Chegou a vez de Merval Pereira reconhecer publicamente o equívoco. O jornalista admitiu que defendeu o controverso Inquérito das Fake News, mesmo diante dos abusos cometidos. Era a conhecida narrativa de que estavam defendendo a democracia. Aquela postura de apresentar Moraes como o salvador da democracia. Eles alimentaram esse monstro. E agora reconhecem o erro cometido.
Confira o que Merval Pereira está escrevendo agora:
“O inquérito das Fake News, por exemplo, mal iniciado há sete anos, foi muito criticado no momento por falhas técnicas, como a indicação do ministro Alexandre de Moraes como relator sem que houvesse um sorteio obrigatório. Mas seus exageros nunca foram combatidos com o devido rigor por boa parte da imprensa profissional, inclusive eu, no entendimento de que o objetivo final era correto.”
E o jornalista foi além:
“Agora já não é mais um governo autoritário que ameaça o Supremo, é o Supremo que ameaça a democracia se envolvendo em um jogo político que, a pretexto de prevenir uma volta da extrema-direita ao poder, se transforma em um instrumento de medidas autoritárias. Pior: evita que seus membros envolvidos em denúncias graves de corrupção sejam investigados por seus atos. Pela reação agressiva e desproporcional, fica a sensação de que se sentem acima de todos os demais poderes da República, não apenas na retórica. Como definiu o ministro Gilmar Mendes, o nome é Supremo ‘porque nós somos supremos’.”

Um arrependimento tardio. A democracia já não existe mais.
