A Polícia Federal identificou Vera Lúcia Santana como laranja em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao funkeiro MC Ryan SP. A mulher de 58 anos assumiu formalmente a sociedade de diversos negócios vinculados ao neto. A investigação aponta que ela desempenhou função central na blindagem patrimonial e na dissimulação societária da organização criminosa supostamente comandada pelo artista.
Vera Lúcia é companheira de Tiago de Oliveira. Os investigadores identificaram Tiago como braço direito e gestor financeiro de Ryan Santana dos Santos. O casal reside em imóvel na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. A apuração policial indica que o endereço funciona como “central corporativa” para as empresas do grupo investigado.
A avó do funkeiro foi colocada como sócia no lugar do neto em diferentes empreendimentos investigados. Entre esses negócios estão o restaurante Bololô e a empresa Bololô Eventos e Transportes. Tiago de Oliveira também figura como sócio da empresa. A estratégia teria sido adotada para ocultar o real proprietário dos estabelecimentos.
A transferência da participação societária de Ryan para Vera no restaurante Bololô ocorreu logo após o estabelecimento ser alvo de buscas da Polícia Civil. As diligências investigavam supostos vínculos do local com o Primeiro Comando da Capital e com a realização de rifas ilegais. Após a operação policial, a avó do artista assumiu a maioria das cotas do negócio.
Os investigadores apontam que Vera Lúcia também foi utilizada como “conta de passagem” no esquema. A conta bancária da mulher servia para escoar os lucros das empresas para os operadores da estrutura criminosa. Esse mecanismo permitia que os valores fossem movimentados sem vincular diretamente as transações ao funkeiro.
A avó de MC Ryan SP assina pela gestão de ativos milionários que, segundo a Polícia Federal, pertencem ao neto e são administrados por Tiago de Oliveira. Esses valores são incompatíveis com o histórico patrimonial de Vera. O restaurante Bololô movimentou 30 milhões de reais em 18 meses.
A Polícia Federal afirma que Vera Lúcia assumiu os riscos administrativos e fiscais da operação. O beneficiário final dos recursos, Ryan Santana dos Santos, permaneceu oculto. A estrutura montada teria como objetivo proteger o patrimônio do artista de eventuais ações judiciais e fiscais.
