A rejeição de Jorge Messias ao cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal marcou o acontecimento político do ano. O indicado de Lula foi reprovado pelo Congresso Nacional pela primeira vez em 132 anos, não obtendo os votos necessários para se tornar o mais novo ministro do STF.
O cargo no STF, que já não parece mais um prêmio pelos últimos tempos, tornou-se um fardo. A mais alta corte de justiça está distante das nobres figuras de juristas respeitados que a compunham até poucos anos atrás, aproximando-se cada vez mais de um seleto grupo de ativistas políticos de toga.
Messias era a aposta e a indicação de Lula. Perdeu. Segundo relatos, o presidente esbravejou, furioso com a derrota. Calculou mal, perdeu a mão, e sinaliza que perderá a eleição que se avizinha no mês de outubro do presente ano.
Ficou claro que Lula não esperava por essa derrota e foi tomado de surpresa por esse resultado acachapante, já considerado a maior derrota da sua história política.
No minuto seguinte ao anúncio da rejeição de Jorge Messias e da derrota de Lula, surgiram confabulações, teorias e hipóteses a respeito de como tudo isso aconteceu, de como foi possível essa estratégia mal ajambrada, quem foram os responsáveis e os traidores que o deixaram exposto à vergonha pública.
A alegria em ver a derrota foi substituída pela surpresa em ver incluída no resultado da votação a figura de Moraes, que teria realizado manobras, de comum acordo com Alcolumbre, o presidente do Senado, para a rejeição de Messias. A moeda de troca seria a sinalização por parte da Direita de estancar o prosseguimento da CPI do caso Master, com a conivência do candidato Flávio.
Caso isso realmente tenha ocorrido, o jogo político alcança nuances satânicas. Questionado a respeito, Flávio negou qualquer participação em algo que conte com a participação de Moraes, o algoz do seu pai, segundo ele.
Enquanto isso, Messias já coloca seu cargo na AGU à disposição do governo, querendo manter distância de todos aqueles que, segundo ele, foram os responsáveis por essa sua frustração e agonia.
Lula, que segundo alguns está enfurecido e pretende colocar outro nome para ser sabatinado no Congresso, terá que enfrentar Alcolumbre, que afirma que não irá pautar nome algum até as eleições de outubro.
Entre mortos e feridos, danaram-se todos numa confusão estranha que teve ainda o apoio do evangélico de Direita Mendonça ao evangélico petista Messias. O objetivo era fortalecer a “bancada evangélica” no STF, que parece cada vez mais próximo de um partido político e cada vez mais distante de um lugar sério, ocupado por juristas isentos, respeitáveis, de notável saber jurídico.
Com toda essa confusão envolvendo teorias opostas entre si, até mesmo absurdas como causas para o resultado desastroso, a única certeza é a comemoração devida à colossal derrota política do camarada Lula, que se aproxima do seu ocaso.
Tal acontecimento merece um brinde, que é somente um aperitivo para o que virá. Porque virá.
Silvia Gabas – @silgabas
