Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, cresce a expectativa de que um processo contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) avance com rapidez incomum e possa resultar em sua inelegibilidade ainda em 2026. A avaliação circula entre ministros que se sentiram diretamente atingidos pelo relatório apresentado pelo parlamentar na CPI do Crime Organizado.
A representação formal deve ser encaminhada nesta quarta-feira (15) pelo ministro Gilmar Mendes. O foco central da acusação é um suposto abuso de poder por parte de Vieira ao elaborar um parecer que solicitava o indiciamento de autoridades, o que, segundo integrantes da Corte, extrapolaria os limites da investigação parlamentar.
O desconforto entre ministros se intensificou após o relatório — posteriormente rejeitado por 6 votos a 4 — propor o indiciamento de três integrantes do STF, além do procurador-geral Paulo Gonet. Um interlocutor ouvido afirmou que o senador “não terá mais paz”, indicando a disposição de parte da Corte em reagir institucionalmente ao episódio.
Segundo apuração, na visão de magistrados, o documento teria se afastado do objetivo original da CPI — apurar a atuação do crime organizado — para direcionar críticas ao Judiciário, possivelmente com motivação política. Há ainda questionamentos sobre o fato de o relatório não ter incluído pedidos de indiciamento contra integrantes de facções como PCC e Comando Vermelho, o que foi considerado contraditório por um ministro.
Um dos pontos que mais geraram incômodo envolve a inclusão de Gilmar Mendes no relatório. Segundo relatos, o ministro não teria ligação direta com o caso do Banco Master, sendo citado em razão de uma decisão de habeas corpus que suspendeu a quebra de sigilo de uma empresa ligada à família de Dias Toffoli, que manteve relações comerciais com Daniel Vorcaro.
O fato de a iniciativa partir de um decano da Corte e seguir para análise do procurador-geral é visto como um fator que pode acelerar o andamento do processo. Essa possível celeridade preocupa aliados de Vieira, já que pode impactar diretamente sua tentativa de reeleição ao Senado por Sergipe.
No cenário eleitoral estadual, o senador figura entre os principais nomes da disputa, tendo como adversários o ex-deputado André Moura (União) e o senador Rogério Carvalho (PT). O calendário eleitoral estabelece o registro de candidaturas até 15 de agosto, com votação prevista para 4 de outubro.
