O cantor de funk MC Ryan foi transferido para a Penitenciária 2 de Mirandópolis, no interior de São Paulo. A movimentação ocorreu na manhã de quinta-feira (30). O artista deixou o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste da capital paulista. As autoridades não divulgaram oficialmente os motivos da transferência.
Ryan está preso desde 15 de abril. Ele foi detido durante operação policial que investiga atividades de uma organização criminosa. O grupo é suspeito de movimentar valores superiores a R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro e transações financeiras ilegais.
A unidade prisional de Mirandópolis abriga detentos com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa é uma característica comum à maioria das unidades prisionais do estado de São Paulo. A investigação não demonstrou ainda uma relação direta entre Ryan e a facção criminosa. No entanto, ele e pessoas de seu círculo são suspeitos de manter conexões com a organização.
As suspeitas de vínculos com o PCC derivam das investigações conduzidas contra produtoras de funk acusadas de realizar lavagem de dinheiro para a facção. Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que o cantor e empresas vinculadas a ele receberam recursos financeiros dessas produtoras investigadas. As autoridades analisam o padrão de transações financeiras para determinar se há indícios de participação em organização criminosa voltada para atividades ilegais.
A prisão do funkeiro aconteceu durante evento realizado na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral paulista. Na mesma ocasião, também foram detidos o cantor MC Poze do Rodo e o influenciador digital Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. Outros investigados pela operação policial também foram presos. A ação faz parte de um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada em outubro de 2025.
O grupo utilizava a indústria audiovisual e o segmento de showbusiness digital como mecanismo para integrar atividades ilícitas. As operações associavam tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores com amplo alcance nas plataformas de redes sociais. As apurações policiais indicam que o grupo movimentava valores em escala bilionária utilizando empresas de fachada, contas de terceiros e fragmentação de transferências.
