O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPMI do INSS, enviou um recado direto ao presidente Lula logo após a aprovação do pedido de quebra de sigilo de Lulinha. Em tom de ironia, ele orientou o chefe do Executivo a não ficar “com raiva” da oposição, mas sim dos líderes da base governista que, segundo ele, foram “soberbos” na condução da estratégia.
A CPMI aprovou o acesso aos dados telemáticos, bancários e fiscais de Lulinha. A votação ocorreu de forma simbólica e em bloco, ou seja, diversos requerimentos foram aprovados simultaneamente em uma única votação.
“A estratégia do governo errou pela segunda vez. Queria dizer ao Lula, que é o chefe da base: Lula, não fique com raiva do presidente, do relator e da oposição, não. Fique com raiva da sua base, fique com raiva da sua liderança porque eles erraram pela segunda vez na estratégia. Eles foram soberbos”, declarou Gaspar.
Após a divulgação do resultado, iniciou-se uma discussão generalizada no plenário. Deputados governistas se dirigiram até a mesa da CPMI do INSS e passaram a discutir acaloradamente com Viana e Gaspar. Em determinado momento, a tensão escalou: o deputado governista Rogério Correia (PT-MG) deu um soco em Luiz Lima (Novo-RJ) em meio a uma sequência de empurrões. Diante do tumulto, a sessão precisou ser suspensa.
O episódio evidencia o clima de confronto que tem marcado os trabalhos da CPMI, especialmente quando o tema envolve investigações sobre pessoas próximas ao presidente da República. A resistência da base governista em permitir a quebra de sigilo levanta questionamentos sobre o que eventualmente poderia ser revelado nos dados financeiros e de comunicação do filho de Lula.
