O avanço da candidatura de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto é cadenciado, porém inexorável. Desde que foi anunciado como pré-candidato à Presidência no final de 2025 – sob muita desconfiança -, o filho ‘zero um’ de Jair Bolsonaro vem surpreendendo. Em abril, boatos cada vez mais constantes circulam sobre uma possível desistência de Lula. Em quatro meses, o petista passou de imbatível a possível desertor.
O quadro favorável a Flávio se deve a uma série de fatores e erros crassos cometidos pelo adversário e seus aliados. Um dos principais obstáculos para o petista é a juventude: 72% da geração Z (entre 16 e 24 anos) rejeitam Lula por várias razões. Mais do que o candidato, o próprio discurso de Lula envelheceu. Incapaz de operar um smartphone ou de se comunicar pelas redes sociais, suas palavras não chegam a essa geração.
Seu discurso stalinista e anacrônico que sugere aos jovens ‘não façam nada que o Estado irá prover’, numa época em que adolescentes fazem fortuna como influencers, com lojas virtuais e lançando tendências no TikTok, soa como um dialeto soviético esquecido.
Outra máquina de perder votos é a ‘Maria Antonieta brasileira’, Janja. Implacável, ela conseguiu irritar praticamente todos os segmentos da sociedade brasileira, incluindo nichos esquerdistas. No carnaval deste ano, ao forçar a barra por aquele desfile maluco que, de tão ruim, levou a Acadêmicos de Niterói ao rebaixamento, ela conseguiu jogar uma pá de cal em qualquer aproximação de seu marido Lula com o gigantesco eleitorado evangélico.
Mais recentemente, ofendeu os ambientalistas e os sensíveis ‘pais de pet’ ao devorar uma inocente paca.
No eixo Sul-Sudeste já se desenham três vitórias no primeiro turno de aliados de Flávio. Em Santa Catarina, o governador Jorginho (PL); no Paraná, Sergio Moro (PL); e no maior estado da federação, a vitória de Tarcísio (REPUBLICANOS). Se esses três candidatos se elegerem no primeiro turno, isso deve aumentar muito a margem da vitória de Flávio nesses estados, colocando-o também muito próximo de uma vitória logo no primeiro turno.
No Rio, o candidato aliado de Lula, o prefeito Eduardo Paes, estava com a eleição para o Palácio da Guanabara praticamente ganha até que o próprio Flávio escolheu um desconhecido deputado estadual, Douglas Ruas, para concorrer ao governo fluminense. Em fevereiro, a pesquisa Prefab-Future indicou Eduardo Paes com 43% das intenções de voto no cenário estimulado. Douglas Ruas apareceu com 5,1%, e a eleição para o governo carioca parecia assunto encerrado.
Agora, em abril, um levantamento divulgado pelo Instituto Veritá apontou Eduardo Paes com 46% e Douglas Ruas com 32%. Um crescimento de 640% em 70 dias do candidato do PL e, de repente, o pânico toma conta da campanha de Eduardo Paes.
Porém, a melhor notícia vem do Norte e Nordeste. Estados onde Lula ganhou fácil em 2022 mostram um cenário bem diferente em 2026. No Amazonas, pesquisas mostram Flávio na liderança com 50% das intenções de voto, enquanto Lula tem 41%. No Pará, eterno reduto dos Barbalhos e aliados históricos de Lula, Flávio surpreendentemente tem 55% das intenções, enquanto o presidente da República aparece com apenas 37%. Ainda na região Norte, no Tocantins, Flávio marca 58% e Lula, 28%.
O Nordeste traz mais boas notícias para o senador. Começando pelo Maranhão, onde Flávio aparece em empate técnico com Lula, 45% a 46%, respectivamente. Em Alagoas, terra de Renan Calheiros, outra surpresa: Flávio Bolsonaro lidera com folga, 59% a 30%.
Na Bahia, o candidato da oposição ao governo e aliado declarado de Flávio Bolsonaro, ACM Neto, tem 47% das intenções contra o governador eleito Jerônimo Rodrigues, que soma apenas 30,9%. No Ceará, Ciro Gomes lidera contra o governador petista Elmano de Freitas.
Os escândalos do INSS e do Banco Master, com fortes indícios de envolvimento de Lulinha e de um dos irmãos de Lula, acabaram por reabrir feridas da corrupção que pareciam ter sido esquecidas pelo eleitorado.
O fato concreto é que Luís Inácio Lula da Silva vive literalmente o outono do patriarca. Flávio Bolsonaro, por outro lado, traz estamina para um executivo capenga e dependente do judiciário, uma primavera eleitoral para um país cansado de escândalos, de perseguições políticas e da impunidade para bandidos e corruptos.
E isso deve se concretizar já em 4 de outubro.
