Há cerca de um ano, quando poucos tinham coragem de se apresentar para concorrer a cargos eletivos, já se manifestava um ruído dentro do campo político da direita brasileira. O fato começou a incomodar uma expressiva parcela de conservadores convictos. Isso ocorria especialmente porque, ainda naquele período, Jair Bolsonaro, principal responsável pelo resgate da direita no país, trabalhava arduamente para unir, e não para dividir.
Esse ruído, com participação de figuras não apenas da política, mas também da imprensa e do entorno de determinados partidos, ganhou contornos mais sérios a partir de dois momentos decisivos.
O primeiro deles foi a condenação e prisão de Jair Bolsonaro em 2025. Alguns, mais afoitos e sedentos por poder, acreditavam que Bolsonaro havia sido afastado da liderança política. Foi então que, numa jogada de mestre, Bolsonaro deu sua resposta: lançou seu filho Flávio como pré-candidato.
A reação da sociedade foi imediata. Do lado dos conservadores, apoio de ponta a ponta. Para os incautos, uma surpresa que os deixou sem respiro. Mas o sentimento de desespero não foi sentido apenas pela esquerda. A surpresa foi tamanha que banhou o espírito errático daqueles que pretendiam se apropriar da direita brasileira. Eles estavam convictos de que herdariam o legado de Jair Bolsonaro.
Entre os caciques partidários, a percepção do caos foi difícil de assimilar. Afinal, não poderiam confrontar o legítimo líder da direita. Respiraram fundo e foram para o cantinho da reflexão, talvez buscando um caminho que mantivesse o lema adotado por um deles desde meados de 2020: ir contra o bolsonarismo sem perder o capital político.
Atribuída a Deltan Dallagnol em mensagens por WhatsApp de 2019, tal concepção politiqueira se tornou pública em 2021. Disse ele: “O maior desafio é descolar do Bozo – para angariar apoio dos jornalistas – sem perder o apoio dos apoiadores do Bozo.”

Esse foi um erro crucial do que viria pela frente contra o próprio Dallagnol, a partir do julgamento que o tornou inelegível. A tentativa de Deltan Dallagnol foi vista como traição ao bolsonarismo, e ele perdeu apoio popular no momento em que poderia ter contado com respaldo contra seu julgamento no TSE.
O segundo momento tem relação com a pressão crescente do tempo e a definição de candidatos. A cada dia que as eleições se aproximam, aumenta a pressão para definição de nomes. E aí não tem jeito: ou vai ou racha.
Os conchavos para candidaturas à presidência estavam em plena articulação, e quatro nomes despontavam: Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Ratinho Júnior e Eduardo Leite. Com a pressão aumentando, os dois últimos deixaram a corrida presidencial. Os outros dois, ainda titubeantes, começaram a sentir na pele que o buraco é mais embaixo quando se trata da vontade popular. Hoje, projeta-se que um deles será vice de Flávio Bolsonaro.
Particularmente, não se descarta uma espécie de teatro das tesouras invertido por seu espectro político, semelhante ao promovido por anos entre esquerdistas do PT e do PSDB, desta vez, eventualmente, entre PL e NOVO.
Saindo da esfera presidencial, o maior objetivo dos conservadores é levar adiante um pedido de Jair Bolsonaro: eleger um Senado forte, com representantes conservadores em sua maioria considerável, que tenham compromisso genuíno com o país.
A efervescência política nos estados para a escolha de nomes capazes de alcançar esse objetivo tem seu ápice no Paraná. Não é coincidência, pois é neste estado sulista que o nome de Dallagnol é apresentado como uma das opções, ao lado do deputado federal Filipe Barros.
Mesmo sabendo que o registro de Dallagnol será indeferido, ainda assim, com o objetivo de confrontar a pré-candidata Cristina Graeml — a primeira a lançar pré-candidatura ao Senado Federal e que desponta como favorita no estado — o discurso adotado foi o do enfrentamento e da provocação. E não estão jogando limpo. Dos vários fatores utilizados para tentar desqualificá-la, sem sucesso, um chama atenção: alegam que Graeml está dividindo a direita no Paraná e, em tom de ameaça, jogam sobre a pré-candidata a culpa por uma eventual eleição da esquerdista Gleisi.
Ora, se sabem que Dallagnol está inelegível até 2031, optaram pelo tumulto na pré-campanha no Paraná e não medem esforços para superar o carisma e espírito público da jornalista, sempre à base de narrativas. E trazem um nome para eventual substituição: Jeffrey Chiquini. Oportunista indisfarçável, ele ataca Cristina Graeml desde setembro de 2025, sempre à espera de ocupar a vaga de Deltan. Medo puro.
Por que os ardilosos Dallagnol, Barros e Chiquini, e o entorno deles (do PL e do NOVO), escolheram Cristina Graeml para ser apontada como divisora da direita no estado? Ela incomoda, como mostram a maioria das pesquisas? Ela, ao contrário da alegação, não seria quem agrega e une a direita? Por que não outros pré-candidatos do mesmo espectro político da direita e centro-direita? Não seriam esses, menos cotados, que abrem a possibilidade da esquerdista ser a segunda mais votada para o Senado?
Neste cenário de manipulação, a pergunta persiste: quem, afinal, estava e ainda está dividindo a direita?
O pior para eles, evidentemente, é que não encontram na pré-candidata o menor sinal de enfrentamento conforme desejam. Ela não entra no jogo deles e continua trabalhando desde fevereiro de 2025 para construir e pavimentar seu nome para a disputa eleitoral. Percorre todo o estado, apresenta propostas e não disfarça sua defesa pelos valores conservadores. E sem surpresa, para quem conhece seu caráter, apesar de tudo, Cristina mantém sua fidelidade moral e continua apoiando Flávio Bolsonaro.
Mas como diz o ditado popular, o bem sempre prevalece contra o mal. Nesta semana, o TSE emitiu a certidão que encerra definitivamente o discurso sobre a possibilidade de elegibilidade de Dallagnol, com o trânsito em julgado.
Confira o documento:

Ainda que pese a declaração de apoio a Cristina Graeml por Jair Bolsonaro há algum tempo, Flávio Bolsonaro, induzido ao erro, apontou Filipe Barros e Deltan Dallagnol, em detrimento à lógica eleitoral. Mas diante do documento que encerra a discussão sobre inelegibilidade de Dallagnol, Flávio terá que vir a público e rever seu posicionamento de apoio.
Dito isso, a pré-candidatura de Cristina Graeml para o Senado Federal, mais do que consolidada, a credencia para liderar a corrida até o final do pleito. Garra e lucidez não lhe faltam.
As tendências de apoio convergem, a cada dia, para o nome de quem trabalha por um Brasil melhor e por um Senado Federal mais forte e responsável. Cristina Graeml não procura atalhos para se apresentar. Confrontos, agressões e achismos sempre estão reservados aos fracos.
Aos que buscam esse caminho, tumultuando o processo eleitoral, que carreguem o peso de suas escolhas e das consequências. E que não queiram imputar culpa de suas ações àquela que temem.
Dividir é isso… para o pior.
