Há anos o Brasil enfrenta uma penúria no campo da legalidade que parece não ter fim. O pior é que a sociedade percebe claramente que toda a trama tem variantes gravíssimas vindas da mais alta corte do país.
A indignação não para e pode alcançar rapidamente a revolta. A passividade, o silêncio e a permissividade das autoridades são incompreensíveis e injustificáveis.
O ápice das ilegalidades atinge limites insuportáveis para uma sociedade que se diz democrática e legalista, enquanto o Brasil e o mundo assistem ao tratamento desumano dispensado ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro. Sua saúde está debilitada desde o atentado sofrido há quase oito anos, até hoje escandalosamente mal explicado.
O momento pede sensibilidade, mas também firmeza. Pede bom senso, mas também reação. Pede empatia, mas também grandeza.
E por fim, não pede vingança, mas justiça. Em honra e respeito à vida, aos cidadãos de bem cabe a união e a dignidade.
A Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados – AJOIA Brasil divulgou uma dura nota denunciando o “atentado” em curso. Confira o texto na íntegra:
“Um crime em curso
A situação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ultrapassa o campo da disputa política e passa a exigir uma reflexão essencialmente humanitária.
Independentemente de divergências ideológicas, o Estado tem o dever de garantir a integridade física e a dignidade de qualquer pessoa sob sua custódia. Esse princípio não é concessão política nem privilégio individual; trata-se de um fundamento elementar do Estado de Direito.
O histórico de saúde do ex-presidente, agravado desde a tentativa de assassinato que sofreu em 2018, exige atenção permanente. Episódios recentes de agravamento clínico, incluindo um quadro de broncoaspiração ocorrido durante a madrugada, levantam questionamentos legítimos sobre as condições em que ele se encontra e sobre a rapidez da assistência médica prestada.
A legislação brasileira prevê instrumentos claros para situações em que a saúde do detento corre risco, entre eles a prisão domiciliar por razões médicas ou humanitárias. Esses mecanismos existem justamente para evitar que o cumprimento de decisões judiciais se transforme em sofrimento desnecessário ou em ameaça à vida.
Negar a aplicação desses dispositivos em casos de evidente fragilidade clínica, ao mesmo tempo em que medidas semelhantes são frequentemente concedidas a condenados por crimes graves, inevitavelmente alimenta a percepção de seletividade e de injustiça.
O debate não deveria ser político, mas civilizatório. O respeito à dignidade humana não pode ser relativizado conforme a posição ideológica de quem está sob julgamento.
A história mostra que perseguições judiciais contra líderes políticos, quando motivadas por circunstâncias alheias ao direito, acabam sendo revistas e condenadas pelo tempo. Por isso, cabe às instituições brasileiras agir com equilíbrio, legalidade e, sobretudo, humanidade.
Garantir tratamento digno e adequado a qualquer preso, inclusive a um ex-presidente da República, não é um gesto político. É apenas cumprir a lei e preservar os valores mínimos de uma sociedade que se pretende democrática.”
A gravidade do caso tem mobilizado diversos setores da sociedade em defesa do cumprimento dos direitos básicos e da dignidade humana, independentemente de posições políticas.
