Durante evento realizado nesta segunda-feira (13/4), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, revelou que pessoas próximas têm insistido para que ela deixe o cargo em razão das constantes ofensas dirigidas à sua atuação.
Ao participar de debate promovido pela Fundação FHC, a magistrada destacou o impacto negativo que a exposição pública traz aos membros da Corte. Segundo ela, esse cenário pode dificultar a atração de novos nomes para o tribunal no futuro, especialmente diante do desgaste pessoal envolvido.
“Eu temo também para futuros ministros do Supremo, porque algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique. A tendência para nós mulheres nem se fala, porque o discurso de ódio contra homem é ‘mal administrador’, e contra nós [mulheres], os senhores já viram o que fazem contra meu respeito, é sexista, machista, desmoralizante, e todo mundo da minha família fala: ‘Cármen, sai disso, chega, já fez o que tinha que fazer'”, afirmou a ministra.
A trajetória de Cármen Lúcia no STF teve início em junho de 2006, quando foi indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a vaga anteriormente ocupada por Nelson Jobim. Sua aposentadoria compulsória está prevista para abril de 2029, ao atingir a idade limite de 75 anos.
Recentemente, a ministra também tomou a decisão de antecipar sua saída do Tribunal Superior Eleitoral.
