não sei, passaram a perseguir, monitorar e espionar dissidentes em outros países. Emitirem ordens secretas contra cidadãos estrangeiros, a serem cumpridas por empresas de outra nacionalidade, atropelando ou ignorando todos os tratados diplomáticos de relações bilaterais.
Realmente acreditaram ser onipotentes, onipresentes, intocáveis e impuníveis.
Temerariamente ignoraram, ou menosprezaram a existência de poderes superiores aos deles, aos quais passaram a contrariar.
Irresponsável e inconsequentemente desafiaram e ameaçaram banqueiros e redes de comunicação bancadas pelos donos da grana.
Passaram a ameaçar e chantagear antigos aliados políticos, também bancados por essa mesma casta econômica.
Fizeram algo ainda pior e mais perigoso: bateram de frente com a nação mais poderosa do mundo, aliando-se e protegendo aos maiores inimigos dessa nação (vocês sabem sobre o que falo, começa com N, de narcotráfico e T, de terrorismo, além da China, Rússia, Venezuela e Irã).
O poder cega e a ambição enlouquece.
Isso não tem como acabar bem.
As consequências destes atos insanos, só Deus pode saber.
Pedro Possas. Médico.
